1ª temporada de The Boys

Está disponível no catálogo da Amazon Prime Video a 1ª temporada de The Boys, série baseada no quadrinho de Garth Ennis. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Siga nossas redes sociais:

Mas afinal, a 1ª temporada de The Boys é boa?

Com Preacher chegando à sua 4ª e última temporada, mais uma obra absurda de Garth Ennis ganha sua adaptação para a TV. Com a volta de Seth Rogan e Evan Goldberg, que se unem a Eric Kripke (criador de Supernatural), a 1ª temporada de The Boys chega à Amazon Prime Video com o mesmo objetivo de Preacher: ser divertidamente ofensivo.

Super-heróis são ótimos investimentos e a 1ª temporada de The Boys nos mostra o que aconteceria se eles fossem reais. Patrocinados por grandes corporações, eles dominam a cultura e o comércio, sendo idolatrados pela população mundial. O grupo mais proeminente é chamado de Os Sete e, controlados pela empresa Vought, espalham o ideal americano pelo mundo. Com um marketing que faz a Marvel parecer amadora, esses supers são vistos em talkshows, em cada propaganda de alimento e até mesmo nas igrejas. Visando um lucrativo contrato com o governo, o maior trabalho da Vought está em esconder os erros e vícios dos supers. Drogas, assassinatos e estupros são alguns dos efeitos colaterais gerados pelos grandes egos de cada um deles. E é exatamente aí que entra nosso protagonista.

Hughie Campbell (Jack Quaid) é um cara normal com uma vida mediana. Tudo muda quando seu mundo é abalado pelo erro de um super-herói, A-Train (Jessie T. Usher). Ao perceber como esse grupo está acostumado com a impunidade, Hughie se unirá ao obscuro Billy Butcher (Karl Urban) para se vingar dos supers. Porém, o que apenas parecia um plano fadado ao fracasso, traz à luz uma conspiração corporativa para domínio em escala mundial. Junto com Mother’s Milk (Laz Alonso) e Frenchie (Tomer Capon), está formado o grupo The Boys, que tentará desmascarar os super-heróis.

Do outro lado temos os endeusados heróis. Homelander (Antony Starr) é o líder dos Sete, tem poderes similares aos do Super-Homem e não possui qualquer empatia pelos humanos. A-Train é o homem mais rápido do mundo, além de viciado. Queen Maeve (Dominique McElligott) é a Amazona que começa a ser consumida pelo peso em sua consciência. Black Noir (Nathan Mitchell) é o mascarado e silencioso especialista em artes marciais. Translúcido (Alex Hassell) é o homem invisível com uma pele mais resistente do que diamante. The Deep (Chace Crawford) é o rei dos mares capaz de se comunicar com os seres marinhos. E a ingênua Star Light (Erin Moriarty), novata sofrendo para se adaptar às mentiras sobre o que realmente significa ser uma super-heroína.

Com oito episódios, não existe enrolação na 1ª temporada de The Boys e tudo funciona muito bem. Todos trarão eventos importantes que mostrarão os perigos em deixar a segurança da sociedade nas mãos de pessoas tão egocêntricas e falhas, tudo coroado com uma ótima trilha sonora. Cada personagem ganha seu devido destaque (com exceção de Black Noir) e são encarnados por atores confortáveis em seus papéis, não permitindo que ninguém se sobressaia demais em meio ao geral bom trabalho. Talvez seja possível colocar Urban como o grande destaque, mas muito se deve ao personagem em si. O ódio pungente de Butcher pelos supers, a coragem que beira a insanidade e o incrível sotaque colaboram para que seja o personagem mais interessante.

Embora seja o mesmo universo e personagens dos quadrinhos, a história da 1ª temporada de The Boys é diferente. O ponto de partida e a chegada são os mesmos, mas o caminho será uma incógnita até para os que já leram a obra (incluindo o plot twist do final). E isso não é ruim. Contar algo totalmente novo, e muito bem contado, é melhor do que uma simples reprodução meia boca. Um exemplo é o trabalho de tentar humanizar The Deep. O espectador até pode ser contrário à essa tentativa, mas ela funciona tão bem que quase é possível sentir pena do cretino.

Uma grande diferença tem deixado alguns fãs insatisfeitos por não fazer jus ao trabalho de Ennis como um todo: a violência. Mas, como alguém que acompanha seu trabalho e viu todo o desenvolvimento de Preacher, fica óbvio que a Amazon está testando sua audiência. Se o que for visto ali não impedir que a 1ª temporada de The Boys chegue ao grande público, pode apostar que o visual absurdo dos quadrinhos será cada vez mais explorado. Claro que isso não quer dizer que não há violência. Ela existe, e em grande escala. Então, se você nunca se deparou com um trabalho do autor, talvez ache sem fundamento o clamor por mais cenas gráficas.

Mas não é apenas o visual agressivo que tornou a 1ª temporada de The Boys o improvável sucesso da temporada. Com o domínio absoluto dos super-heróis na cultura pop atual, essa paródia cínica parece muito mais com o nosso mundo. Se olharmos atentamente a sociedade atual, o que é mais provável: o altruísta Capitão América ou o sociopata Homelander? Fama, dinheiro e sexo são os motores da grande maioria. É por isso que The Boys é o Watchmen da atualidade.

As filmagens da 2ª temporada já começaram. Fica a incógnita se a Amazon terá a coragem de explorar o slogan de Preacher: “Se você se ofende fácil, não assista”.