The End of the Fucking World

No dia 05 de novembro, estreou a 2ª temporada de The End of the Fucking World, uma série original da Netflix. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a 2ª temporada de The End of the Fucking World foi boa?

The End of the Fucking World é uma grata surpresa da Netflix. A série britânica tem o senso de humor típico dos ingleses e chegou ao Brasil de forma tímida, praticamente sem badalação, mas aos poucos surpreendeu e conquistou sua base de fãs. Confesso que me surpreendi, pois a história é super simples, envolvente e com menos de trinta minutos de episódio o roteiro consegue desenvolver muito bem a sua trama.

Mais madura, a 2ª temporada de The End of the Fucking World mantém o clima melancólico, sombrio e reflexivo. Os personagens retornam com outros dramas, desafios e problemáticas a serem enfrentados. Alyssa (Jessica Barden) lida com o trauma da morte do professor Clive Koch (Jonathan Aris) e toda a aventura que viveu com James (Alex Lawther). Já o rapaz, se recupera do tiro na temporada passada e redescobre o seu lugar no mundo depois de tudo o que passou.

A 2ª temporada de The End of the Fucking World causa menos impacto no sentindo de chocar o espectador com as decisões, desejos e pensamentos de seus personagens. O casal protagonista está muito mais maduro e humano no que diz respeito a sentimentos, decisões e atitudes. Tudo bem que ainda vemos incertezas, conflitos internos e pontos a serem superados e amadurecidos, mas isso faz parte da vida, então é normal esperar algo assim deles.

A dinâmica e química entre Alyssa (Jessica Barden) e James (Alex Lawther) continua muito boa, fluída e interessante. Com a humanização, os personagens se tornaram menos sombrios e passaram a ser dois jovens confusos, cheios de sentimentos, com dificuldades de comunicação, mas que no fundo só querem encontrar o seu caminho e serem felizes. Acho muito interessante e importante a troca entre eles. Afinal, depois de tudo o que viveram na temporada passada, ambos carregam experiências e bagagens para dividir um com o outro, isso sem contar na intimidade e sentimento.

Ainda sobre o casal protagonista, gostei da entrega dos dois em termos de atuação, emoção e reação aos acontecimentos e desdobramentos da trama. Ambos seguem funcionando muito bem em tela e fazendo a história fluir de uma forma engraçada, dramática e tensa nos momentos certos.

Um dos grandes pontos positivos da 2ª temporada de The End of the Fucking World foi a entrada de Bonnie (Naomi Ackie), uma personagem que carrega consigo o passado do casal protagonista e ainda serve como grande ameaça para os dois. Ao longo dos episódios, a tensão que se constrói em cima do plot twist (reviravolta) envolvendo Bonnie, Alyssa e James, é muito boa e nos faz ficar presos na série querendo saber como vai terminar essa história. O trio protagoniza momentos intensos, hilários para não dizer trágicos, e são o grande ponto positivo e trunfo da temporada.

Por fim, a 2ª temporada conclui a história iniciada no primeiro ano e abre a possibilidade para o início de um novo arco. A humanização dos personagens fez com que o lado sombrio e chocante da série perdesse força, fazendo com que a história caminhe em direção ao mundo comum e tirando o charme de Bonnie e Clyde que Alyssa e James viveram na primeira temporada. Essa mudança pode prejudicar o terceiro ano da produção caso ele se confirme. Contudo, vale o voto de confiança nos roteiristas e na qualidade do trabalho de Jessica Barden e Alex Lawther, que são os estranhos mais fofos da televisão no momento.