Amandla Stenberg, O Ódio Que Você Semeia

No dia 06 de dezembro, chega aos cinemas O Ódio Que Você Semeia, a adaptação literária da obra de Angie Thomas. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Pouco badalado em relação aos blockbusters, O Ódio Que Você Semeia é sem sombra de dúvidas um dos melhores e mais importantes filmes da atualidade. Uma história nunca chegou aos cinemas numa época tão boa quanto essa, e eu explico o porquê. Recentemente passamos por uma das eleições mais conturbadas, em termos de discórdia, da história do nosso país. Ódio, rancor, raiva, agressividade e intolerância com a diferença, são algumas das principais características que vimos nas ruas e redes sociais nos últimos meses e que refletem exatamente a mensagem central do filme.

Pesado, reflexivo e muito necessário, O Ódio Que Você Semeia é um grito de basta para a violência, a intolerância e a ignorância. É extremamente contraditório o fato de avançarmos e evoluirmos em diversas área, como ciência e tecnologia, mas no âmbito sociopolítico agirmos piores que o homem neandertal. Não dá mais pra você odiar e excluir da sua vida quem não é igual a você, quem não pensa igual, quem não tem a mesma cor, a mesma orientação sexual ou qualquer outra diferença que gere preconceito e violência. Simplesmente não dá mais, chega!

Com uma história sensível e poderosa, O Ódio Que Você Semeia dá um tapa na nossa cara ao trazer para as telas uma história atual, real, muito dura e triste. Conforme a trama vai se desenrolando, você fica chocado com a selvageria do ser humano, e para pra pensar que o que está sendo mostrado, nada mais é do que um recorte da nossa sociedade. Isso parte o seu coração em mil pedaços e te faz pensar: basta, não pode mais ser assim.

Vamos falar sobre a atuação segura, marcante e impecável de Amandla Stenberg. A jovem atriz te emociona e envolve do começo ao fim e traz em suas palavras e olhares toda a dor e peso da injustiça que assola o mundo. Em contrapartida, a virada que a protagonista passa é extremamente importante e reflexiva. Voltando para a situação do nosso país, prestem atenção de como se tornaram agressivos e violentos aqueles que, até então, combatiam a radicalidade e a violência. Já pararam pra pensar nisso? Violência não se combate com violência. Intolerância não se combate com intolerância. Você só vai mudar alguma coisa quando quebrar o ciclo e fazer a roda parar de girar. Não tem que existir lados, tem que existir harmonia, paz e igualdade para todos. Há quem leia isso e pense: ele está romantizando e sonhando com um mundo utópico. Pode ser que você esteja certo, mas acredito piamente que esse é o caminho da mudança e não o Ele Sim ou Ele Não.

Retomando, Amandla Stenberg está brilhante no filme. Ela me tocou, emocionou e me fez sair pensando e refletindo sobre o que havia acabado de assistir. A jovem atriz tem uma carreira promissora pela frente, e já torço para que seu nome figure na lista do Oscar 2019.

Outro ator que quero destacar e enaltecer é Russell Hornsby, que viveu o pai da protagonista. Logo na cena de abertura de O Ódio Que Você Semeia ele já traz para as telas um diálogo pesado, com uma carga emocional enorme, mas infelizmente muito honesto e verdadeiro. Adorei a atuação e entrega do ator. Assim como todo o elenco, ele abraçou o roteiro e passou a mensagem através do olhar, das palavras e do nítido sentimento de dor e pesar. Que trabalho incrível!

Sem medo de exagerar, O Ódio Que Você Semeia é um dos melhores filmes desse ano e que merecia aparecer no Oscar 2018. Vale destacar a excelente trilha sonora do filme. O elenco como um todo funciona muito bem, brilha e entrega uma história que todos deveriam assistir. Amei demais esse filme e recomendo que você assista no cinema. Lembre-se, seja a mudança que você quer para o mundo e não mais corrompido pelo ódio e a violência. Dê um basta e comece a trilhar um novo caminho rumo a luz, à esperança e o amor.