Luta por Justiça

Em 27 de fevereiro, chega aos cinemas brasileiros Luta por Justiça, drama estrelado por Michael B. Jordan e Jamie Foxx. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

trailer Luta Por Justiça, Michael B. Jordan

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Mas afinal, Luta por Justiça é bom?

Recém saído de Harvard, o advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) rejeita diversas propostas de emprego para se mudar para o Alabama, onde tentará retirar condenados do Corredor da Morte. Com ajuda de Eva Ansley (Brie Larson), Bryan fundará a Iniciativa de Justiça Igualitária, oferecendo defesa adequada e gratuita aos que foram injustiçados pelo sistema.

Entretanto, o Alabama é o único estado do País que nunca retirou um condenado de seu Corredor da Morte. Junto ao passado e presente racista do lugar, Bryan será jogado em uma realidade onde sua graduação não inspira qualquer respeito. Ele é apenas um negro que não aprendeu seu lugar no mundo.

Lutando contra policiais corruptos e uma justiça falha, Bryan se deparará com homens cujo o único crime foi “ter a cara de um criminoso”. Em especial, Walter McMillian (Jamie Foxx), acusado de estuprar e matar uma jovem branca. Ainda que todas as provas apontassem para sua inocência e diversas pessoas estivessem dispostas a testemunhar ao seu favor, Walter não teve o devido processo legal e foi abandonado por seus advogados quando o dinheiro acabou.

Em face da obviedade da injustiça, Bryan fará tudo ao seu alcance para defender Walter e impedir sua execução. Mas primeiro, deverá provar as suas intenções ao condenado, que já perdeu qualquer esperança de que a verdade venha à tona.

Baseado em fatos reais, Luta por Justiça conta sobre a fundação da IJI e sua busca pela manutenção da vida. Se atendo majoritariamente à realidade, talvez o filme seja mais desolador do que a ficção. A política de “put down the mad dogs” (sacrificar os cães perturbados) traz à tona a insensatez do ser humano. Aquele que se autodenomina o topo da cadeia alimentar é incapaz de lidar com os seus que infringem a lei, escolhendo aniquilá-los. O quão racional é essa escolha, a História acaba por responder.

Como se o assunto não fosse pesado o bastante, traz também o incoerente pensamento humano de que a cor da pele define a superioridade do indivíduo. E justamente nessas cenas, B. Jordan mostra, apenas com os olhos, todo ódio e indignação de um homem que nunca será bom o bastante, apenas será negro. Se sua indicação para o Oscar não veio por timing ou preconceito, não se sabe. Mas ele é o responsável por toda emoção do filme.

Foxx, sustenta o papel do homem trabalhador e injustiçado com uma atuação que em muito remete Denzel Washington. A amargura calada e a pele queimada de sol o tornam oposto a B. Jordan, mas complementares quando juntos. Chega a dar pena de Larson. Ainda que sua personagem tenha sido crucial para a iniciativa, não há qualquer momento que torne sua atuação aqui memorável.

A IJI esteve nos noticiários há poucos anos, libertando mais um homem do Corredor da Morte. Se você acompanha, o final de Luta por Justiça não é uma surpresa. Mas isso não impedirá que você se emocione. Ainda que todos tenham pensamentos e ideais diferentes, a trama para salvar um inocente é atrativa para qualquer ser humano. Una isso à grandes atuações e uma narrativa enxuta, e não há porque sair insatisfeito.