Amanhã (04) chega aos cinemas, Venom, o novo filme da Sony Pictures. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Uma das coisas que mais me incomodam, é quando o estúdio desmembra um universo em vários produtos com a intenção de formar um multiverso e lucrar entregando vários filmes. Personagens como o Venom, nasceram nas histórias do Aranha e deveriam ser introduzidos e utilizados somente em filmes do Cabeça de Teia. Eu começo perguntando a você: precisávamos desse filme? Acho que não.

Quando anunciaram o filme do Venom olhei com desconfiança, mas aguardei para ver o que a Sony Pictures iria nos entregar. Logo no primeiro trailer já comprei o visual do personagem e mantive a minha preocupação voltada para o roteiro. Como eles iriam introduzi-lo? Qual seria o tom da história? Essas preocupações se confirmaram ao final da sessão de hoje.

Venom chega aos cinemas tentando vender a imagem de anti-herói e acaba se tornando outro amigo da vizinhança. Entendi que ele teria um simbionte mais poderoso para combater, mas a forma como a história se desenrolou, exagerou na leveza e no humor, passando do ponto e humanizando o personagem além da conta. Quando o filme termina você pensa: mas por que ele sairia na porrada com o Homem-Aranha? Não faz sentido se os dois só combatem o crime. Talvez o caminho que o estúdio queira dar, faça com que Peter e Eddie lutem lado a lado no futuro.

Tom Hardy não entregou nem de longe a sua melhor atuação. O ator abraçou o tom pastelão do filme e entregou um Eddie Brock bonzinho e bobão. Hardy tinha potencial pra trazer toda a ferocidade do simbionte e uma versão maligna e malvada de Brock, mas o roteiro friendly (amigável) nos fez assistir um protagonista fanfarrão e que no final só quer salvar o dia.

Riz Ahmed está engessado no papel do cientista maluco que quer “encontrar o mundo novo”. Clichê e com uma expressão toda travada, o ator não entrega um bom vilão e ainda ocupa o espaço que poderia ser utilizado pela sua contraparte maligna, o simbionte Riot.

Falando em Riot, entendo que os contratos façam os atores aparecerem mais, contudo, gostaria que os simbiontes tivessem tido mais tempo de tela. Venom só aparece quando é preciso e Riot dá as caras perto do fim e só brilha mesmo na luta final. Faltou ver os verdadeiros protagonistas mais tempo em cena.

Nem vou perder tempo falando de Michelle Williams, pois claramente a atriz só está nesse filme para viver o par romântico de Tom Hardy. Ela não agrega nada para a trama e sua participação é completamente irrelevante. Em termos de atuação também não espere nada, a atriz entrega uma personagem sem sal e que está em cena só pra correr pra lá e pra cá atrás de Eddie e Venom. A história do casal foi tão sem graça que nem química eles têm.

Com roteiro e atuações fracas, Venom é o primeiro tropeço da parceria Sony e Marvel, o que já acende uma luz amarela com algumas perguntas: a fórmula de sucesso de Kevin Feige funciona fora de casa ou só dentro do Marvel Studios? Com base no que foi entregue, o que podemos esperar do futuro do universo do Homem-Aranha nos cinemas? Preocupado estou, como diria o mestre Yoda, mas acreditar ainda acredito. Esse longa foi um erro de concepção e execução e entra para o hall das pérolas de super-heróis nos cinemas.

Vale destacar que o filme tem duas cenas pós-créditos, portanto, mesmo sendo uma bomba, fique até o final.