No dia 06 de junho, chega aos cinemas X-Men: Fênix Negra, o último filme dos mutantes feito pela Fox Film. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

X Men Day, estreia Fênix Negra

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Mas afinal, o filme é bom?

Os X-Men abriram as portas para todo o universo de super-heróis no cinema atual. Em 2000, os mutantes revolucionaram Hollywood e mostraram ao mundo que os quadrinhos são uma mina de ouro para os estúdios, e desde então, Disney, Sony e Netflix vêm investindo pesado suas fichas nesse universo geek. Não tiro esse mérito da franquia, contudo, os gestores, ou a falta deles, fizeram esse universo se perder completamente ao longo dos anos e transformaram a franquia numa salada cheia de problemas.

Estamos carecas de saber que tudo em Hollywood, com exceção dos filmes voltados para Oscar, gira em torno do retorno da bilheteria. Esse termômetro atrapalha o desenvolvimento de um projeto e acaba prejudicando as tão temidas continuações. Ao longo dos anos, os X-Men trocaram de diretor, roteirista, elenco, tiveram os fracassados spin-offs do Wolverine, com exceção de Logan, e fizeram uma verdadeira confusão na cabeça do público.

Depois de 19 anos fazendo filmes, a 20th Century Fox (comprada pela Disney), se despede dos mutantes em X-Men: Fênix Negra. E infelizmente amigos, o estúdio encerra essa jornada com um longa rico em efeitos especiais, um elenco de qualidade mal aproveitado pela direção e uma história que não brilha e tampouco emociona os espectadores. O fato do arco da Fênix Negra já ter sido explorado no cinema e do público estar cansado da salada cronológica que o estúdio fez com a franquia, prejudica as expectativas e o hype desse filme. Uma parte das pessoas vai pensar: de novo a Jean vai virar a Fênix? Enquanto a outra vai questionar: será que vai ser diferente de O Confronto Final?

Uma vez que você topou ver a nova versão da Fênix Negra, prepare-se para encontrar Sophie Turner brilhando e se destacando no filme. Se comparada ao restante do elenco, a atriz é que tem a melhor entrega. Sophie assume a postura poderosa e imponente da fênix e usa e abusa dos carões. A atriz protagoniza a maior parte das cenas de ação e é responsável por causar muita destruição. Para aqueles que gostam de comparativos, prefiro essa versão do que a interpretada por Famke Janssen no filme de 2006.

O trio clássico dessa nova fase dos X-Men, James McAvoyJennifer Lawrence Michael Fassbender, pouco fazem nesse filme. Senti que o talento dos três foi subaproveitado e seus personagens não brilharam como estamos acostumados a ver. O grande culpado para essa apatia e falta de emoção, é o roteiro sem sal escrito por Simon Kinberg. Ele já havia nos decepcionado em X-Men: Apocalipse e agora volta a entregar uma história que podia ser épica e grandiosa, de uma forma linear, apática e que pouco explora os talentos individuais dos atores e seus respectivos personagens. Sabe aquela velha história de: ganhou a partida mas jogou feio? É essa a sensação ao sairmos da sessão de Fênix Negra. Não existe sentimento de revolta, mas também não saímos satisfeitos com o que vimos.

Ainda sobre o trio original de X-Men: Primeira Classe, em alguns momentos vemos as emoções de James McAvoy aflorarem em seu olhar e voz embargada. Esse é ator é um dos melhores da sua geração e um futuro vencedor ao Oscar, portanto, sempre que o vemos em tela, esperamos algo maravilhoso. Jennifer Lawrence fez o famoso arroz com feijão, ela não brilhou, mas também não comprometeu. Já Michael Fassbender, deixou muito a desejar em sua entrega. Não atribuo a culpa ao ator e sim à direção e ao roteiro que não exploraram a profundidade das emoções e sentimentos que Magneto tem a nos entregar.

Mais uma vez nos decepcionamos com o Ciclope nos cinemas, e ai mora um grande desafio para a Marvel nessa nova fase. Quando veremos um Scott Summers líder, imponente e poderoso? Até agora só nos deparamos com versões melodramáticas que só sabem ficar gritando: Jean! Assim como McAvoyNicholas Hoult entregou uma amostra de seu talento num momento mais dramático do filme, mas depois embarcou na atuação automática de um Fera que só sabe pular e rugir. Agora a grande frustração do elenco secundário, foi o mal aproveitamento de Evan Peters como Mercúrio. O personagem que é um dos grandes trunfos dessa nova fase, foi pessimamente aproveitado e utilizado em X-Men: Fênix Negra.

Um dos principais pontos que colaboram para a apatia do filme, é a ausência de um antagonista decente. Jessica Chastain entra no pacote de bons atores mal dirigidos e entrega uma vilã a cara do filme. Sem sal, sem carisma e sem graça nenhuma. A personagem até tenta fazer a linha manipuladora e ardilosa, mas não convence e não entrega uma ameaça a altura da Fênix. Uma pena!

De modo geral, X-Men: Fênix Negra é um filme com efeitos interessantes, uma história fraca e um elenco talentoso e mal utilizado. A 20th Century Fox se despede de uma franquia que cuidou por quase vinte anos e entrega o produto de volta para o lugar de onde ele nunca deveria ter saído. Agora é só esperarmos o bom planejamento da Marvel organizar os seus projetos futuros, para nos reencontrarmos com os mutantes em histórias de qualidade e que fazem jus a sua grandiosidade nos quadrinhos.

Vale destacar que o filme não tem cena pós-créditos e que o Stan Lee só foi lembrado numa singela homenagem durante os créditos finais.