Vox Lux - O Preço da Fama

Em 28 de março chega aos cinemas brasileiros Vox Lux – O Preço da Fama, filme estralado por Natalie Portman e Jude Law. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Ao assistir A Infância de Um Líder, era difícil saber qual era a intenção de Brady Corbet em sua estréia como diretor. Pelo menos até que Donald Trump fosse eleito presidente dos EUA. Em Vox Lux – O Preço da Fama, o aprendiz de Lars von Trier repete o caminho mais longo para atingir seu alvo, dando abertura para uma discussão apenas ao fim dos créditos, que dizem: “Um retrato do século 21”. O aviso seria bem vindo ao início do filme, mas qual seria a graça nisso?

Parte crítica social e parte sátira, Vox Lux – O Preço da Fama conta a trajetória de uma improvável estrela do pop e a amarga realidade de uma vida sob os holofotes. A adolescente Celeste (Raffey Cassidy) sobreviveu a um terrível tiroteio em seu colégio no ano de 1999 (o mesmo do Massacre de Columbine). Após escrever uma música para as vítimas com a ajuda de sua irmã Eleanor (Stacy Martin), Celeste chama a atenção de um produtor (Jude Law) e é lançada no mundo do show business aos 14 anos.

Inseparáveis, as irmãs se mantém lado a lado para facilitar a escalada para a fama, mas Eleanor passa a mostrar os caminhos das bebidas e garotos. Enquanto isso, os ausentes pais são substituídos pela figura do produtor. Ríspido e boca suja, é inegável que os interesses de Celeste são seu verdadeiro foco. Entre sua primeira ida para a Europa e a gravação de um video clipe, Celeste conhece um roqueiro de reputação duvidosa que trará grandes consequências para a segunda parte do filme. Esta começa com a grande cisão de sua vida, quando Eleanor para de ser seu alicerce após uma traição. A data todos se lembram, dois aviões tinham acabado de atingir as Torres Gêmeas em Nova York.

Dezesseis anos depois, a garota sobrevivente do massacre já não existe mais e parece não querer relembrar que este foi o gatilho para sua fama. Mudando o tom drasticamente, Celeste (enfim Natalie Portman) agora é uma grande pop star, ainda que drogada e à beira de um colapso nervoso. Seu produtor continua ao seu lado, mas a relação de pai e filha parece ter sido deixada de lado a muito tempo. Com uma filha adolescente que mal a conhece e distante da irmã mais velha, Celeste é o retrato da decadência daqueles que se consideram deuses.

Portman traz uma agressiva e vulgar interpretação da cantora, que tenta se agarrar com todas as forças à fama depois de um escândalo minar sua carreira. Tudo em Celeste reflete os abusos infringidos por ela mesma, assim como o cansaço em sua desesperada tentativa de se manter relevante. A magreza, o olhar arrogante, a pose de diva, o caminhar soberbo e a fala de quem ama ouvir a própria voz. A atuação é tão exagerada que chega a titubear, mas Portman é capaz de convencer que esta é apenas um reflexo da vida de Celeste como um todo.

Com músicas escritas por Sia e a ótima narrativa de Willem Dafoe, Vox Lux – O Preço da Fama fala sobre qual o limite e as consequências do estrelato. A história da garota comum que se torna uma estrela graças à morte de outros tantos não foi construída para uma grande revelação ou reviravolta. Ainda sim, um pequeno segredo de Celeste desvendado no final nos faz pensar sobre o quanto a fama é capaz de engolir a humanidade daqueles que admiramos.