bastidores Um Lugar Silencioso

No dia 24 de junho, estreia Um Lugar Silencioso – Parte II, o novo filme da Paramount Pictures que é dirigido e roteirizado por John Krasinski.

cena Um Lugar Silencioso Parte II

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Mas afinal, o filme é bom?

Costumo brincar dizendo que John Krasinski reinventou a roda no primeiro Um Lugar Silencioso. Não que a premissa monstros invadindo a Terra seja nova, mas achei excelente a sacada do diretor pegar um elemento – o som – simples, comum e essencial para a vida de todos nós, e colocar como a grande peça chave para a sobrevivência da humanidade.

Ainda sobre o primeiro filme, Krasinski mostra para Hollywood o seu potencial como diretor e roteirista e chama atenção pela qualidade técnica e capacidade de envolver o espectador num ambiente de tensão. Um Lugar Silencioso – que agora é uma franquia – é um longa simples, com uma trama enxuta, focada, cheia de humanidade, e que te deixa grudado na cadeira do cinema vivendo tudo o que está sendo passado em tela.

Quando anunciaram o segundo filme me animei, mas ao mesmo tempo pensei: “Precisamos de uma sequência?”. É inegável o desejo de continuar acompanhando a jornada da família e saber como eles sobreviverão no novo mundo longe da sua zona de conforto, mas ao mesmo tempo vem a clássica preocupação das continuações: “Será que vai ser bom ou vão estragar o que foi feito?”.

Muito bem, depois da pandemia assolar o mundo e termos várias alterações na data de lançamento, chegamos na tão aguardada Parte II. O longa começa mostrando o dia 1 do apocalipse e nos faz matar a saudade de John Krasinski. O início é eletrizante, ágil e introduz de forma certeira a chegada dos monstros na Terra. Ao mesmo tempo que é aflitivo, é extremamente envolvente ver o caos tomando conta da tela e as pessoas sendo devastadas em questão de minutos.

Passada essa introdução, somos transportados para o exato momento em que termina o primeiro filme. Mesmo conhecendo os personagens e sua trajetória, somos levados para um mundo novo, onde a falsa sensação de segurança que tínhamos, é deixada para trás. Tudo pode acontecer. Qualquer coisa, sejam as criaturas ou humanos ameaçadores, pode cruzar o caminho de Evelyn, Regan, Marcus e o bebê, e isso nos deixa extremamente apreensivos.

Falar sobre a qualidade da entrega de Emily Blunt chega até ser um tema batido, mas ainda assim, não podemos deixar de enaltecer sua personagem que assume as rédeas da família e luta com todas as forças para proteger os filhos. Mais uma vez vemos Emily nos presentear com uma atuação sensível, profunda e cheia de sentimentos. É impossível não ficar tocado com a força do amor que a personagem tem para com os filhos e a forma como ela enfrenta os mais difíceis obstáculos para protegê-los.

Mesmo Um Lugar Silencioso sendo uma franquia que enaltece e destaca o brilho e qualidade do casal Emily Blunt e John Krasinski, é em Millicent Simmonds que encontramos a verdadeira protagonista dessa história. No primeiro filme somos apresentados a uma jovem surda, corajosa e que tem a arma para combater os monstros em seu ouvido. No segundo longa, vemos a personagem assumir o protagonismo e se arriscar numa missão que pode trazer um amanhã para a humanidade. A falta de palavras na boca de Milly não afetam em nada a sua capacidade de se comunicar, expressar, envolver e sensibilizar o público. Já tinha ficado impressionado com sua entrega no primeiro filme, e agora saio de Um Lugar Silencioso – Parte II completamente apaixonado pelo talento dessa jovem e promissora atriz.

Desde o primeiro filme, Noah Jupe nos apresenta um personagem interessante e com vertentes a serem exploradas. É comum e totalmente esperado que uma criança/adolescente da idade do personagem fique completamente assustado e em pânico com a invasão da Terra por um bando de monstros sanguinários que saem matando as pessoas. Mas, em contrapartida, é extremamente interessante ver a evolução e trajetória de crescimento e amadurecimento desse jovem que acabou de perder o pai e tem que ajudar a proteger a mãe e irmãos. Em Um Lugar Silencioso – Parte II, Noah repete a qualidade de sua entrega e nos traz um menino com os mesmos medos e receios, mas que agora consegue encarar e enfrentar com um pouco mais de firmeza devido às consequências da história.

Uma das novidades no elenco de Um Lugar Silencioso – Parte II, é a entrada de Cillian Murphy no papel de Emmett, um homem que perdeu tudo, inclusive a fé na humidade, e cruza o caminho da família Abbott. É interessante ver o contraponto que o roteiro fez entre o personagem de Cillian em comparação com o de John Krasinski. Enquanto Krasinski vive um pai de família que faz de tudo para sobreviver e proteger quem ele ama, Murphy nos apresenta um homem depressivo, devastado e sem esperança. Não me alongarei falando sobre Emmett para não dar spoilers, mas o que posso dizer, é que ele é uma peça chave no segundo longa e que sua química e atuação ao lado de Regan (Millicent Simmonds) são a cereja do bolo do filme.

Mesmo os monstros e a questão do som não serem mais uma surpresa, Um Lugar Silencioso – Parte II consegue manter o nível e qualidade da narrativa, com uma história simples, que expande o universo da família, entrega respostas sobre como tudo começou e que ainda nos apresenta uma saída a todo caos e devastação causada pelas criaturas.

Um Lugar Silencioso – Parte II espanta a maldição das sequências e coroa John Krasinski como um dos diretores e roteiristas mais promissores da nova geração. Envolvente, emocionante e cheio de tensão, novamente o longa é lançado com uma única e exclusiva premissa, ser experienciado nos cinemas. Só o poder da tela grande, do som de qualidade e da sala escura são capazes de emanar todo o poder contido nessa franquia.