Rainhas do Crime

Amanhã, 08 de agosto, chega aos cinemas Rainhas do Crime, drama mafioso estrelado por Melissa McCarthy, Elisabeth Moss e Tiffany Haddish. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Na Nova York da década de 70, o bairro de Hell’s Kitchen é controlado pela máfia das famílias irlandesas. Depois de uma emboscada, os três chefões acabam presos pelo FBI e sentenciados a dois anos de reclusão. Com os negócios de pernas para o ar e correndo riscos, são as esposas que tomam a dianteira. Donas de casa sem instrução, essas três mulheres completamente diferentes se unem pelo comprometimento de manter suas famílias.

Não habitual para filmes de máfia, Rainhas do Crime dá espaço para as mulheres brilharem nesse mundo, no qual costumavam ser apenas a voz passiva dos negócios na melhor das hipóteses. Sendo assim, além das dificuldades de criar uma reputação, vemos cada uma das protagonistas sofrerem com os dramas impostos ao gênero feminino.

Kathy (Melissa McCarthy) é a orgulhosa e comprometida mãe, aparentemente buscando apenas o sustento dos filhos. Ruby (Tiffany Haddish) está cansada dos maus tratos da sogra por conta da cor da sua pele, assim como os olhares de reprovação por toda Hell’s Kitchen. E Claire (Elisabeth Moss) é a retraída dona de casa que viveu anos de abusos físicos, chegando até mesmo a sofrer um aborto. São estas mulheres que transformarão e serão transformadas pelo submundo de Nova York.

Fica evidente que o intuito da diretora e roteirista Andrea Berloff era mostrar como as mulheres são capazes de ocupar esse mundo tão bem, se não melhor, do que os homens. O trocadilho está justamente no título original do filme, The Kitchen (“a cozinha”). Afinal, esse é o único lugar de direito das mulheres na sociedade.

Com uma fotografia setentista sem exageros e trilha sonora com o melhor do rock dos anos 70, é realmente uma pena que a execução de Rainhas do Crime não tenha sido tão meticulosa. Contar a prisão dos maridos, definir a personalidade de cada mulher e mostrar os problemas que derivam da tomada de poder, tomam muito tempo. O resultado é que tudo parece ser solucionado muito facilmente. De maneira brutal e sangrenta, mas muito facilmente.

Como resultado, McCarthy e Haddish fazem o costumeiro bom trabalho que são capazes, mas nunca chegam a se destacar graças à falta de profundidade narrativa. Moss, por outro lado, foi a protagonista sortuda. Antes espancada pelo marido, Claire sofrerá a maior catarse da narrativa, se tornando uma fria e meticulosa assassina. São dela as cenas mais violentas, assim como os escassos alívios cômicos. Mas não para por aí. Também é dona dos momentos românticos. Sua ótima química com Domhnall Gleeson torna a atração entre a dona de casa e o psicopata irlandês algo palpável desde a primeira aparição.

Para um filme que quer tanto mostrar a independência das mulheres, Rainhas do Crime acaba por definir a importância do sexo masculino nesse mundo. Todas as personagens são dependentes de homens, seja emocionalmente ou para atingir seus objetivos. Ao fim, é visível que elas só chegam onde chegam por conta deles. Você pode até discordar, mas basta prestar a devida atenção no agente Silvers (Common), nos mafiosos italianos e no psicopata Gabriel (Gleeson).

De maneira resumida podemos dizer que Rainhas do Crime tem uma boa história, mas a narrativa rasa e os poucos destaques não são o suficiente para torná-lo memorável. Em meio à atual enxurrada de filmes protagonizados por mulheres, faltou esmero para entregar uma história de poder sem atropelar todos os fatos e personagens pelo caminho.