Suspíria: A Dança do Medo

No dia 11 de abril chega aos cinemas brasileiros Suspíria: A Dança do Medo, remake do clássico filme de terror italiano dos anos 70. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Desde o seu lançamento internacional, em outubro do ano passado, Suspíria: A Dança do Medo tem polarizado a audiência, aqui é amor ou ódio. Para os que viram e amaram o clássico de 1977, é difícil entender o porquê de um remake. Porém, repensá-lo radicalmente foi o acerto (ou erro) de Luca Guadagnino. Tal fato demonstra seu total respeito pelo original, que não deve ser retocado em prol dos padrões atuais.

A essência continua a mesma, a academia de dança exclusivamente para mulheres e comandada por bruxas está lá. Mas Guadagnino absorveu o original e entregou uma obra com todas as suas marcas, principalmente a escassez de diálogos. Não que isso seja uma coisa ruim. Como em Me Chame Pelo Seu Nome e A Bigger Splash, a linguagem corporal fala mais alto. E não é assim na vida real?

No lado ocidental de Berlim, em 1977, Suspíria: A Dança do Medo acompanha a dançarina americana Susie Bannion (Dakota Johnson) em sua audição para a Companhia de Dança Markos. Atraindo a atenção da coreógrafa Madame Blanc (Tilda Swinton), Susie rapidamente evolui e ganha o papel principal para a próxima apresentação. Mas o sumiço da dançarina Patricia (Chlöe Grace Moretz) e a apreensão das outras garotas, mostra que há algo errado na companhia.

Ao mesmo tempo, seguimos o Dr. Jozef Klemperer (Tilda Swinton, de novo), psiquiatra assombrado pelo desaparecimento de sua esposa Anke Meier (Jessica Harper, a Susie Bannion do original) durante o Holocausto. Tentando descobrir o paradeiro de sua paciente Patricia, o doutor tenta alertar as autoridades e as outras garotas sobre o perigo do instituto: comandado por bruxas, elas buscam uma jovem e talentosa dançarina para rejuvenescer sua fundadora, Helena Markos (Adivinha? Tilda Swinton).

Com composições originais de Tom Yorke e cenas gore, Suspíria: A Dança do Medo poderia ser um clássico se não se levasse tão a sério. Enquanto o original era uma explosão de cores e possuía certa leveza, a releitura é totalmente sombria. Assim como sua protagonista, parece querer ficar plantado no chão e não se desafiar. Mas essa crítica não é inteiramente negativa. Ainda que não aprofunde todos os dramas que apresenta, o filme merece sim ser visto. A bela filmagem de Guadagnino e as ótimas atuações de Johnson e Swinton já valem seu tempo.

A verdade é que, para assistir o remake, você deve quebrar uma das principais regras dos cinéfilos e não assistir o original antes. Eu garanto, será muito melhor se não comparar com a obra prima de Dario Argento.