Andy e Barbara Muschietti

Andy e Barbara Muschietti vieram ao Brasil promover It: Capítulo 2

A convite da Warner BrosPictures, durante a passagem de Andy e Barbara Muschietti pelo Brasil, Fábio Hurtado, o editor-chefe do Nerd Break, teve a oportunidade de entrevistar a dupla.

Siga nossas redes sociais:

Vocês têm familiaridade com os filmes de Terror? Por que acham que é um gênero tão bem sucedido no Brasil?

Andy: Temos familiaridade sim, mas não assisto cada um dos filmes de terror que são lançados. Apenas aqueles que parecem bons (risos). É um gênero que leva à muitas expectativas por ser bem rentável. Gosto de pensar que tenho um bom faro para distinguir filmes com boas narrativas de terror daqueles que são simplesmente feitos para lucrar.

Barbara: Acredito que seja bem sucedido no Brasil pelo mesmo motivo que o tornou popular em toda America Latina. Trata-se de um gênero emocional e somos um povo muito emotivo (risos), acabamos sendo atraídos.

Nosso desejo é fazer filmes que gostaríamos de assistir. Então, como latinos, temos sorte. Teremos uma grande família latina vendo nosso trabalho em um dos nossos gêneros favoritos.

Qual foi o principal desafio na adaptação do livro para It: Capítulo Dois?

Andy: Bem, o livro é gigantesco. Não foi muito diferente da primeira parte. Você deve se ater às partes mais importantes e emocionais e condensá-las em um filme que tenha menos de quatro horas (risos). Na realidade, meu primeiro corte tinha quatro horas.

Foi bem desafiador. No livro a história se passa no decorrer de mais dias, mas, para chegar em um filme de um pouco mais de duas horas e meia, tivemos que entrelaçar eventos e torná-los uma cadeia de consequências onde um leva a outro. É desafiador, mas divertido. Não há cenas que não sejam importantes. Uma coisa leva a outra e outra e outra. Até os flashbacks são importantes demais para a trama. Para recuperar isto ou chegar aquilo o personagem deve recorrer ao passado.

Barbara: Acredito que o maior desafio foi a falta de tempo. A data do lançamento do Capítulo Dois nos foi dada no lançamento do Capítulo Um. Isso somava dois anos, o que não é muito para um filme dessa magnitude. Andy trabalhou no script literalmente até o último instante antes do início das filmagens. Mas, correu tudo bem. Você fez um bom trabalho (risos).

Qual foi o pensamento quanto à adaptação anterior de IT? A ideia era ater-se exclusivamente ao livro?

Andy: Nunca foi minha intenção ter a minissérie de 1990 como inspiração, apesar de amá-la. O que você vê na tela é a minha interpretação emocional de quando li o livro pela primeira vez aos 14 anos, somado à visão de quando o reli 30 anos depois. É engraçado como há um paralelo entre a minha idade e a dos personagens, esse intervalo aproximado de 30 anos.

Quando a minissérie saiu, eu já era velho. Tinha uns 16 ou 17 anos. Onde eu morava demorou um ano pra sair e diretamente em VHS. Então não teve o mesmo impacto em mim do que em gerações mais novas, que agora estão nos seus 30 anos. Muitos ficaram tão assustados que nem conseguiram terminar de assistir, mas isso não aconteceu comigo. Tive uma experiência mais intensa com o livro, vi a minissérie só pensei: “Ah, é isso. Ok”

Então não se trata de um remake, mas sim de uma adaptação diretamente do livro.

Podemos falar sobre convidar Stephen King para participar de It: Capítulo Dois? Ele fez algum pedido específico?

Barbara: Ele pediu flores silvestres em cada canto que ele passasse (risos). Não, ele não pediu absolutamente nada.

Andy: Eu queria que ele ficasse mais ciente do que estávamos fazendo. No primeiro filme eu tinha receio de entrar em contato com ele. Como se tratava da minha visão particular do filme, fiquei com medo do que a presença dele poderia causar. Mas ele não interferiu em nada.

Eventualmente ele acabou assistindo ao filme e amou. Desenvolvemos um bom relacionamento e, quando começamos a filmar o Capítulo Dois, eu queria seu envolvimento e feedback. Mas a realidade é que Stephen é um autor que abraça a ideia de adaptações, mesmo que modifiquem a narrativa. Claro que ele quer que elas sejam boas, o que nem sempre acontece, mas ele não tenta interferir na ideia do diretor. Seu pensamento não é mais como na época da adaptação de ‘O Iluminado’. Quando o filme de Kubrick foi lançado, ele ficou devastado e sentiu que seu trabalho foi destruído. Ao longo dos anos, Stephen aceitou a ideia de que adaptações são criaturas diferentes.

Barbara: Acredito que vem do nascimento de uma consciência. “Eu sou um escritor. Eu gosto de escrever. Ficar checando o que os outros fazem me afasta do que eu realmente quero fazer. Desse modo eu posso continuar com o meu trabalho e deixar a adaptação para outras pessoas”.

Andy: Sim. Cheguei a perguntar o que ele queria ver no filme, se tinha ideias. Ele chegou a fazer uma lista. Foi bem fofo, porque não eram grandes ideias (risos). A maioria já estaria no filme de qualquer modo, tipo “quero ver a estátua de Paul Bunyan”. O que não está lá, foi por falta de orçamento. Em certo ponto, você tem que decidir quanto dinheiro você está disposto a gastar em certas cenas e o peso delas para a narrativa como um todo. Como a visão total de Derry no final do livro. É uma cena espetacular, mas em um filme ela levaria metade de todo o orçamento.

Quanto aos atores, Jessica Chastain sempre foi a primeira opção para a Beverly adulta? Quais outros atores foram cogitados para os papéis?

Barbara: Nós amamos Jéssica. E quando você pensa em ruiva, imediatamente é ela quem vem a mente. Sabe, inconscientemente, acredito que escalamos Sophia Lillis pensando “é uma mini Jéssica, perfeito!”. Jéssica sempre foi a Beverly. Era apenas uma questão de fazer funcionar com a produção, já que ela é tão ocupada.

Andy: Sim, Jessica foi a primeira a entrar para o elenco. E foi a primeira para quem mostramos o filme, pois ela é uma amiga nossa.

McAvoy eu realmente queria no filme, assim como o Bill Hader. E James Ransone, provavelmente o nome menos conhecido, mas eu já o tinha em mente. Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, ele tem esse tipo de energia e fala rápida que poucas pessoas tem, como o Jack Dylan Grazer, que interpreta o Eddie jovem. Sem contar que eles são parecidos, então foi uma escolha bem certeira. Exatamente como Hader é o Richie perfeito. Um cara extremamente engraçado, além de um excelente ator dramático.

Escalar atores pode ser difícil. Você imagina um certo profissional no seu filme e ele simplesmente não quer fazer parte, não gosta do filme. Por outro lado, existirão atores que desejam o papel, mas você não os imagina lá. Então, em Los Angeles, é sempre um trabalho de equilíbrio entre essas duas situações. Eu quero esse ator de destaque, ele quer o outro filme mais rentável. É uma dança terrível. Mas nesse caso isso não ocorreu, aqueles que escolhemos aceitaram os papéis.

O filme tem várias cenas de terror, mas se aprofunda nas emoções dos personagens. Como foi trabalhar nessa imersão com cada um dos atores?

Andy: Para mim, a parte emotiva detinha o grande valor da história. Houve muitas conversas. Com cada um individualmente, durante os ensaios em grupo e no dia da filmagem. No fim, o trabalho é deles. Eu faço tudo o que está ao meu alcance para que cheguem ao ponto emocional, mas o holofote é todo deles.

Barbara: São todos bem generosos uns com os outros. Visivelmente, era importante que eles estivessem conectados de verdade. Tentavam levantar uns aos outros e estavam presentes até quando não eram suas cenas.

Andy: Mas era um suporte diferente das crianças, que se conectaram instantaneamente. Mas essa é uma das similaridades com a própria história. As coisas que perdemos ao deixarmos a infância. Espontaneidade, criatividade e esse frescor da juventude, tudo se perde. Isso tudo explica a diferença das conexões da vida adulta, que necessitam de um pouco mais de esforço.

Andy e Barbara Muschietti

Qual a dificuldade de dirigir um filme com a essência de uma narrativa clássica dos anos 90 quando os filmes de terror passam por uma nova fase?

Andy: Não fiquei atado à década como uma referência. Para mim, foi mais uma coisa lida na infância que foi transmitida para a tela. Basicamente esse foi o grande desafio. Projetar aquilo que eu senti. Não creio que It faça parte desse novo cenário dos filmes de terror, trata-se mais da fusão do humor, terror e drama, tudo em uma única embalagem. Se pensar por esse lado, é uma narrativa bem mais parecida com os filmes dos anos 80. Foi a década em que cresci, então ainda carrego referências. ‘Uma Noite Alucinante’, ‘A Hora do Espanto’, ‘Um Lobisomem Americano em Londres’. Todos filmes de terror, mas entrelaçados com humor.

Qual o indicativo de que um filme de terror é bom?

Andy: Sabemos que uma piada funciona quando ouvimos as pessoas rirem. O terror não se resume só aos gritos. Como vemos nosso filme várias e várias vezes, podemos prestar atenção diretamente na audiência. Quando vemos pessoas tampando os olhos e perdendo as cenas, sabemos que funciona.

Barbara: É engraçado. Assistindo ao filme com um público, muitas vezes vemos cenas arrancarem reações e não foram feitas para causar medo. Simplesmente porque o público, naquele momento específico, estava com o humor e a adrenalina necessários para transformar a cena.

Andy: Isso aconteceu no Capítulo Um, na cena em que as crianças estão nadando no lago. O corte da câmera do fundo do lago para Beverly tomando sol causou uma tensão totalmente acidental.

Andy e Barbara Muschietti

Vocês gostaram da entrevista com Andy e Barbara Muschietti? Compartilhem nas redes sociais.

It: Capítulo 2 estreia no dia 05 de setembro.

Leia também:

Assista também: