Em 8 de novembro chega aos cinemas O Grinch, nova animação do clássico escrito por Dr. Seuss. Se você é um Grinchzinho e não conhece essa história de Natal, atenção, essa crítica CONTÉM SPOILERS!

O Grinch

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Mas afinal, o filme é bom?

Em 1957, Dr. Seuss escreveu o conto “Como o Grinch roubou o Natal” para criticar a comercialização da data festiva. De lá pra cá, se tornou um dos livros infantis mais amados. Sua primeira adaptação foi em 1966, como uma animação para TV com Boris Karloff como o narrador e o principal. Já em 2000, o monstro verde ganhou seu live-action na pele de Jim Carrey. Enquanto um é um clássico de Natal, o outro chegou a afastar o personagem do público.

Assim, quando a IluminationUniversal Pictures anunciaram mais uma adaptação, o pensamento era: “Precisamos de outra?”. E a resposta é sim. O conto de Dr. Seuss continua tão relevante hoje, quanto na época em que foi escrito. Então, quem melhor para redimir o personagem do que o estúdio que nos deu os Minions?

Para você que teve uma infância sem o Grinch ou o apagou da memória depois daquela maquiagem horrorosa do Jim Carrey, aqui vai um resumo. Na Quemlândia, o Natal é a data mais aguardada por todos os cidadãos. A cidade inteira se ilumina, e cada um dos simpáticos e solícitos Quem se tornam mais felizes. Todos, exceto o Grinch. Vivendo isolado no topo da montanha, o rabugento Grinch evita Quemlândia o máximo que pode, em especial na época do Natal.

O fato é que Grinch odeia o Natal. Ninguém sabe o real motivo, mas acredita-se que seja porque seu coração encolheu. Ao descobrir que os cidadãos desejam realizar uma festa três vezes maior, o monstrinho decide acabar com a alegria descabida dos Quem e roubar o Natal. Ao lado de seu cão Max, o Grinch bola um plano para furtar cada árvore, guirlanda, enfeite e presente. Por mais que pequenos aspectos mudem, a história se mantém a mesma. O Grinch aprenderá o real significado do Natal por meio da garotinha, Cindy Lou Who.

Assim como o filme de 2000, O Grinch não se satisfaz com a explicação do autor para o ódio ao Natal. E com isso, a animação é feliz em oferecer mais lições para as crianças do que o material original. Com o vislumbre da infância de Grinch – fofinho na animação e não demoníaco como no filme – percebemos que o isolamento auto infligido também é culpa dos habitantes da cidade. Perdidos em seus excessos, os Quem se esquecem que o Natal é sobre amar e partilhar. Enquanto se empanturram e abrem milhares de presentes, falham em abrigar o pequeno órfão Grinch.

E mais do que isso, O Grinch mostra que o coração do azedo personagem é grande desde o começo, usando a figura de Max. O adorável cãozinho deveria ser apenas o servo fiel, mas aqui ele é a família de Grinch – mesmo que este se recuse a admitir. Diferente do que já vimos, é explícito o afeto de ambos. O efeito é positivo, a empatia por Grinch não é afetada pelos maus tratos ao simpático Max. E mesmo antes de ser aceito pelos Quem, o Grinch abraçou as tradições pelo cachorro.

Depois de oito animações, a Ilumination já provou estar a altura da DreamWorks Animation. As cores e luzes são vibrantes. As texturas da neve e dos pelinhos no rosto de cada criança Quem são palpáveis. Personagens inéditos bem pensados. A excelente trilha sonora de Danny Elfman, com versões pop de clássicos como “You are a mean one, Mr. Grinch”. Tudo coroado pelo bom trabalho de dublagem.

Se até a Disney erra na hora de escolher atores brasileiros para dublar seus personagens (Luciano Huck como Flynn Rider, oi?), é admirável que Lázaro Ramos tenha funcionado muito bem como o Grinch. Uma voz conhecida que traz o personagem para a nossa linguagem diária sem causar desconforto. Mas vale lembrar que na versão original é Benedict Cumberbatch quem empresta sua voz. Para aqueles que não se incomodam em ver animações em inglês, os trailers mostram que o homem que dá voz às propagandas da Jaguar só tem a acrescentar ao personagem.

Fica claro que O Grinch foi um acerto em todos os aspectos. Uma animação bem feita, com piadas para toda a família. Uma adaptação a altura do clássico, sem deixar de ser extremamente atual, que irá te ajudar a entrar no espírito natalino (É, faltam dois meses ainda. Mas nunca é cedo para o Natal!). Não importa se você ama essa data ou tem complexo de Grinch, esse filme entra para o rol dos que devem ser vistos próximo às festas todos os anos.