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Amanhã, 06 de fevereiro, chega aos cinemas Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, no qual Margot Robbie volta ao papel da vilã mais amada da DC Comics. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal Aves de Rapina é bom?

Apesar de já estar separada do Senhor C. há algum tempo, Arlequina (Margot Robbie) curte a fossa entre quatro paredes. Tudo para não perder as regalias conferidas pela condição de “namorada do Príncipe Palhaço do Crime”. Ou seja, Arlequina pode se safar de tudo e todos pelo medo geral despertado pelo Coringa.

Entretanto, Arlequina decide que é o momento de mostrar ao mundo que deve ser temida por si só. Retira a proteção do ex com uma atualização grandiosa do seu status de relacionamento. Ela só não esperava que o ato a transformasse automaticamente em alvo. Todas as suas antigas vítimas de Gotham, ou simplesmente aqueles que não iam com a sua cara, a querem morta.

E é assim que Arlequina vai parar nas mãos de Roman Sionis (Ewan McGregor), o Máscara Negra. Abastado dono de uma casa noturna que gosta de esfolar o rosto dos seus inimigos. Acostumado a ter o que quer e ser obedecido, Roman apenas suporta a insolência de Arlequina por respeito ao Coringa. Mas aceita fazer um acordo com a nova mercenária de Gotham para recuperar algo que lhe foi roubado por uma jovem batedora de carteiras.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa introduz, então, Cassandra Cain (Ella Jay Basco), a órfã que futuramente se tornou uma Batgirl brutal nos quadrinhos. Mas aqui, ela serve para unir as personagens título e mostrar que, na maior parte do tempo, o coração de Arlequina está no lugar certo.

Se a Marvel conseguiu elevar as vendas dos seus quadrinhos por meio do cinema, o caminho da DC veio de uma fonte inusitada: a dependente namorada do Coringa. Há quase 20 anos, Arlequina é um dos pilares que sustentam a editora, goste você ou não. O poder da vilã ficou evidente após sua reinvenção e emancipação do namorado abusivo. A personagem é campeã invicta de cosplaying e merchandising. 

Em face a tamanha alçada da Palhaça do Crime, a grande dúvida ao assistir Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é por que o estúdio insiste em colocar Arlequina em meio a um grupo de heróis? A personagem é mais do que capaz de levar um filme por si só, sendo exatamente essa a mensagem que ela quer passar desde o início. Sua emancipação não deveria ser só dos homens, mas de outros personagens que tentem dividir a cena de igual para igual. Porque, sejamos francos, não existe competição.

Apesar do título Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é inteiramente sobre Arlequina. Para quem já leu os quadrinhos da personagem, a paleta de cores é inteiramente reproduzida no filme. Armas que atiram glitter e tinta. Competição de Roller Derby. A brutalidade cômica. O horroroso castor empalhado e a hiena Bruce (em homenagem ao Bruce Wayne) somam para formar um mundo que não pertence às Aves de Rapina, mas é totalmente Arlequina. Fora isso, a narração fica também por conta dela e o ritmo desordenado de eventos é um espelho de sua mente tresloucada.

A adaptação fiel, colorida e violenta do sucesso da editora proporciona um filme repleto de momentos cômicos, permitindo que Robbie finalmente brilhe de uma vez por todas na pele da sua amada Arlequina. Ao som da sua característica risada histérica e uma trilha sonora tão boa quanto Esquadrão Suicida, ela mostra que mais ninguém conseguiria chorar por um sanduíche de ovo ou quebrar ossos com um taco de baseball tão bem quanto ela.

O que leva ao ponto negativo: as Aves de Rapina. Durante a semana um crítico foi atacado por dizer que faltava apelo sexual às personagens. Na verdade, falta apenas apelo. A Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), com sua triste história de vingança aparece realmente apenas no final. Renee Montoya (Rozie Perez) pelo menos não é definida pela sua homossexualidade, mas passa o filme como uma policial de série oitentista.

A única que ganha algum tipo de destaque é Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), a Canário Negro. Cantora na boate de Roman, Dinah é a única com superpoderes e, coincidentemente, vizinha de Cassandra. Entretanto, a Canário, assim como as outras duas, só possuem grandes cenas ao lado de Arlequina. Sozinhas, a química é basicamente inexistente.

Por fim, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa apresenta um vilão tão espalhafatoso quanto sua protagonista. McGregor é um Máscara Negra totalmente diferente dos quadrinhos. Ele dança, dá ataque de raiva e manda matar por causa de catarro (faz sentido, juro.). Mas funciona muito bem no universo de Arlequina. Junto com o último As Panteras, parece que este é o novo vilão da moda: o homem mesquinho, mimado e que diminui as mulheres. Basta saber até quando a receita vai funcionar.

É possível perceber que pouco desmerece Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. O enredo é simples e de fácil solução, mas o alucinado e vivaz caminho compensa com boas risadas. Se “a terceira vez é o encanto”, quem sabe na próxima aparição de Arlequina nos cinemas ela ganhará de uma vez por todas um título só seu.