trilha sonora Enquanto Estivermos Juntos

Hoje (19) chegou aos cinemas Enquanto Estivermos Juntos (I Still Believe), um filme distribuído pela Paris Filmes, que é baseado em uma história real. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

cena Enquanto Estivermos Juntos

Siga nossas redes sociais:

Mas afinal, o filme é bom?

Baseado na história real do cantor gospel Jeremy CampEnquanto Estivermos Juntos é um longa dos mesmos produtores de Eu Só Posso Imaginar, que traz um arco dramático com um forte cunho religioso como pano de fundo. Partindo dessa premissa, o que você encontrará no filme é a história do cantor, o drama envolvendo sua esposa e a forma como ambos encontraram forças em Deus para superar a dor.

Ambientado no início dos anos 2000, Enquanto Estivermos Juntos traz uma pureza e doçura raramente encontradas nos relacionamentos atuais. Ainda que os personagens tenham forte conexão com a religião e os seus dogmas, acho bonito e até importante trazer para os dias de hoje um amor puro, simples e até mesmo inocente. Em tempos de superficialidade e coisas descartáveis, ver um jovem casal se amar incondicionalmente e lutar por aquilo que acredita, é inspirador.

A história de Jeremy Camp não é um segredo para ninguém. Se você jogar o nome do cantor americano no Google, rapidamente encontrará as respostas para o desfecho do filme. Contudo, isso não estraga a experiência de Enquanto Estivermos Juntos. Como já citei acima, o importante do filme é a mensagem que ele passa e não a sua resolução dramática.

Mesmo conhecendo a história, fiquei intrigado e curioso para ver como os roteiristas trariam a construção do relacionamento do casal e o declínio de suas vidas em decorrência do câncer de Melissa Lynn Henning-Camp. A primeira uma hora do filme te entrega uma comédia romântica leve, fofa, cheia de momentos bonitinhos e com um pequeno drama a ser enfrentado. Contudo, da segunda hora em diante, somos transportados para uma história de dor, sofrimento e fé.

Nem todo mundo vai entender e absorver a mensagem passada pelo roteiro de Enquanto Estivermos Juntos da mesma forma, isso porque muito do que é transmitido tem religiosidade no meio e entendo que cada um encara esse tema de um jeito muito particular. Há quem ache exagerada e até impulsiva e imatura a decisão de Jeremy e Melissa. Há quem ache fofo, da mesma forma como também tem aquele que vai encarar como um sinal divino. O importante nisso tudo, é sentir a humanidade, a garra, a vontade de viver que a história transmite.

Enquanto Estivermos Juntos é um filme simples, bonito e real, pois infelizmente, a vida não é um conto de fadas e ao longo de todo o nosso caminho, vamos nos deparar com momentos tristes e dolorosos, que vão nos ensinar a crescer, evoluir e continuar lutando. Essa é uma das várias mensagens que extraí do longa.

Falando um pouco de roteiro, filmes como Enquanto Estivermos Juntos sofrem do mesmo problema. A narrativa precisa apresentar os personagens, conectá-los, te fazer se apaixonar por eles e depois colocá-los em declínio através da dor e sofrimento, te sensibilizando e até levando-o às lágrimas. A métrica disso tudo é bem clara, mas o grande desafio mora na execução, tendo em vista que o longa tem no máximo duas horas, duas horas e meia para contar sua história.

Como disse no começo, Enquanto Estivermos Juntos parece dois filmes em um. A primeira uma hora estabelece o casal e a segunda destrói tudo o que foi construído. Contudo, achei que o roteiro correu em algumas resoluções para entregar logo o casal formado para a segunda parte do filme. Alguns momentos, diálogos e cenas foram pouco aproveitadas e desenvolvidas. Senti falta de mais conexão entre KJ Apa e Britt Robertson antes de embarcar na jornada contra o câncer.

Os atores têm uma boa química e já viveram um casal mais de uma vez na ficção, motivo esse talvez que até os fez ser um casal na vida real por algum tempo. Existe fluidez e intimidade entre os dois, só estranhei um pouco o rápido desenvolvimento do relacionamento entre Jeremy Melissa, acho que tanto o roteiro quanto a direção, poderiam ter trabalhado melhor esse ponto. Em termos de atuação, KJ Apa é um jovem ator e que tem uma curva de evolução pela frente. Em Enquanto Estivermos Juntos ele não foi brilhante, mas também não entregou nada desastroso, sua performance foi satisfatória. Já Britt Robertson se destacou mais em termos de profundidade, por conta da jornada de sua personagem. Em suma, a dupla foi bem dentro da proposta.

Um ponto interessante e que merece ser destacado de Enquanto Estivermos Juntos, é a musicalidade do filme. KJ Apa tem a música intrínseca em sua vida. Cantor e músico, já vimos o ator exibir o seu talento em Riverdale e até mesmo fora das telas (para quem não o acompanha, o ator tem uma banda). Então, quando vemos KJ dar vida a Jeremy Camp, foi natural vê-lo com o violão nas mãos. Com letras profundas e reflexivas, a trilha sonora de Enquanto Estivermos Juntos é um ponto alto do filme e que merece ser exaltada.

Mesmo se tratando de uma história real, o longa traz clichês narrativos já conhecidos pelo público. O longa se sustenta na química e conexão entre os atores e entrega uma história bonita, real, humana e gostosa de se ver (mesmo se tratando de uma história de dor, sofrimento e superação). No final, o que importa não são as lágrimas e o período triste na vida do cantor e sim a forma como ele superou tudo isso e o que ele levou para sua vida depois desses acontecimentos.

De novo, Enquanto Estivemos Juntos é um filme que deveria ser assistido por todos, para que em tempos de superficialidades e relacionamentos descartáveis, as pessoas absorvessem um pouco de pureza, verdade e sensibilidade.