James McAvoy

No dia 17 de janeiro, chega aos cinemas Vidro, o terceiro longa da franquia criada pelo diretor MNight Shyamalan. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Shyamalan iniciou em 2001 um projeto que talvez ele nem sonhasse que se tornaria um universo expandido. Acredito muito nisso, pois o diretor demorou muitos anos para trazer Fragmentado para as telas, o que surpreendeu muita gente, mas ao mesmo tempo esfriou a história e envelheceu demais Bruce Willis Samuel L. Jackson para as cenas de ação ao lado de James McAvoy.

Vidro é um filme no bom e velho estilo Shyamalan. É importante e até redundante dizer isso, mas caso você não seja fã ou não curta a forma do diretor contar histórias, talvez você acabe se entediando e se frustrando no cinema. Com mais de duas horas de duração, o longa apresenta um ritmo e um desenrolar lento de sua história. O humor é utilizado em alguns momentos para aliviar a trama e dar uma quebra e despertada no espectador.

Particularmente, gosto muito da forma como Shyamalan traz para as telas seu universo de super-heróis pautado no realismo e com pitadas de suspense e terror. O diretor utiliza da fantasia para criticar assuntos sérios como a violência, o abuso e os maus tratos, além de provocar seu espectador a estimular o seu potencial e reconhecer seus talentos e qualidades naturais. Adoro o fato do roteiro tratar as histórias em quadrinhos, que pra muitos são consideradas infantis, como um registro do potencial e da história da humanidade ao longo dos anos. Também vale ressaltar que a trilha sonora abrilhanta a produção e entrega com precisão o sentimento e as sensações dos personagens.

É gostoso ver Bruce Willis Samuel L. Jackson reprisarem papéis tão interessantes que caíram no esquecimento ao longo dos anos. Numa época em que pouco se falava sobre super-heróis no cinema, a dupla protagonizou um melhor embate entre mocinho e vilão que não tinha o selo de nenhuma das grandes editoras. Novamente bato na tecla, por que Shyamalan demorou tanto tempo para trazer Fragmentado ao mundo? Talvez ele estivesse esperando a estrela de James McAvoy brilhar no céu de Hollywood, ou simplesmente não acreditou no potencial que tinha em mãos. Uma coisa é certa, se Corpo Fechado tivesse uma continuidade logo na sequência em que foi lançado, talvez todo o universo de filmes de super-heróis que conhecemos hoje teria sido reescrito. Há quem diga que tudo na vida tem o tempo certo para acontecer, concordo e acredito nessa frase, mas nesse caso, o bonde passou e o diretor ficou pra trás.

Voltando a falar de Bruce Willis, o brucutu charmoso dos anos 80 envelheceu, manteve a boa forma, mas não o suficiente para sair na porrada com o James McAvoy, que está no auge de sua forma física. A luta entre os dois é pouco dinâmica e muito centrada no corpo a corpo, afinal, Willis não é mais um menino que pula, gira e cai de um lado para o outro. O veterano agregou em experiência, mas deixou a desejar em alguns momentos, mas não por falhas em sua atuação, e sim pela falta de brilho que o roteiro concedeu a seu personagem. A sensação que tive foi que David Dunn estava na trama só para servir de instrumento para a mensagem maior que o diretor quis passar na hora do clímax do filme.

O personagem de Samuel L. Jackson leva o nome do filme, mas passa a maior parte da trama calado ou fora de cena. O ator sofreu com o mesmo problema de Bruce Willis, o tempo. É muito legal ver todo o encontro entre esse universo e esses personagens coexistindo em tela, mas esqueçam David Dunn e o Senhor Vidro, o terceiro longa dessa franquia deveria se chamar Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson).

A atriz entra para o terceiro capítulo dessa história para crescer em cima do trio que brilhou nos filmes anteriores. É impressionante a forma como ela entra na mente dos três e desconstrói tudo aquilo que eles e nós, acreditamos nos filmes anteriores. Com uma atuação firme e segura, Sarah Paulson brilha do começo ao fim de Vidro, e se mostra a verdadeira estrela da terceira parte dessa história.

Vamos falar da cereja do bolo de VidroJames McAvoy. A cada novo longa, McAvoy mostra mais e mais do seu talento e qualidade como ator. Chega a ser ainda mais impressionante do que Fragmentado, a forma como ele trabalha e explora cada uma das personalidades. James McAvoy está brilhante no filme e entrega uma atuação irretocável, sensível, segura e visceral. Tanto a sua parte física quanto as suas emoções, atingiram o máximo de sua entrega e fizeram com que ele se sobressaísse em relação ao restante do elenco. Fiquei muito feliz e impressionado com o que vi, que show de atuação.

Anya Taylor-JoySpencer Treat ClarkCharlayne Woodard pouco fazem pela trama. O trio tem o único e exclusivo papel de assistir o desenrolar dessa história de camarote e fazer entradas pontuais. Anya Spencer até brilham em um momento ou outro, trazendo carga dramática, mas ficam aquém do esperado.

No final, Vidro é o palco da história de três super-humanos que são assistidos e conduzidos por uma médica que tenta dissuadi-los de sua essência. Shyamalan mantém a mesma métrica e estilo de contar histórias e fecha o terceiro capítulo com um gostinho de quero mais e dando margem para uma continuação.