1ª temporada de Castle Rock

Ontem (12), o serviço de streaming Hulu disponibilizou o último episódio da 1ª temporada de Castle Rock, série baseada nas obras de Stephen King. Mas fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a 1ª temporada de Castle Rock foi boa?

Qualquer adaptação das obras do Mestre do Terror causam apreensão entre seus fiéis seguidores, e com Castle Rock não foi diferente. Depois de tantos flops que não fizeram jus às histórias de King (oi, Torre Negra!), como uma série conseguiria trazer todos os elementos característicos sem focar em uma obra específica? Pois essa era a proposta divulgada pelos produtores: uma série que mostraria personagens conhecidos dos fãs, contando com arcos distintos em cada temporada.

A primeira coisa que notamos é que a 1ª temporada de Castle Rock entrega o prometido, e de uma maneira muito bem executada. Talvez, para aqueles que conhecem um pouco da obra de King, o mais assustador de suas histórias são os monstros. Mas, como o próprio autor já disse inúmeras vezes, o verdadeiro terror vem do fato de suas criaturas serem humanizadas. Ninguém é tão capaz de atrocidades como o ser humano. E é nisso que Castle Rock se baseia.

Ambientada no Maine, localização tão usada pelo autor, a 1ª temporada de Castle Rock segue os acontecimentos da cidade que dá nome à série. Comum nas obras de King, o programa usa uma narrativa bifurcada para contar a história de Henry Deaver (André Holland) e do Garoto (Bill Skarsgård). O primeiro é um advogado de defesa especializado em casos de corredor da morte. Já o segundo, é um rapaz que passou anos enjaulado em uma ala desativada da prisão de Shawshank.

O antigo diretor da prisão (Terry O’Quinn), que recentemente cometeu suicídio, acreditava que havia capturado o Mal encarnado e deveria mantê-lo preso. Sabendo da história, Henry retorna a sua cidade natal para ajudar o Garoto, enquanto enfrenta os fantasmas de uma infância perturbada. Filho adotado de um pastor (Adam Rothemberg), Henry carrega o estigma de ter matado o próprio pai, mesmo que não propositalmente. Além disso, deve conviver com a mãe Ruth (Sissy Spacek), sofrendo com Alzheimer, e seu novo marido, o ex-xerife Pangborne (Scott Glenn).

Porém, tudo o que Henry acredita é colocado à prova quando mortes brutais passam a acontecer nos locais por onde o Garoto passa. Mesmo para uma cidade amaldiçoada como Castle Rock, esses horrores parecem frequentes demais para serem mera coincidência. Nove episódios são necessários para que entendamos realmente a natureza do Garoto. Depois de nos guiar ao erro, a série entrega uma explicação tão absurda quanto se espera. Mas faz sentido. Afinal, isso é Stephen King.

Do elenco, fica difícil saber quem se destaca mais. Mesmo que Skarsgård não tenha mostrado todo o seu potencial, como fez com Pennywise, seus olhos tornam o silencioso Garoto mais eloquente do que vários outros personagens. Já Holland segura bem a barra de protagonista, Deaver parece fazer parte do ator. Talvez o destaque fique para Spacek, graças ao 7º episódio. Intitulado The Queen, temos uma amostra da realidade de Ruth ao viver com Alzheimer. Com uma desorientação impiedosa, finalmente temos empatia completa pela mulher que vive perdida no tempo de suas próprias memórias.

Quanto às tão comentadas referências, nenhuma é crucial para entender a narrativa. Mas deixam as coisas mais interessantes. Pessoas comentam sobre o cachorro com raiva que aterrorizou a cidade, mas você sabe que ele se chamava Cujo e qual foi seu destino? Ou que a prisão de Shawshank é a mesma de Um Sonho de Liberdade? Talvez a explicação de Jackie Torrance (Jane Levy) sobre seu nome não tenha lhe causado qualquer reação, mas a personagem assumiu que seu tio é o principal de O Iluminado.

Em meio a tantos pontos positivos, é preciso destacar o único defeito de Castle Rock. O ritmo lento é facilmente perdoado se comparado com a riqueza da narrativa. Porém, o fechamento rápido não parece digno para a série. Fica evidente que os roteiristas, assim como os seguidores do autor, colocaram suas expectativas alto demais para apenas 10 episódios. Talvez por terem o próprio King como produtor, o final cambaleia e é inferior aos demais episódios, mas ainda sim funciona.

Podemos concluir que a 1ª temporada de Castle Rock é um prato cheio para os novos e antigos fãs de King e, como todas as suas obras, vai muito além do sangue e mortes. Então, não falhe em aprender com a suas mensagens e desfrutar as reações incomodas que elas despertam. O ponto chave para essa temporada foi a dúvida. Se, mesmo após 10 episódios, essa série garantir que você não tem certeza de quem é bom ou mau, então ela foi bem sucedida.