Lizzie

Em 03 de janeiro, chega aos cinemas brasileiros Lizzie, filme que traz uma visão diferente de um dos crimes mais violentos do século XIX. Mas atenção, essa crítica CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Em 1892, Massachusetts assistiu ao julgamento de um dos crimes mais brutais até então praticados. Andrew Borden e sua esposa Abby, foram encontrados mortos à machadadas em sua luxuosa residência. A única suspeita era Elizabeth Borden, filha mais nova de Andrew. Mesmo com todas as provas apontando para Lizzie, o júri foi rápido em inocentá-la, já que uma jovem mulher da alta sociedade não seria capaz de tal violência.

Assim como O.J. Simpson, todos nós sabemos que ela é realmente culpada, mas nunca teremos certeza dos atos daquele dia. Agora, mais de 120 anos depois, a notória Lizzie Borden ganha uma releitura nitidamente feminista de seu crime. Em Lizzie, a última de uma enxurrada de adaptações, Chloë Sevigny interpreta a personagem do título como a filha oprimida que é guiada ao ato extremo.

A obsessão de Sevigny pela história da família Borden contribui para sua entrega total ao papel. A teimosa e forte Lizzie sofre com seus ataques epiléticos e com a atmosfera sepulcral de sua casa. Abraçando a teoria não comprovada de que Lizzie tinha um caso amoroso com sua empregada Bridget Sullivan/Maggie (Kristen Stewart), o filme mostra o despertar da personagem e envolve o espectador em empatia pelas duas mulheres.

Ao mesmo tempo, é impossível sofrer com as mortes de Andrew (Jamey Sheridan) e sua esposa (Fiona Shaw). Enquanto o pai representa o controle masculino sobre as mulheres, a madrasta mostra a face mesquinha e interesseira dos que casam por dinheiro. Quando o machado entra em cena, só conseguimos sentir a satisfação de uma torpe e violenta justiça.

A escolha do elenco parece ter sido o grande trunfo de Lizzie. Impossível definir quem é mais convincente em seu papel. Incluindo Stewart, cuja atuação evoluiu de maneira drástica (mesmo que o sotaque irlandês não seja lá essas coisas). Talvez o destaque fique por Denis O’Hare, impecável como o alegre e interesseiro tio de Lizzie. American Horror Story o ensinou muito bem como sorrir como um vigarista e soltar ameaças entre dentes.

Mas Lizzie não está livre de defeitos. Mesmo com a bela direção de Craig William Macneill, o filme tem um problema com o ritmo. Com duração de 105 minutos, a verdade é que se tornou impossível acrescentar algo novo à uma figura emblemática e já tão explorada. As cenas são bem montadas e impactantes, cheias de lições sobre o controle social sobre as mulheres – como quando Lizzie fica nua para matar seus pais, se despindo daquilo que era imposto à ela e limitava seus movimentos. Mas para por aí. Uma bela embalagem, sem dúvidas. Mas o conteúdo não é inovador.