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No dia 23 de janeiro, chega aos cinemas 1917, um filme do diretor Sam Mendes, que traz um recorte histórico da Primeira Guerra Mundial. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

vídeo bastidores 1917

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Mas afinal, o filme é bom?

Hollywood já explorou exaustivamente os horrores das guerras mundiais. Ao mesmo tempo que esse tema é importante de ser explorado e ainda serve como crítica e um tapa na cara da humanidade que ao invés de viver em paz, só arruma motivos (políticos e econômicos) para causar mortes e destruição, abordar qualquer uma das grandes guerras no cinema já é um tema pra lá de batido.

Via de regra, os roteiristas exploram um recorte, uma batalha, uma das milhares de figuras históricas marcantes e por ai vai. Mesmo o foco central da história sendo diferente a cada novo filme, o contexto em que as produções estão situadas é o mesmo. Já que Hollywood continuará soltando filmes de guerra, a pergunta que fica no ar é, existe uma forma de inovar dentro de um universo tão explorado e desgastado ao longo dos anos? Uma vez que não é possível alterar fatos histórico (lembrando que os roteiristas prezam cada vez mais pela fidelidade e realismo com a história), como as produções conseguem se manter atrativas para o público?

Com base nas questões levantadas acima, Sam Mendes inovou ao trazer para as telas, um filme que te dá a impressão de ser um longo plano sequência de duas horas de duração. Desde o primeiro até o último minuto, 1917, te faz embarcar em uma jornada tensa, cansativa em alguns momentos, e de tirar o fôlego. O roteiro te apresenta dois cabos com uma única e exclusiva missão: levar um recado que evitará o massacre de 1600 homens.

Com uma premissa e um roteiro simples, Sam Mendes aposta suas fichas no plano sequência de 1917 para ser o seu grande diferencial em relação ao histórico de filmes. Além de acompanharmos os mínimos detalhes do cenário e horror da guerra, temos a sensação de estarmos no campo de batalha e nas trincheiras com os protagonistas. Tudo é mostrado muito de perto, como se a câmera e o espectador fossem o terceiro personagem em cena.

O ritmo de 1917 vai muito bem até perto da metade. Um acontecimento quebra a dinâmica dos protagonistas e afeta negativamente o longa deixando um vazio em tela. A partir daí, a história se arrasta um pouco e chega a cansar. Da metade pro final, o diretor foge um pouco do realismo e entrega uma sequência de cenas teatrais e um pouco lúdicas sobre a fuga e perseguição de um dos personagens, o que destoa do realismo que vimos até aqui.

Com um final sem emoção, 1917 usa muito bem um recurso cinematográfico (o plano sequência), mas que não sustenta todo o filme. O roteiro é simples e os atores Dean-Charles Chapman George MacKay vão bem dentro do que é proposto. No final das contas, o longa é mais um filme que mostra os horrores da guerra de uma outra forma, mas que não tem tempero o suficiente para emocionar e cativar o público como seus antecessores.

A fotografia está impecável e conseguimos apreciar esse ponto muito por conta do plano sequência proposto por Sam Mendes. É um filme obrigatório para os fãs de história e de guerra.