No dia 14 de fevereiro, chega aos cinemas Alita: Anjo de Combate, um longa que adapta o mangá de Yukito Kishiro. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Uma ciborgue é descoberta por um cientista. Ela não tem memórias de sua criação, mas possui grande conhecimento de artes marciais. Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e descobre um interesse amoroso.

Chegamos a mais uma tentativa de Hollywood adaptar uma obra japonesa, e cá entre nós, os estúdios americanos seguem sofrendo com o fantasma do mangá. A sede de retorno financeiro e de estabelecer uma franquia duradoura e lucrativa é tão grande, que os produtores gastam meses e rios de dinheiro investindo em tecnologia e efeitos especiais e acabam pecando no básico, a história.

Como público, nos impressionamos e reconhecemos o valor e o trabalho dos efeitos especiais, mas eles não são tudo. Um filme precisa ir muito além de uma fotografia impressionante e um cenário cyberpunk bem construído. Alita: Anjo de Combate gasta todas as suas fichas no universo macro, mas peca ao construir e desenvolver o micro, que são seus personagens, sua trama e principalmente as relações.

Com mais de duas horas de filme, Alita: Anjo de Combate despeja informações em tela, sem o cuidado de trabalhar e desenvolver cada uma delas. A ansiedade de querer contar uma grande história, cheia de reviravoltas e cenas de ação é tão grande, que o longa simplesmente corre com sua trama para fazer a protagonista crescer rapidamente e, no final, começa a conectar os pontos na esperança que iremos nos importar e sensibilizar com relações e personagens que não foram previamente desenvolvidos. Antes de emocionar, o roteiro precisa envolver e esse filme prova que menos é mais, pois se a história fosse menos grandiosa e mais cuidadosa com os detalhes, os pontos altos teriam funcionado.

O diretor Robert Rodriguez fez um bom trabalho ao pegar a benção e a megalomania de James Cameron e trazer um universo grandioso para Alita: Anjo de Combate. O longa apresenta elementos bem interessantes, como o passado da personagem, a guerra que ela lutou, a última cidade suspensa e toda a parte tecnológica da história, o que chama a nossa atenção e nos deixa com vontade de querer saber mais. A direção peca ao trabalhar seus personagens e subaproveitar atores como Christopher WaltzMershala Ali Jennifer Connelly, que não tiveram seus potenciais explorados e nem extraídos em tela. Uma pena!

Completamente computadorizada, Rosa Salazar tem uma atuação discreta e sem muito carisma. Dando vida à uma ciborgue atlética e lutadora, a atriz empresta seu rosto, mas deixa os movimentos para a computação gráfica. De modo geral, Rosa entrega, mas fica dentro da média e não chama muito a atenção.

Cheio de ação e com um visual incrível, Alita: Anjo de Combate tem potencial, mas peca ao querer ser grandioso demais sem antes ter uma base consolidada. O nicho consumidor do mangá vai assistir para ver se é tão bom e fiel quanto o produto original, mas e a massa que já rejeitou Ghost in the Shell? O risco de flopar é alto e a probabilidade de reclamações também. Talvez daria mais certo se a proposta do primeiro filme fosse estabelecer a personagem e desenvolver um pouco de sua mitologia, para depois esbanjar efeitos especiais numa sequência.