Espírito Jovem

No dia 20 de junho, chega aos cinemas Espírito Jovem, o novo filme protagonizado pela atriz Elle Fanning. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Espírito Jovem trilha sonora

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Mas afinal, o filme é bom?

Elle Fanning faz o papel de Violet, uma jovem que sonha em sair da pequena cidade onde vive para seguir sua paixão pela música. Na trama, com a ajuda de um mentor inusitado, Violet entra para uma competição de música que além do seu talento, vai testar sua integridade e ambição.

Com um clima de The Voice, Espírito Jovem traz para as telas o sonho que muitos jovens tem de virar cantores famosos e reconhecidos mundialmente. É interessante como a trama pega uma jovem tímida, retraída e com uma vida sofrida, e coloca no centro de uma jornada repleta de glamour, jogo de interesses e falsidade.

A atriz Elle Fanning conseguiu transitar entre essas duas vertentes de uma forma interessante. Ao mesmo tempo em que ela nos entrega uma menina do interior e que rala muito para sobreviver, ela vai crescendo nos palcos e mostrando a estrela que tem dentro de si. Me surpreendi positivamente com as performances e com a voz de Elle. Confesso que não sabia de mais esse talento da jovem atriz, e saí do cinema bem satisfeito com o que ela apresentou em tela.

A trama de Espírito Jovem é regada de dramas pessoais e marcas do passado. O roteiro não economiza ao trazer para as telas personagens com cargas dramáticas grandes e cheios de pesares e sofrimentos. A música reflete muito bem esses sentimentos e serve como um grito de libertação para praticamente todos os personagens. Vale destacar que o filme tem vários cortes em sua edição, na tentativa de acelerar a trama e nos levar direto aos palcos e ao drama musical que o roteiro deseja focar.

Contudo, senti um pouco de falta de profundidade nas histórias pessoais de cada um. Achei todos os dramas muito pincelados e pouco explorados por parte do roteiro. O que fica mais evidenciado e destacado em tela, são as dificuldades financeiras e amarguras da protagonista e sua mãe. Entretanto, os porquês poderiam ser melhor desenvolvidos e trabalhados. Isso também vale para o personagem de Zlatko Burić, que apresenta um passado sofrido, mas não desenvolvido.

A parte musical do filme tem pontos positivos e negativos. Como já lhes disse, Elle Fanning surpreende e nos encanta com sua voz e uma performance que mistura inexperiência e libertação. Contudo, alguns atores coadjuvantes não convencem nem um pouco no que diz respeito à musicalidade, e prejudicam a experiência do show que o longa tenta passar. A ideia é muito boa, mas faltou um “que” de Glee para tornar as apresentações em conjunto um verdadeiro espetáculo.

Tendo a maioria das músicas interpretadas por Elle Fanning, a trilha sonora é um dos grandes destaques de Espírito Jovem. O longa consegue nos passar um pouco dos bastidores de um programa de talentos e explora, em paralelo, as mudanças e desafios que a indústria da música apresenta aos jovens.

Em resumo, a ideia é boa, a protagonista funciona, as músicas são boas, mas alguns desenvolvimentos e acabamentos deixam a desejar. Espírito Jovem ganha com Elle Fanning, mas perde com a falta de uma direção e produção um pouco mais voltada para o show business. Contudo, vale a pena conferir o filme e prestigiar o trabalho da talentosa e promissora jovem atriz.