Maria e João

No dia 20 de fevereiro, chega aos cinemas brasileiros Maria e João – O Conto das Bruxas, terror estrelado por Sophia Lillis e que traz uma releitura do clássico conto de fadas. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Maria e João Conto das Bruxas trailer

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Mas afinal, Maria e João é bom?

A escolha de inverter os nomes dos protagonistas no título já deixa uma clara mensagem de que Maria (Sophia Lillis) é a verdadeira estrela do filme, João (Samuel Leakey) é meramente um peso carregado pela irmã. Tendo essa noção muito clara, entramos no enredo de Maria e João – O Conto das Bruxas, onde a irmã mais velha busca um emprego para ajudar a alimentar sua família. Ao recusar uma proposta de prostituição, acaba expulsa de casa pela própria mãe, devendo levar seu pequeno irmão.

Após se encontrarem com o Caçador (Charles Babalola), os irmãos partirão em busca do povo da floresta, que os ajudarão a sobreviver. Entretanto, dias sem alimento faz com que eles desviem o caminho e entrem na propriedade da velha Holda (Alice Krige). Desesperados pela fome, o pouco de desconfiança some em meio à mesa farta da solícita senhora, mesmo que o resto da população enfrente o período da Grande Fome.

É possível notar que a narrativa central do conto foi totalmente mantida. A maior mudança está no refinamento do passado da bruxa canibal, a partir de um sombrio conto ao estilo dos irmãos Grimm. Infelizmente, optam por marcar a versão jovem da bruxa (Jessica De Gouw) com tatuagens e um corte de cabelo contemporâneo, retirando-a totalmente do ambiente medieval do filme. Fora isso, sem grandes elaborações, a narrativa se mantém simples e sem grandes surpresas.

Contos de fada nunca foram propriamente infantis, muito pelo contrário, e Maria e João – O Conto das Bruxas abraça esse conceito. Em diversos momentos, os irmãos são colocados em situações impróprias para as suas idades, rodeados por abandono e mortes como algo natural. Obviamente, o foco fica com Maria e seu poder de ver aqueles que outros não conseguem, rendendo os poucos momentos de susto do filme.

A áurea sombria se estende também para a fotografia, o que acaba se tornando um problema. Visualmente bonito para cenas externas, Maria e João – O Conto das Bruxas é cansativo quando dentro da casa da bruxa. Ao querer trazer veracidade, as cenas, à luz de apenas um lampião, são escuras demais para prender a atenção. Somado ao ritmo lento de muitos momentos, manter os olhos abertos se tornam uma luta.

Apesar da boa premissa, Maria e João – O Conto das Bruxas não consegue sustentar seu desejo de se equiparar ao clássico. Na vontade de dar todo o destaque à garota, por mais que ela segure bem o posto de protagonista, o filme tira toda a essência dos irmãos que vencem a Fome e uma bruxa juntos. Fora isso, os já citados problemas de edição e fotografia se unem à incapacidade do diretor Oz Perkins de esconder o fraco roteiro.