PLAYMOBIL - O Filma

Em 12 de dezembro, chega aos cinemas brasileiros PLAYMOBIL – O Filme, animação baseada nos icônicos bonecos. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Depois de um inesperado acidente, a jovem Marla (Anya Taylor-Joy) deve deixar seus sonhos de lado para cuidar de seu irmão mais novo, Charlie (Gabriel Bateman). Porém, quando o garoto desaparece, a última coisa que Marla espera é ir parar no mundo dos bonecos da sua infância: PLAYMOBIL. Enquanto embarca em uma fantástica aventura pelos diferentes mundos dos icônicos brinquedos, Marla se aliará aos mais inusitados personagens. O motorista de food-truck vigarista Del (Jim Gaffigan), o espião Rex Dasher (Daniel Radcliffe), a vibrante fada madrinha (Meghan Trainor), entre muitos outros.

Ao olhar PLAYMOBIL – O Filme, é difícil não se lembrar dos longas baseados nos bonecos LEGO. Entretanto, eles não poderiam ser mais diferentes. E a explicação está no criador e diretor, Lino DiSalvo. Após anos como animador chefe nos estúdios Disney, sendo ligado a projetos como Enrolados, Frozen – Uma Aventura Congelante e Bolt: Supercão, DiSalvo escolheu o caminho oposto da marca concorrente. Enquanto os filmes de LEGO são cínicos e riem de si mesmos, PLAYMOBIL – O Filme é honesto e acredita em sua própria magia (e, claro, tem um pouco de cantoria).

As influências do estúdio não param por aí. Os detalhes da animação são tantos e tão sutis, que fica difícil absorver tudo sem uma maior análise. Como quando os irmãos entram no mundo de Playmobil. Charlie ganha o corpo do guerreiro Viking com o qual costumava brincar, se adaptando facilmente ao novo corpo. Já Marla, mal consegue se mover com as perninhas rígidas da bonequinha que se tornou. A explicação é muito simples: Charlie nunca deixou de brincar, se mantendo, apesar de tudo, o mesmo garoto que brincava de Viking e Cavaleira.

Enquanto Marla passa por diferentes mundos à procura de seu irmão, diversos easter eggs vão aparecendo. Fica óbvio que Rex Dasher é o Bond de Roger Moore, Glinara (Maddie Taylor) é a versão feminina de Jabba, o Hutt e podemos até ver um furgão dos Caça-Fantasmas. Apaixonado pelos anos 80, DiSalvo trouxe todos os elementos dos filmes dessa década, em especial os filmes infantis. Iniciar com live-action para então transformar em CGI, deu a PLAYMOBIL – O Filme um inegável ar mágico, como o visto em Pagemaster: O Mestre da Fantasia. É o resgate de uma simplicidade de narrativa que foi abandonada pelas animações.

Talvez PLAYMOBIL – O Filme não seja um sucesso tão grande quanto os filmes de LEGO, mas não por ser ruim. Atualmente, a humanidade parece mais preocupada em rir de si mesma do que em acreditar no surreal e extraordinário. Mas aqui está um filme para toda a família onde todos realmente podem aproveitá-lo. As crianças não terão piadas, das quais não entendem, jogadas a todo momento. Já os adultos, conseguirão rir com a inocência da trama, ao mesmo tempo que vêem os seus brinquedos de infância ganhando vida.