Life Itself, A Vida em Si

No dia 06 de dezembro, chega aos cinemas A Vida em Si, um filme do criador da série This Is Us. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Quando um jovem casal de Nova York passa do romance universitário ao casamento e ao nascimento de seu primeiro filho, as reviravoltas inesperadas de sua jornada criam reverberações que ecoam nos continentes e através das vidas.

Preciso começar dizendo como Dan Fogelman sabe contar histórias sobre a vida. É impressionante o quão sensível, real e humana é a forma como ele constrói os seus roteiros, personagens e problemáticas. Fogelman me parece um homem que veio ao mundo para usar o entretenimento como uma forma de passar uma poderosa mensagem sobre a vida. Há quem diga que suas histórias mais pareçam novelas, mas afinal, o que é a vida senão uma novela vivida todos os dias?

Quantos de nós não nos deparamos com aquela famosa frase em tom de brincadeira que mais parece verdade: a minha vida parece uma novela. Pois é, meus amigos, não precisamos buscar intrigas, traições, medos, vilões e reviravoltas nas telinhas. Tudo que o entretenimento televisivo mostra, nada mais é do que um retrato maquiado do nosso dia-a-dia.

Deixando esse ponto de lado, quero destacar a poderosa mensagem passada em A Vida em Si. Cheia de percalços, altos e baixos, dificuldades, dores e sofrimentos, a vida é uma jornada de amadurecimento, crescimento e que foi feita para os corajosos viverem. Podem parecer duras essas palavras, mas se você não levantar a cada soco que a vida te dá, você ficará no chão, meu amigo. Coragem! Essa é a palavra que melhor define a história contada por Fogelman.

Misturando histórias e conectando personagens de uma forma inusitada, o roteiro de A Vida em Si se assemelha com a realidade. Um breve instante pode mudar o nosso destino e afetar todo o futuro que temos pela frente. É intrigante e ao mesmo tempo reflexivo o fato de pensarmos que tudo é passageiro e que temos que aproveitar o máximo de tempo que temos aqui. Porém, além do nosso egocentrismo, é curioso pensar o quanto afetamos a vida do próximo com as nossas atitudes e com as consequências dos nossos atos. Por mais que queiramos ser egoístas e pensarmos só em nós mesmos, tudo está conectado e acaba sendo afetado.

A humanidade do roteiro não para por ai. A Vida em Si é um retrato cruel, mas muito realista de um grande medo que assola a população, a morte. Particularmente, o longa falou muito comigo no quesito morte familiar. Esse é o maior medo que tenho na vida, e ver Dan Fogelman retratar esse ciclo natural e finalizar com uma mensagem poderosa e sincera, foi fortalecedor e inspirador. A morte é algo inevitável e faz parte de um encerramento de ciclo, mas ela não simboliza o fim, muito pelo contrário. Deixando as religiões de lado, esse acontecimento doloroso e sofrido, faz parte de mais uma etapa de amadurecimento e crescimento pessoal que todos temos que passar. Aqueles que nós amamos viverão para sempre em nós, afinal, somos um reflexo da criação, ensinamentos e convivência de anos e anos.

Sai tocado de A Vida em Si. Fazia tempo que um filme não mexia com o meu subconsciente e me fazia refletir sobre o meu eu. O roteiro me fez olhar para dentro e serviu como força para encarar várias etapas e momentos da minha vida. Recomendo muito que você assista com esse olhar. Coloque-se na história, avalie a sua atitude diante das situações e ao final, olhe para dentro e veja o que você pode levar para fora da sessão.

Entrando na parte técnica, o longa vai muito bem até a metade, mas depois se perde um pouco. Na metade se inicia uma nova história, trazendo a sensação de que um novo filme havia começado, o que causa estranheza. No final das contas, o diretor amarra as duas narrativas, costurando as tramas no final. A transição não foi tão bem executada, o que fez cair um pouco a qualidade narrativa.

Em termos de elenco, quero destacar o trabalho de Oscar Isaac. Fiquei impressionado como ele trouxe verdade e sentimento para a tela. Senti a sua dor e desespero, ao mesmo tempo que me identifiquei com o seu amor e paixão. De todos os atores, ele foi o que se destacou. O restante vai bem e cumpre com o seu propósito em tela.

Recomendo muito que você assista A Vida em Si. Dan Fogelman já me faz chorar constantemente com This Is Us, e agora ele me fortaleceu com um filme que traz uma mensagem poderosa e inspiradora para a vida.