A Favorita

No dia 24 de janeiro, chega aos cinemas A Favorita, um longa que vem faturando prêmios e que vai pintar no Oscar 2019. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

No início do século 18 na Inglaterra, uma frágil rainha Anne (Olivia Colman) ocupa o trono e sua amiga Sarah (Rachel Weisz) governa o país em seu lugar. Quando uma nova serva Abigail (Emma Stone) chega, seu charme a leva a Sarah.

Um dos principais trunfos de A Favorita, é saber dar espaço para suas estrelas brilharem e se destacarem ao longo da trama. Contado em seis capítulos, o filme vai desenvolvendo seu enredo e personagens de uma forma tão gradativa e interessante, que como espectador você nem sente as quase duas horas passarem. Tudo é muito fluido, com um ritmo bom e com quebras entre o drama e a comédia, que dão fôlego para o longa.

Como disse acima, todo o elenco está muito bem. Mesmo Olivia Colman sendo a grande premiada nas cerimônias que vêm acontecendo, não podemos deixar de enaltecer o trabalho maravilhoso de Rachel Weisz, que entrega uma personagem de pulso firme, uma postura forte e que apresenta emoções contidas e frias, mas ao mesmo tempo sinceras. Gostei muito da química e da dinâmica entre Rachel e Olivia, pois mesmo sendo muito diferentes, elas acabam se complementando enquanto parceiras, amigas e amantes.

Emma Stone traz para A Favorita, uma personagem extremamente estrategista e maquiavélica. Ao mesmo tempo em que você torce por ela, você se revolta pela manipulação e falsidade em suas atitudes. A atriz foi muito bem ao entregar uma mulher dissimulada, ambiciosa e sem escrúpulos. Ela foca em seus objetivos e não mede esforços ou atitudes para alcançá-los. Mas antes que vocês a enxerguem como uma vilã, vale destacar toda a jornada de crescimento e ascensão pela qual ela passou. Emma começa o filme marginalizada e humilhada, e luta com unhas e dentes para sair dessa situação, custe o que custar.

Nicholas Hoult traz um personagem engraçado, caricato e centrado na parte política da história. Também ardiloso e manipulador, ele não mede esforços para alcançar os seus objetivos, o que rende bons momentos e cenas interessantes e que alternam entre cômicas e dramáticas.

Olivia Colman, de fato, merece os prêmios que vem ganhando. Fiquei impressionado com o show de atuação que a atriz deu ao mesclar uma personalidade infantil e mimada, com a de uma mulher amargurada, frustrada e sensível. Gostei muito do contraponto entre sua fragilidade e a força e peso como rainha. A personagem está cercada de pessoas interesseiras, manipuladoras e ardilosas, então ela alterna entre se deixar levar pela inocência e manipulação da situação, e se impor como soberana, de pulso firme e implacável.

A Favorita é um filme para quem gosta de histórias de época e que curte um drama com pitadas de comédia. O elenco está impecável, o roteiro trabalha muito bem seus personagens e o diretor dá um ritmo bom para o desenvolvimento da história.