Morto Não Fala

No dia 10 de outubro, chega aos cinemas Morto Não Fala, um filme de terror nacional estrelado por Daniel de Oliveira. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Fico muito feliz quando vejo um filme de gênero como Morto Não Fala ganhando o grande circuito do cinema. O Brasil precisa de mais obras ousadas e que pensem fora da casinha e da mesmice das comédias farofeiras, que rendem milhões em bilheteira, mas que no final têm roteiros rasos e atuações muito aquém do que os atores realmente podem entregar. Ver um filme de terror brasileiro já é motivo para ter orgulho.

Apaixonado pelo gênero, o diretor e roteirista Dennison Ramalho consegue ambientar muito bem o clima sombrio, gore e tenebroso do horror em Morto Não Fala. O longa foge dos clichês hollywoodianos e não aposta em sustos baratos ou jogadas de câmeras que te farão pular da cadeira. O ponto mais interessante do filme é embarcarmos na jornada do protagonista e acompanharmos o declínio da sua sanidade, conforme a trama vai se desenrolando. O terror é muito mais psicológico do que pautado em jump scares (aqueles sustos que te fazem pular da cadeira).

Contudo, vale ressaltar que o diretor Dennison Ramalho não soube conduzir muito bem os talentos que tinha em mãos, pois no começo do filme, vemos Daniel de Oliveira e Bianca Comparato muito abaixo do que costumam entregar. Fabiula Nascimento também protagonizou uma cena de morte muito canastrona e mal dirigida. Ressalto, o demérito não é dos atores e sim de quem conduziu as cenas.

Da metade para o final de Morto Não Fala, vemos Daniel de Oliveira trazer para as telas o talento que o consagrou como um dos melhores atores de sua geração. O ator embarca numa jornada de insanidade, delírios e alucinações muito boa de se ver. Ele abraça esse lado esquizofrênico de seu personagem e brilha em todas as cenas que aparece em tela da metade em diante do filme.

Bianca Comparato também ganha espaço na trama para mostrar o seu talento e melhora consideravelmente sua entrega ao ser contagiada pelo clima tenso e insano que toma conta das telas. Sua personagem também embarca na loucura criada por Daniel de Oliveira e os dois protagonizam cenas muito interessantes. Tendo uma química boa, Bianca Daniel se completam nas cenas de ação, tensão e românticas. Os dois funcionam muito bem em tela e brilham no filme.

Apostando em efeitos práticos, Morto Não Fala entrega cenas violentas, chocantes e cheias de sangue. O filme tem vários momentos impressionantes, principalmente quando traz esse horror para as crianças presentes no elenco, que protagonizam momentos de tirar o fôlego e te deixar nervoso na cadeira do cinema.

Com um roteiro interessante e atores de qualidade, Morto Não Fala é a prova de que o cinema nacional é muito maior do que as suas comédias pastelonas, e que os produtores deveriam apostar as suas fichas em projetos como esse, que saem do mundo comum e entregam produtos de qualidade e que merecem ser vistos pelo grande público.