Marina Ruy Barbosa, Sequestro Relâmpago

No dia 22 de novembro, chega aos cinemas Sequestro Relâmpago, um filme estrelado por Marina Ruy Barbosa. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Matheus (Sidney Santiago) e Japonês (Daniel Rocha) são dois jovens que não são amigos, mas que se juntam para realizar uma série de sequestros na noite de São Paulo. A primeira vítima é Isabel (Marina Ruy Barbosa), uma jovem de 21 anso que está saindo de um bar. Os três estão nervosos. Quando encontram o primeiro caixa eletrônico às 22h, ele está quebrado. Os dois percebem que não conseguirão encontrar outro caixa-eletrônico antes da manhã do dia seguinte. Mantendo Isabel refém, eles dirigem de um lado pro outro pela noite, decidindo o que fazer com ela.

Sequestro Relâmpago é um pequeno fragmento de várias e várias histórias que acontecem todos os dias no nosso país. Triste e aterrorizante, o longa retrata uma situação que infelizmente todos nós corremos o risco de passar.

Vale começar destacando que o filme não flui logo de cara. Tanto os sequestradores quanto a vítima se mostram muito travados no início. Faltou ambientar e trabalhar melhor a tensão do acontecimento. Os gritos e ameaças com arma em punho não foram suficientes e nem verdadeiros, o que descredibiliza algo que deveria ser tenso e angustiante.

O fato do filme se passar a maior parte do tempo dentro do carro é interessante e ao mesmo tempo desafiador. O plano fechado dificulta tanto para os atores quanto para a direção o trabalho dos ângulos, expressões, diálogos e sentimentos, enquanto têm que manter a atenção no trajeto e condução do veículo.

De todos, Marina Ruy Barbosa foi a que mais sofreu e não só pela situação em que foi colocada, mas também pelo fato de sua personagem ter poucas falas e trabalhar muito os seus medos, aflições e reações com o olhar e expressões faciais. A atriz começou mais leve e fora do clima, mas ao longo do filme foi engrenando e entregando momentos realmente agonizantes.

Voltando para a direção, entendi toda a questão do conflito de classes que o filme propôs, mas, a quebra da tensão para a construção desses diálogos e narrativa, descredibilizou o sequestro e fez parecer em vários momentos que os três personagens eram amigos que tinham suas divergências. Faltou peso e essa falha ocorreu na condução da situação e na forma como o roteiro e cena se cruzaram.

Canastrões e sem convencer em vários momentos, os dois sequestradores não tiveram peso o suficiente para serem vistos como ameaças. Atrapalhada, amadora e volátil, a dupla estava em tela mais para discutir as diferenças sociais do que para ameaçar e criar um clima de tensão. Tirando uma cena de assédio, os dois não passam de ladrões de galinha.

Em suma, Sequestro Relâmpago é um retrato mal dirigido da violência que assola o Brasil. O filme tem uma proposta em relação às questões sociais que poderia ser interessante se tivesse sido bem conduzida. No final, o longa entrega uma história real sobre violência e serve como mais um reforço à nossa atenção e cuidados que devemos ter todos os dias.