El Camino

Hoje (11) chegou ao catálogo da Netflix, El Camino, o filme que dá continuidade à história de Jesse Pinkman após o final de Breaking Bad. Essa crítica CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Confesso a vocês que fiquei apreensivo quando anunciaram esse filme, ainda mais na Netflix, que tem um critério pra lá de questionável quando se trata de longas-metragens originais. O serviço de streaming parece se importar mais com a quantidade de produções que levam o selo de originais, do que com a qualidade que entrega ao seu assinante. A preocupação era real, ainda mais tendo em vista a enxurrada de títulos ruins lançados nos últimos tempos. Contudo, ao ser divulgado que Vince Gilligan, criador da série, era o responsável pelo roteiro e direção, essa aflição foi contida.

Além do retorno do criador e elenco original, um dos grandes méritos de El Camino foi o fato da produção ter sido filmada toda em segredo. Quando anunciaram esse filme, que ninguém estava esperando, o mundo todo se surpreendeu e empolgou com a possibilidade de reencontrar Jesse Pinkman (Aaron Paul) e de quebra poder rever o lendário Walter White (Bryan Cranston) mesmo que através de flashbacks.

Chega a ser devastador o vazio que sentimos ao final de uma série que amamos e passamos anos acompanhando. Para nós fãs, seria um presente enorme se toda a produção tivesse a possibilidade de ganhar um filme que nos contasse o que aconteceu com os nossos personagens favoritos. E é exatamente isso o que El Camino faz. Ao longo das duas horas, o longa te traz de volta para o universo de Breaking Bad, te faz reencontrar personagens queridos através de flashbacks inéditos e conclui de uma vez por todas o arco de Jesse Pinkman.

Melancólico em alguns momentos e saudosista em outros, o longa é quase uma celebração do que foi a série, por conta das várias referências e flashes que aparecem. Isso sem contar a presença ilustre de personagens marcantes como Mike (Jonathan Banks), Jane (Krysten Ritter) e Walter White (Bryan Cranston), que nos emocionam ao dar as caras em tela, transportando-nos para o início dessa jornada.

Aaron Paul está brilhante no filme. O ator repete a bela atuação da série e nos entrega um Jesse Pinkman traumatizado, repleto de marcas e cicatrizes profundas e buscando recomeçar e deixar toda essa dor e sofrimento para trás. Ele chora, grita, é frio, tem ataques de fúria e apresenta a montanha-russa de emoções que vivemos ao longo das temporadas. Se você está com saudades de ouví-lo falar “bitch”, preste atenção porque é bem rápido.

Sem ousar, o roteiro mantém a trama na zona de segurança e apresenta uma história simples, nostálgica e conclusiva. Toda ambientação e tom do filme se mantém similares ao da série. A narrativa é densa, parada em alguns momentos, repleta de dor e sofrimento, o que mantém o filme tenso e angustiante em algumas cenas.

Se você estava com saudades de Breaking Bad, assista El Camino e feche essa porta em seu coração. O longa honra com maestria o legado da série e é um grande presente para os fãs da produção.