Projeta às 7, Eu Sou Brasileiro

No dia 15 de agosto chega aos cinemas Eu Sou Brasileiro, longa que faz parte do Projeta às 7. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Resumidamente pra quem não conhece, o Projeta às 7 é um projeto encabeçado pela Rede Cinemark e a distribuidora Elo Company, que visa levar aos cinemas filmes nacionais com preço acessível, incentivando o público a valorizar e consumir obras brasileiras. Particularmente acho a ideia do projeto sensacional. O brasileiro realmente tem que aprender a valorizar e consumir o produto nacional. Contudo, não basta o incentivo, precisamos de qualidade para que os longas nacionais ganhem credibilidade, e é ai que iniciamos a nossa conversa.

Eu Sou Brasileiro mexe com uma paixão nacional, o futebol. Quantos e quantos meninos sonham em se tornar um jogador famoso, que vai morar na Europa e jogar ao lado dos maiores nomes da atualidade. Achei o tema e a premissa do filme interessante e com um apelo muito bom para o público. Porém, não basta argumento, é preciso desenvolvimento e execução para que a obra seja de qualidade.

Os principais problemas do filme se encontram no roteiro raso, mal desenvolvido, muitas vezes com acontecimentos ou cenas gratuitas e que não têm consequências. Não entrarei no detalhe para não dar spoiler, mas só ilustro o argumento acima dando exemplo do personagem vivido pelo ator Miguel Rômulo, que não teve o menor desenvolvimento, trouxe uma reviravolta para a trama, mas que não foi nem sequer sentida pelo protagonista, que seguiu a história como se nada tivesse acontecido.

Outro ponto fraco do filme é a direção do estreante Alessandro Barros. Inexperiente, ele não soube conduzir e extrair o melhor do elenco que tinha em mãos. As emoções e reações dos personagens foram muito forçadas, caricatas e sem a menor naturalidade. Quem conhece o trabalho de Fernanda Vasconcellos se espanta ao ver a atriz sendo mal aproveitada em tela. Talentosa e cheia de sentimento e verdade, a atriz sequer teve espaço no roteiro para dar o seu melhor, e quando estava em cena, entregou emoções exageradas e que não fazem jus ao seu talento.

Protagonizado por Daniel Rocha, Eu Sou Brasileiro é um filme interessante por fugir das exaustivas comédias nacionais, mas que tem problemas desde o desenvolvimento de seu roteiro até a própria direção em si. Como protagonista, Daniel Rocha conseguiu cumprir com a proposta, mas sem conseguir convencer de fato que está pronto para assumir o protagonismo de uma grande história.

Entendo que o filme tenha baixo orçamento, que fazer cinema no Brasil é uma coisa muito difícil, mas concordo que não é entregando algo de baixa qualidade que vai conquistar o público brasileiro. Os novos diretores como Alessandro Barros, precisam pegar carona em produções dirigidas por nomes consagrados no mercado, para aprender e absorver a experiência dos dinossauros desse mercado, e a partir daí se aventurar em voos solos.

Parafraseando o título do filme, Eu Sou Brasileiro é uma tentativa que merece ser respeitada. Como bons brasileiros, não devemos desistir nunca e seguir trabalhando para que um dia o nosso povo realmente valorize as nossas produções de cinema.