3% 3ª temporada

No dia 07 de junho, estreia a 3ª temporada de 3%, uma série brasileira original da Netflix. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Siga nossas redes sociais:

Mas afinal, a 3ª temporada de 3% é boa?

3% é uma das melhores séries brasileiras originais da Netflix. Dá gosto de ver como a produção evoluiu ao longo dos anos e vem nos entregando uma história cada vez mais consistente, interessante e envolvente. O terceiro ano conseguiu mesclar os novos desafios e problemáticas, com os já enfrentados na série. A trama evoluiu com a introdução da Concha, mas ao mesmo tempo nos remeteu ao início da série quando fomos apresentados ao Maralto, ao processo e ao Ezequiel.

As problemáticas que o roteiro da 3ª temporada de 3% levantou são envolventes e reflexivas. Depois de duas temporadas lutando contra o Maralto, Michelle (Bianca Comparato) assumiu a liderança e se tornou a fonte de esperança dos habitantes do continente. A personagem cria um lugar que traz uma alternativa ao processo, e se depara com desafios e problemas que ela tanto lutou e combateu. Mais madura e experiente, ela se torna o pilar central da série e é o grande destaque do novo ano.

A Concha é um lugar interessante e curioso. Ao mesmo tempo que nos encantamos com o novo e temos a falsa sensação de que os problemas acabaram, percebemos que o desespero, a miséria e a pobreza transformaram as pessoas em bichos raivosos e violentos, que lutam com unhas e dentes para sobreviver. Um mínimo deslize é o suficiente para extrair o pior de cada um ali, e é nesse momento que percebemos que as pessoas podem ter encontrado um novo caminho, mas o sistema está entranhado em suas vidas e comportamentos. Não basta mudar de lugar, é preciso mudar o mindset e a postura com que se enxerga o mundo.

Bianca Comparato dá um show como protagonista. Ela é a dona da 3ª temporada de 3% e vive situações muito interessantes. É gostoso ver Michelle enfrentando as dificuldades, tomando decisões difíceis e nos remetendo ao começo da série. Joana (Vaneza Oliveira) brinca chamando Michelle de Ezequiele, e nós como público, percebemos e sentimos os ensinamentos do personagem que foi vivido por João Miguel nas primeiras temporadas. Seu espírito habita em Michelle, e é super interessante vê-la lidando com as pessoas, a Concha e o Maralto que é uma constante pedra no seu sapato. Mais uma vez, Bianca Comparato nos encanta com o seu talento e traz uma atuação cheia de verdade e sentimento.

Sem dar spoiler, vale brevemente destacar que Michel Gomes fez muita falta na série. Fernando está presente em todos os momentos, diálogos e situações, mas particularmente, não gostei do caminho que o roteiro deu para o personagem. Ao lado de Michelle, ele é um dos grandes pilares que sustenta o novo mundo e poderia ter sido melhor desenvolvido e aproveitado.

Uma grata surpresa foi a evolução de Marco na série. O ápice da primeira temporada é protagonizado pelo ator Rafael Lozano que entrega um personagem violento, implacável e determinado a atingir o seu objetivo a qualquer custo. Ficamos sem fôlego no quarto episódio da primeira temporada, e até então, achávamos que a jornada de Marco havia terminado. O segundo ano surpreendeu ao trazer o personagem de volta e explorar a sua decadência. Agora na 3ª temporada de 3%, vemos mais uma transformação. Marco é humanizado e mais uma vez vemos Rafael Lozano fazer uma bela entrega e ter uma excelente atuação.

Rodolfo Valente Vaneza Oliveira evoluíram muito ao longo das temporadas. Os atores estão com uma atuação mais madura e nos entregam momentos interessantes. Rodolfo apresenta uma versão melancólica, deprimida e sem rumo de Rafael. O personagem inicia o terceiro ano desolado, mas quando os problemas começam a surgir, nos reencontramos com o homem que lutou pelos seus objetivos e ideais nas temporadas anteriores. Vaneza nos entrega uma Joana que mantém a essência enraizada na revolução. Debochada, agressiva e desconfiada, é super interessante ver a personagem descobrindo o novo mundo e principalmente, uma nova forma de combater o sistema.

Laila Garin aparece pouco na 3ª temporada de 3% se comparado ao ano anterior. Contudo, a atriz mais uma vez nos entrega uma Marcela imponente, determinada e manipuladora. Gosto muito da atuação de Laila, ela consegue fazer uma cara de má sensacional. Vale destacar que sua cena cantando ao lado de Ney Matogrosso foi emocionante e muito bonita.

3ª temporada de 3% eleva o nível da série e evolui a produção em todos os aspectos, se consolidando de vez como uma das melhores produções nacionais da Netflix. A trama é envolvente e te prende do começo ao fim. Prepare-se para ficar tenso, intrigado e nervoso com o desenrolar dessa história. Vale super a pena maratonar!