Fúria em Alto Mar

Em 25 de outubro chega aos cinemas brasileiros Fúria em Alto Mar, estrelado por Gerard Butler e Gary Oldman. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Já faz um bom tempo, Gerard Butler decidiu que se envolveria em projetos que realmente se divertisse filmando. Preferencialmente filmes de ação sem qualquer história. Depois de muitos papéis como militar, na ativa ou aposentado, atirando para todo lado e salvando o Presidente dos EUA ou impedindo o aquecimento global, finalmente vamos desistir de seus filmes? Obviamente que não, ele é o Liam Neeson escocês dos nossos corações.

Tendo isso em mente, você provavelmente assistirá o trailer de Fúria em Alto Mar e pensará: “Lá vem bomba”. E vai estar certo, mas não totalmente. Não é uma irritante perda de tempo como Tempestade: Planeta em Fúria. Não é um tiroteio desenfreado como Invasão a Casa Branca. É um filme atual de guerra que poderia sim ser muito bom, se a história não fosse tão absurda.

Depois do desaparecimento de um submarino americano próximo à águas russas, o Pentágono designa um novo capitão para o disponível USS Arkansas. Joe Glass (Gerard Butler) passou boa parte da vida no mar e é uma lenda entre os fuzileiros navais. Ao chegar ao local do desaparecimento, a tripulação descobre que o submarino americano foi abatido pelos russos. Para não perderem a razão, os russos sacrificaram um de seus próprios submarinos para incriminar os americanos. Desafiando sua tripulação, Glass salva os sobreviventes da embarcação russa abatida. Entre eles, está o Capitão Andropov (Michael Nyqvist).

Enquanto isso, o Pentágono não consegue se comunicar com Moscou. Em busca de resposta, o Almirante John Fisk (Common) seleciona um time SEAL para a missão secreta de se infiltrar na base naval russa e descobrir o motivo do ataque. Sob comando de Bill Beaman (Toby Stephens), os quatro soldados de elite descobrem que o Presidente russo (Alexander Diachenko) está sendo mantido em cativeiro pelo seu próprio Ministro de Defesa. O Almirante Durov (Michael Gor) pretende iniciar a 3ª Guerra Mundial.

Contrariando o Chefe de Estado Maior, o General Donnegan (Gary Oldman), e com o aval da Presidente dos EUA (Caroline Goodall), os SEALs são orientados a extrair o Presidente e levá-lo ao encontro do USS Arkansas. Sim. Os bonzinhos americanos irão salvar o Presidente russo. Pausa para reflexão.

E tem mais. Os SEALs são ajudados pelos seguranças do Presidente, enquanto Glass é guiado por Andropov nas águas desconhecidas. Militares americanos e russos se ajudando pela segurança mundial. Até dá para ouvir Putin e Trump rindo ao fundo.

Fúria em Alto Mar é cheio dos clichês americanos que estamos tão acostumados. Mas algo é difícil de engolir, principalmente para nós que somos tão acostumados a filmes em língua estrangeira. Quentin Tarantino ensinou os EUA em Bastardos Inglórios, que é possível amar um filme falado em duas línguas além do inglês. Então, qual o sentido de escalar atores russos se eles irão falar tão pouco do seu próprio idioma que nem sequer terá legenda?

Mas existem pontos positivos sim. O filme é uma colaboração do cinema com os fuzileiros navais americanos. Assim como Perdido em Marte foi desenvolvido para promover a NASA, Fúria em Alto Mar se propõe a mostrar a realidade dos submarinos atuais. Além de exaltar aqueles que travam as constantes guerras silenciosas, seja em terra ou mar. O curioso é que, em um filme para mostrar a dignidade dos EUA, os americanos com papel de destaque são interpretados por grandes atores britânicos. A exceção é Common, mas o ex-rapper parece fadado a personagens engessados.

Gerard Butler está mais do que acostumado a papéis de protagonistas como Glass, o sotaque americano nem deve mais ser um esforço. Gary Oldman aparece pouco, mas sua atuação é tão superior à de Common e dos outros, que fica difícil não lhe dar todo crédito pelas cenas no Pentágono. Ainda que focado no drama nos submarinos, as melhores cenas ficam por conta de Toby Stephens. Mesmo que não seja tão conhecido como sua mãe Maggie Smith, aqueles que seguem seu trabalho sabem o quão versátil ele pode ser. Aqui, o irritante comandante SEAL não pega leve com o sniper novato, Martinelli (Zane Holtz), mas é quem traduz o típico papel de herói militar e não deixa ninguém para trás.

Puxado pelo talento desses atores, Fúria em Alto Mar funciona para quem gosta do gênero. Filmes militares costumam atrair um público fiel. Então, se você conseguir passar por cima da trama surreal, se divertirá com as rápidas duas horas de um filme bem montado.