No dia 03 de outubro, chega aos cinemas Coringa, o novo filme da Warner Bros. que conta a origem do palhaço do crime. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Quando a Warner Bros. anunciou o filme solo do Coringa, fiquei com um sentimento que transitava entre a curiosidade e a desconfiança. Precisávamos desse filme? Qual seria a história? Como falar do Coringa sem incluir o Batman na trama? Qual ator assumiria a árdua missão de interpretar um dos personagens psicologicamente mais complexos da história da cultura pop? Eram várias as perguntas e questionamentos, mas, assim que o primeiro trailer foi lançado, todas as dúvidas se transformaram em certezas e a expectativa de um filme digno se tornou muito grande.

Assim que Todd Phillips assumiu a produção, direção e roteiro e as primeiras informações começaram a ser divulgadas, o longa dava indícios de que entregaria uma história apartada do universo compartilhado da DC Comics. Mesmo assim, pairava no ar a esperança de que o sucesso e a entrega de Joaquin Phoenix fizessem os executivos repensarem o papel desse filme no universo cinematográfico da DC. A respeito disso, só posso dizer a vocês que os chefões do estúdio terão uma boa dor de cabeça depois que Coringa for lançado nos cinemas. Sendo aclamado em Veneza e exaltado pelos primeiros críticos que viram, o longa pode ser considerado uma das grandes obras-primas derivadas dos quadrinhos.

Coringa é perfeito ao trazer uma narrativa autossuficiente que não depende de filmes anteriores, conhecimento prévio do personagem e nem a identificação com o Batman ou com os quadrinhos. Muito bem construído e amarrado, o longa desenvolve a jornada do protagonista e nos mostra ao longo de suas duas horas, como a sociedade pode corromper e destruir o indivíduo. Chega a ser impressionante o paralelo que fazemos entre a ficção e os dias atuais. Além de entreter e emocionar os corações mais nerds, o longa faz uma dura crítica à sociedade tóxica, com pensamentos deturpados e valores invertidos em que vivemos.

Sei que muitos de vocês estão se perguntando: o Coringa do Joaquin Phoenix é melhor do que o do Heath Ledger? E do Jared Leto? Esse tipo de questionamento já é esperado, ainda mais porque estamos falando de um dos maiores e populares vilões de todos os tempos. O que tenho a dizer a vocês é, cada um entregou a sua versão do Palhaço do Crime dentro da proposta do roteiro. Heath Ledger nos presenteou com uma atuação impecável e inesquecível. Jared Leto foi mal aproveitado enquanto ator e teve uma caracterização que não é unânime entre os fãs. Joaquin Phoenix nos presenteia com a sua genialidade ao entregar um personagem profundo, cheio de camadas e com uma carga emocional muito grande. Portanto, deixem as comparações de lado e vivam essa experiência sem pensar nas anteriores.

Um dos elementos mais marcantes e icônicos do Coringa é a risada. Achei extremamente interessante o fato do roteiro amarrar macabra gargalhada com a doença da “risada patológica”. Chega a ser sufocante ver Joaquin Phoenix dando risada. Nós sentimos a garganta arranhar e vamos ficando tensos pelo fato dele não conseguir controlar a reação. Esse ponto somado ao estudo de comportamentos esquizofrênicos feito pelo ator, engrandeceram o personagem e fizeram toda a diferença na entrega final.

Se você está esperando um filme violento e sanguinário, Coringa entregará isso e muito mais. Contudo, a maior parte da violência que vemos em tela é psicológica e oriunda de uma sociedade tóxica e que quebrou os seus indivíduos. Ver o protagonista ruir ao longo do filme, é o que torna primorosa essa jornada. Joaquin Phoenix está brilhante em tela. Chega a ser impressionante vê-lo se transformar e ser afetado por tudo aquilo que está ao seu redor. Cheio de camadas, o filme transporta o espectador para dentro da cabeça do Coringa e nos faz sair tão perturbados quanto ele.

E o Batman, fez falta? Por incrível que pareça, não, não fez. Coringa é um filme tão centrado na jornada do protagonista, que o Homem-Morcego não teria espaço e nem faria sentido dentro da proposta. Contudo, gostaria imensamente de ver esse Coringa recém-criado, enfrentar o jovem Cavaleiro das Trevas. E é ai que mora a única crítica negativa que tem esse filme. Como já falamos, o longa não se conecta com o restante do universo da DC Comics e não tem nem sequer pretensão de continuar essa jornada, o que é um completo desperdício, uma vez que tanto o roteiro, quanto a atuação de Joaquin Phoenix, são brilhantes.

De incerteza para uma das maiores surpresas do ano, Coringa chega aos cinemas para elevar ainda mais o nível de popularidade de um dos, senão o maior, vilão de todos os tempos. O longa do Palhaço do Crime seguirá fazendo história e levará Joaquin Phoenix ao Oscar e posteriormente à vitória. Será a primeira vez na história do cinema que um ator ganhará a estatueta por um filme derivado dos quadrinhos e isso além de grandioso, é história. Sombrio, intenso e violento, Coringa já é considerado um dos melhores filmes de 2019 e uma obra-prima da Warner Bros.

Assista mais de uma vez nos cinemas e enalteça o trabalho de Joaquin Phoenix, que se entregou de corpo e alma para honrar o legado de Heath Ledger e principalmente para nos presentear com uma atuação irretocável. Boa sessão!