As atrizes de Prato Frio falaram sobre a série, os desafios e o futuro do projeto

Hoje (24) trago a vocês a entrevista com as atrizes Andrezza Abreu, Anita Chaves, Karina Ramil e Lorena Comparato, as idealizadoras de Prato Frio, a primeira série de ficção do Spotify.

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1) De onde surgiu o nome Prato Frio? E por que esse nome?

Em 2018, a Cia de 4 Mulheres começou uma parceria com o Hysteria, canal de conteúdo feminino da Conspiração no Rio de Janeiro. A plataforma do Hysteria produz conteúdo no formato de texto, áudio e audiovisual feito por mulheres.

Junto da nossa produtora, Luciana Duque, apresentamos várias ideia específicas para essa plataforma. E dentre eles, o podcast que as meninas do Hysteria mais gostaram foi o Prato Frio: um podcast de ficção sobre vingança, um tema que achávamos muito interessante e que daria para explorar muito. Pensamos que essas histórias poderiam ser contadas como se fossem áudios de Whatsapp, que hoje em dia, é o que todo mundo mais usa – a criancinha que nem sabe escrever, aquela senhorinha que a vista não é tão boa, e aquela mulher que tá sempre na correria e acha mais ágil mandar áudio. Legal brincar com esse formato contemporâneo de comunicação, sabe? A Hysteria gostou e pediu para apresentarmos um piloto, ou seja, faríamos um primeiro episódio para mostrar como seria. A partir daí, começamos a escrever histórias, nos preparamos com a Leila Mendes, nossa fonoaudióloga e chamamos o produtor musical João Nitcho para fazer nosso design de som, afinal queríamos ter uma vinheta legal, que comunicasse a ideia e preencher os áudios com som ambiente de cada situação que a personagem daquela história tá vivendo, dando um tom mais realista pros áudios.

As meninas do Hysteria adoraram e encomendaram mais nove episódios. Enquanto já finalizávamos os 9, o Spotify apareceu na jogada, com interesse em transformar o podcast no primeiro podcast de ficção original do Spotify Brasil. Eles ainda pediram que fossem um total de 12 episódios. Nós já tínhamos 10, então desenvolvemos mais dois!

Já estávamos super felizes com a parceria com a Hysteria, ter o Spotify foi uma surpresa incrível e deu uma força ainda maior ao projeto!

Ficamos bem orgulhosas do Prato Frio. No final das contas, conseguimos contar histórias que achamos engraçadas, e bem o nosso estilo escrachado. Achamos que o público está rindo e até, quem sabe, se identificando ou refletindo se a atitude deles está bacana ou se é digna de vingança.

2) Com o YouTube sendo uma das, se não a principal rede social da atualidade, por que vocês optaram por seguir o caminho do podcast ao invés de criar um canal de esquetes e humor no estilo Porta do Fundos?

Foi uma oportunidade que surgiu, na verdade. Não foi algo super planejado por nós. No início de 2018, nos reunimos com as meninas do Hysteria para mostrar alguns projetos que pensamos especialmente para elas. A gente tava com essa vontade de trabalhar juntas. A Hysteria é uma plataforma incrível composta de conteúdo feito por mulheres para todos os públicos, seja através de textos, áudios ou vídeos. Então, dentre todas as ideias que tivemos, a que mais se destacou pela rápida viabilidade foi o Prato Frio, um podcast onde contaríamos histórias de vingança a cada episódio como se fosse um áudio do whatsapp. A partir daí começamos a fazer o podcast, como contamos acima, e só quando já estávamos com quase tudo pronto é que o Spotify entrou na jogada para comprar o projeto! Por isso, foi um processo super espontâneo! Foi uma super oportunidade que apareceu e nós, que não somos bobas nem nada, resolvemos agarrar, nos dedicar e dar o nosso melhor!

Além disso, já tem sim muita gente fazer muita coisa legal agora no Youtube, e por isso mesmo resolvemos ousar e trazer um material diferente para o público, algo fora da nossa zona de conforto. Não queremos tentar ser que nem o Porta dos Fundos, porque além de uma das nossas integrantes ser atriz do canal, nós temos muita admiração por tudo o que eles fazem. Pra gente, partir para algo diferente e que ainda não vimos por aí é um estímulo criativo! Queremos fazer um produto que chegue ao público com qualidade e de forma diferenciada, inovadora.

Mas claro que não descartamos criar projetos audiovisuais para internet em breve. Queremos muito fazer isso, é um tema recorrente nas nossas reuniões e já estamos elaborando próximos passos, mas sempre pensando na qualidade final do produto.

3) Vocês tem intenção de expandir o projeto seja para YouTube ou até mesmo para uma série ou filme? Afinal, são várias as histórias e causos que renderiam uma trama no mínimo divertida.

Com certeza! Nossas histórias renderiam muitas cenas engraçadas e o tema vingança é maravilhoso porque ele nos faz embarca muitas situações divertidas e inesperadas! Quem nunca agiu de cabeça quente? (risos). Pensamos em futuramente trazer essas vinganças de novas formas para o público sim! Imagina depois de todo mundo imaginar aquelas tramas só pelo áudio, poder assisti-las? É uma ideia muito interessante e adoraríamos interpretar essas personagens. Quem sabe?

4) Vocês já estão acostumadas a trabalhar na frente das câmeras e nos palcos. Como foi pra vocês dar vida, personalidade e até corpo para essas personagens usando apenas a voz?

Foi super divertido! Como somos atrizes, pra gente é o tipo de desafio que você quer se doar. No início, fazíamos personagens parecidas com nosso jeito de falar, mas depois fomos sentindo vontade de ser mais audaciosas e ir testando coisas novas. Afinal queríamos que o público embarcasse em cada história, imaginasse o rosto, os trejeitos, o estilo daquela personagem que tava gravando seu depoimento.

Tivemos a ajuda da Leila Mendes, a fonoaudióloga mais maravilhosa do Brasil! Ela trabalha com diversos atores de teatro, cinema e TV e embarcou com a gente nessa aventura. A cada sessão que íamos lar bater com ela os textos, ela ria muito das histórias e nos ajudava muito. Às vezes, íamos com um personagem pensado desde a escrita do roteiro e às vezes ela dava uma ideia de uma entonação engraçada.

O legal é que aprendemos muito sobre sotaques, entonações e vimos nossa capacidade de ir além.

Percebemos também na prática da voz que o Brasil é muito plural realmente, cada região tem sua forma de falar, de se comunicar, e no Prato Frio, exploramos bastante os diferentes estilos das brasileiras. Pensamos em amigas, parentes, e até personalidades que admiramos pra criar quase 50 personagens!

5) Qual foi o principal desafio que vocês viveram no Prato Frio?

Tudo foi super desafiador, mas encontrar o tom certo de um modo geral para as histórias – desde a criação do roteiro, passando pela nossa interpretação e até a finalização dos episódios.

Como nós nunca tínhamos trabalhado só com áudio, tínhamos dúvidas o tempo inteiro. Foram muitas questões: Essa personagem está chateada ou feliz de ter se vingado? Esse sotaque está bom ou está falso? Essa história está precisando de um som ambiente? Qual lugar seria legal dessa história estar se passando? Acho que essa palavra está muito rebuscada, ninguém fala assim! Como essa personagem falaria isso de uma forma mais leve? Etc, etc, etc.

Tivemos que acreditar no nosso feeling, e contamos também com uma equipe incrível: a nossa produtora Luciana Duque que nos dava vários feedbacks, o nosso design de som, João Nitcho que ficava ali gravando com a gente dando toques, sugestões de sons e lugares e ajudando, a nossa fonoaudióloga, Leila Mendes que nos ajudava com toda a criação de sotaques, entonação e até mesmo na melhor palavra do texto.

Além disso, nada como a experiência para fazer você melhorar. Então, depois que ouvimos o episódio piloto, decidimos fazer diferente. E depois ouvindo outros episódios, começamos a fazer os próximos de uma forma melhor, explorar novos formatos para sair do óbvio, assim por diante.

E até o último momento nos questionamos! Por exemplo, quando já tínhamos todos os episódios finalizados, resolvemos tirar uma história que achamos que não estava divertida.

As pessoas acham que é super fácil criar um podcast assim, mas para trazer um produto bacana e de qualidade para o público, tem que ter muita dedicação e cada detalhezinho importa. Começamos esse projeto em fevereiro e só fechamos mesmo em setembro. Foram meses de dedicação que valeram a pena. Nós amamos o Prato Frio e o feedback que recebemos do público tem sido muito legal. Tem gente até na Alemanha escutando. Muito feliz em romper barreiras com o áudio e a internet!

6) Depois do projeto, o que vocês estão levando em termos de aprendizado e experiência para a carreira de vocês na frente das câmeras?

A experiência de gravar o podcast nos fez ver na prática o quão importante é cada detalhe na hora de se comunicar e construir uma personagem. Como no podcast só comunicamos através do áudio, a nossa presença no momento da gravação no estúdio tinha que ser muito intensa, para chegar ao ouvinte do outro lado exatamente o  que a gente queria passar. Relembramos muito a época das radionovelas por conta disso. Então trazer todo esse aprendizado para o momento de interpretar na frente das câmeras só potencializa a nossa atuação e verdade. E assim como no teatro, a gente viu no podcast que precisamos nos jogar sempre e sem julgamento.

7) Vocês já tinham uma notoriedade por conta de suas carreiras. Como está sendo a recepção dos fãs que estão ouvindo o Prato Frio?

Sim, temos nossas carreiras, mas como somos um grupo de criação formado por mulheres, buscamos ampliar a nossa voz feminina no entretenimento e acreditamos muito na nossa força em conjunto. Quando nos unimos, somos ainda mais fortes. Está sendo muito legal a recepção do público pois esse trabalho é muito especial para a gente, afinal nós que idealizamos, escrevemos todos os roteiros, interpretamos todas as histórias, sempre juntas. É diferente de um projeto que somos chamadas para participar, o que também é sempre uma honra quando acontece. Mas o Prato Frio é algo muito nosso, desde o embrião. Aconteceu porque a gente quis fazer, pela nossa união, fomos atrás, abrimos portas, batemos cabeça para criar um projeto legal e divertido para o público. Então receber o retorno do público, ver as pessoas compartilhando os episódios na internet, mandando mensagens para a gente através das redes sociais falando que amaram tal história, ou já viveram algo parecido é sensacional! Recebemos feedback até de gente na Alemanha escutando. Muito feliz em romper barreiras com o áudio e a internet!

8) Falando um pouco da criação, no que vocês se inspiram para criar as suas personagens e histórias?

Nos inspiramos diariamente em histórias nossas (que mudamos um pouquinho pra ninguém reconhecer), relatos de amigos e parentes, às vezes um personagem ou um lugar é o ponto de partida, também pesquisamos na internet, procuramos notícias engraçadas… Enfim, quando você tem que produzir uma quantidade grande como no nosso caso, que são mais de 40 histórias de vingança, você tem que estar atento para qualquer sopro de inspiração.

As quatro escreviam separadamente e depois juntávamos tudo e passávamos um pente fino, aprimorando as ideias. Depois fazíamos uma nova escrita, e aí sim tínhamos a versão final do texto.

Queríamos trazer diferentes personagens e olhares, e por isso fizemos diferentes perfis de vozes e estilos: Sotaques, maneirismos, tons, nacionalidades, que trabalhamos com a fonoaudióloga Leila Mendes. E também pedimos para o João Nitcho, nosso designer de som, adicionar som ambiente, ruídos e até interrupções que fizeram cada história única, gerando realismo e identificação. O resultado é o que vocês podem conferir gratuitamente no Spotify!

9) Vocês tem algum episódio favorito da 1ª temporada?

Ah, a gente fica dividida. Cada uma gosta mais de um episódio, ou de uma trama. A Anita por exemplo, ama o o Ep.3 “Pê Efe”, onde faz a história do bonequinho e o Ep.4 “Couvert”, porque fez uma personagem de Brasília, pensando numa prima que mora lá e foi uma referência! Quando ela mandou para a prima no whatsapp um trecho sem falar que era o podcast, a prima disse que pensou: “nossa, essa pessoa fala igual a mim”. Foi o melhor retorno que ela poderia ter tido e se tornou um episódio especial. A Andrezza gosta muito de um episódio que ainda vai sair, chamado “Feijoada Vegana”, pois amou de brincar com pontos de vista da mesma trama na hora de escrever e gostou do resultado nos áudios. E tem outro episódio com uma história sobre briga de vaga na garagem do prédio onde ela homenageou uma amiga advogada, usando o nome dela para a personagem “mandar o áudio” e essa amiga ficou toda derretida, foi legal.

10) Tem alguma história divertida de bastidores para dividir com a gente?

Confesso que a gente morria de rir durante as gravações e vivemos momentos hilários, mas agora assim, não lembramos de nada específico para contar. Uma sempre zuava a história da outra. A gente viveu de tudo naquele estúdio, desde imitação de filme trash de terror, até reprodução da musiquinha do Poderoso Chefão. Fora as milhões de vezes que a gente entrava numa de fingir uma futura carreira musical da Cia de 4 e improvisar umas músicas, mas só de brincadeira…

11) A primeira temporada contém 12 episódios, já podemos esperar a segunda?

Por enquanto temos uma temporada fechada de 12 episódios com o Spotify e Hysteria, que são nossos parceiros nesse projeto junto com a 2D Produções. Adoraríamos e queremos realizar uma segunda temporada, já estamos pensando em novas histórias e temos um bom acervo que vem aumentando cada vez mais, só pensando no futuro…

12) Pra finalizar, que mensagem vocês gostariam de deixar para os fãs do Nerd Break?

Nosso podcast foi feito com muita vontade, dedicação, amor e sede de vingança. Escutem e se divirtam, mas não tentem reproduzir em casa. Recomendamos se você tiver num momento rancoroso escutar para liberar aqueles nós na garganta atravé de uma boa gargalhada, mas cuidado se você for do signo de escorpião, vingativos por natureza, para não se inspirar! (risos) Apreciem nossos Pratos Frios sem moderação e lambuzem-se!

E se você que tá lendo essa entrevista ouvir e gostar, segue a gente no insta: @ciade4 e no face: /ciade4 e diz pra gente o que achou, manda mensagem! Aproveita e ajuda a divulgar fazendo um stories e marca a gente lá! Queremos muito ouvir o feedback de vocês.

Ouça Prato Frio: