La Casa de Papel Netflix, La Casa de Papel parte 4

No dia 03 de abril, estreou La Casa de Papel – Parte 4 na Netflix, a continuação da historia do fenômeno espanhol. Essa crítica CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a parte 4 foi boa?

Vamos ser sinceros, amigos? A verdade verdadeira é que La Casa de Papel deveria ter terminado ao final da parte 2 (o que era equivalente à uma temporada). Conseguiram imprimir as notas na Casa da Moeda, o Berlim (Pedro Alonso) morreu pra ajudar os companheiros a fugir, fim da história. Precisava da parte 3 e 4? Não, não precisava, mas como o dinheiro fala mais alto, vamos espremer a laranja até sair a última gota de suco.

Quando anunciaram a parte 3, ao mesmo tempo que me empolguei como fã, fiquei pensando: que história eles vão contar? O que justificaria a reunião do grupo e um novo assalto? A captura do Rio (Miguel Herrán). Hum, ok, plausível. A parte 3 funciona para justificar a continuação da história, mas chegamos na parte 4 e a série começa a sofrer com um problema que desagradará muitos fãs, a falta de consequências. Por mais brilhante e genial que o Professor (Álvaro Morte) seja, La Casa de Papel precisa continuar atrativa e não dá pra continuar dependendo da mesma fórmula. As manobras mirabolantes são firulas bacanas de serem vistas, mas não servem mais para manter o público preso. E aí a trama cai numa solução que vai desagradar muita gente, a necessidade de começar a matar personagens carismáticos para continuar se mantendo interessante.

Uma das coisas mais interessantes da parte 3 foi o tiro que a Nairóbi (Alba Flores) levou ao final da temporada. Agora chegamos na parte 4 de La Casa de Papel com esse medo e dúvida no ar. O roteiro nos conduz para uma falsa sensação de segurança e depois nos acerta em cheio ao matar a personagem que teoricamente já estava em segurança. Achei corajoso dos produtores matarem uma das principais e mais carismáticas personagens da série. Cheia de carisma e a principal representante do poder feminino, Nairóbi (Alba Flores) se despede da trama de forma emocionante e sensível.

Confesso a vocês que até por volta do episódio 5, estava achando a parte 4 de La Casa de Papel uma repetição de fórmula. A trama estava batida, morna e nadando por águas já conhecidas dos fãs. Porém, a partir do episódio 5 tudo muda e o roteiro toma um caminho frenético e extremamente envolvente. Se tem uma coisa que os roteiristas de La Casa de Papel sabem fazer, é criar cliffhangers (ganchos) emocionantes e que te deixam preso no sofá morrendo de curiosidade para saber o que vem por ai.

Mesmo considerando Berlim (Pedro Alonso) um dos personagens mais interessantes de toda a série, aponto como negativa a sua continuação na trama. A sensação que tenho é que os produtores arrumaram uma maneira de manter um dos personagens mais carismáticos e amado pelo público na série, mas precisamos dele em tela? Os flashbacks em que Berlim (Pedro Alonso) aparece quebram a trama e só serviram, por enquanto, como alívio cômico, não agregando em nada no momento atual em que a série se encontra. Espero que não usem o mesmo artifício para manter Nairóbi (Alba Flores) na série.

Tomando proporções cada vez mais megalomaníacas, La Casa de Papel se apoia na paixão dos fãs para continuar renovando suas temporadas. Mesmo amando a dinâmica da série e tendo apego aos personagens, ressalto a preocupação com o desgaste da fórmula e a provável enrolação que veremos na parte 5 e 6. Talvez a produção devesse dar um passo para trás e terminar a história enquanto ainda está no auge, para não esticar a trama além do que deve e acabar estragando um produto de sucesso.

De modo geral, La Casa de Papel – Parte 4 cumpre o papel de entreter, mesmo demorando um pouco para engatar. O Professor (Álvaro Morte) continua brilhante, a Tóquio (Úrsula Corberó) continua impulsiva e badass, mas agora ganhando uma função de liderança. Os demais personagens como Lisboa (Itziar Ituño), Denver (Jaime Lorente), Rio (Miguel Herrán), Estocolmo (Esther Acebo), Helsinki (Darko Peric) e Palermo (Rodrigo de La Serna) continuam com a mesma entrega. Quem ganhou mais espaço nessa temporada foi Marsella (Luka Peros) e Bogotá (Hovik Keuchkerian).

Destaco as participações da Inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri) e Gandía (José Manuel Poga), que brilharam e deram um show em tela. Gostei da introdução da Julia (Belén Cuesta) e detestei a virada e o caminho que o Arturito (Enrique Arce) tomou.

Se você é fã de La Casa de Papel, divirta-se com a Parte 4 e curta todas as saídas mirabolantes que os roteiristas armaram no quarto ano.