O Mistério do Relógio na Parede

No dia 20 de setembro chega aos cinemas brasileiros O Mistério do Relógio na Parede, novo filme de fantasia estrelado por Cate Blanchett e Jack Black. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Apesar de ser basicamente desconhecido no Brasil, John Bellairs é um dos autores juvenis mais respeitados dos Estados Unidos. Falecido em 1991, a adaptação cinematográfica finalmente impulsionou o início da publicação de seus trabalhos no país, pela Editora Galera. Sua obra mais famosa é também seu trabalho de estreia, a trilogia do garoto Lewis Barnavelt, iniciada em 1973 com O Mistério do Relógio na Parede.

Órfão depois de um acidente de carro, Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro) vai morar com seu desconhecido e excêntrico tio Jonathan (Jack Black) em um condado do Michigan. Tendo como novo lar um casarão conhecido por ser assombrado, Lewis começa a perceber que a casa é tão cheia de segredos quanto o tio e a sempre presente vizinha, a Sra. Zimmerman (Cate Blanchett). Com vitrais que mudam suas ilustrações e móveis que parecem ter vida própria, Lewis não demora muito para descobrir que seu tio, assim como a Sra. Zimmerman, é um feiticeiro.

Mas os segredos não acabam por ai. Em algum lugar do coração da casa, está um relógio que não pode ser silenciado. Escondido pelo antigo dono da mansão, o maligno feiticeiro Isaac Izard (Kyle MacLachlan), o relógio é uma busca incessante para Jonathan, que teme o feitiço que o relógio pode guardar. Claro que tudo dá errado quando Lewis desobedece a única regra de seu tio e usa o livro de necromancia.

Em seu primeiro papel como protagonista Vaccaro vai muito bem, mas falta algo para despertar o mesmo que Asa Butterfield em A Invenção de Hugo Cabret. Para Black resta o costumeiro papel de olhos arregalados e caretas, mas desta vez comedido e talvez graças à Blanchett. A química entre os dois é evidente, gerando hilárias farpas que só dois grandes amigos são capazes de trocar. Mas esse não é o único papel da atriz, pois lhe cabe a tarefa de também dar vida à personagem mais interessante da trama.

O público infantil talvez não perceba, mas aos olhos dos adultos não escapará a triste história de Zimmerman. A grande feiticeira perdeu seus poderes após a 2ª Guerra Mundial. Sua explicação é de que foi ferida e o seu exterior se curou, mas continua “quebrada” internamente. Por uma foto vemos que tinha um marido e filha, juntamos as peças do destino dos dois quando Zimmerman serve chá a Lewis. Em seu braço está a tatuagem dos campos de concentração nazistas.

O Mistério do Relógio na Parede é a estreia do diretor Eli Roth em filmes infanto-juvenis, com direito até a uma pequena aparição. Unir o diretor de O Albergue ao roteiro de Eric Kripke, criador e roteirista da série Supernatural, parece ser uma escolha controversa para a classificação indicativa. Mas o resultado é positivo, os “sustos” são bem colocados e moderados. Com bonecas macabras e abóboras que vomitam sua polpa, é como assistir um episódio de Goosebumps.

Existe um ponto negativo porém, provavelmente vindo dos vícios de Roth e Kripke. Apesar de trabalharem com elementos fantásticos, as criaturas criadas por ambos são bem “reais” – por falta de adjetivo melhor. Sendo assim, o que define a história é exatamente o que lhe falta: Magia. O CGI está la, mas não é explorado da maneira correta, para trazer a aura que todos buscamos desde Hogwarts.

Mesmo assim, O Mistério do Relógio na Parede é um bom filme infantil, além de ser coroado com um cenário exuberante e belos figurinos dos anos 50. Ainda que não seja o novo Harry Potter, você sairá da sessão com o sentimento que o filme cumpriu seu papel de divertir. E, quem sabe, até desejando que as outras aventuras de Lewis sejam adaptadas.