O Que de Verdade Importa

No dia 27 de setembro, chega aos cinemas O Que de Verdade Importa, um filme que reverterá toda a arrecadação da bilheteria para sete instituições que combatem o câncer infantil. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

O engenheiro Alec Bailey (Oliver Jackson-Cohen) mora em Londres e tenta, sem muito êxito, ganhar a vida consertando eletrodomésticos, mas sua situação financeira está cada vez pior. Inesperadamente, surge Raymond Heacock (Jonathan Pryce), um tio desconhecido que lhe propõe quitar todas as dívidas, desde que Alec se mude para uma pequena cidade na Nova Escócia, no Canadá, por pelo menos um ano. Desconfiado, mas sem muitas opções, ele aceita a proposta do tio e inicia uma incrível jornada de descoberta, aprendizado e redenção. Tudo começa quando ele conhece Cecília (Camilla Luddington), a veterinária da cidade. Ela se oferece para fazer um anúncio atrativo e de duplo sentido para oferecer os trabalhos de Alec, levando os moradores a acreditar que ele tem o dom da cura.

Temos aqui um clássico problema de expectativa versus o produto final. Quando você lê no primeiro parágrafo que o filme reverterá sua arrecadação para instituições que combatem o câncer infantil, automaticamente você pensa: “ok, vou assistir um filme sobre a doença”. Contudo meu caro leitor, é ai que as coisas começam a desandar.

Não vou entrar no plot twist para não estragar a sua experiência, mas o filme não é o que parece. Acalme-se, a trama apresenta a questão do câncer infantil, mas a forma como o roteiro trabalha a questão do “dom da cura”, quebra completamente a expectativa do espectador ao entrar na sala de cinema. Confesso que conforme a história foi se desenrolando, pensei: “meu Deus, o que tá acontecendo aqui?”. Sério, é surreal a entrega final do roteiro. Não esperava por isso e não me surpreendi de uma forma positiva.

O Que de Verdade Importa começa cheio de potencial, apresentando um protagonista que precisa encontrar um rumo na vida e uma oportunidade de recomeçar que muitos de nós gostaríamos de ter. Até ai as coisas estavam indo bem, mas quando a mudança acontece, o roteiro se perde completamente na história, não deixando claro se a ideia era seguir pro campo sobrenatural ou lição e amadurecimento psicológico.

Não só o roteiro é fraquíssimo, mas também a execução do que vemos em tela deixa a desejar. O protagonista vivido por Oliver Jackson-Cohen não convence dentro do que a trama propôs. Tudo fica muito falso, forçado e plástico. Tive a nítida sensação de estar vendo um crossover entre Harry Potter e Deus Não Está Morto.

Camilla Luddington tem carisma, mas não o suficiente para salvar a salada que o roteiro propôs. A atriz funciona bem em tela e tem química com Oliver, mas isso não é o suficiente.

O Que de Verdade Importa é um filme que tinha potencial para trazer ao mundo uma história de combate ao câncer e as doenças de modo geral, mas no fim das contas, se perde e apresenta um roteiro fraco, mal executado e com uma direção que não define qual caminho deseja seguir, se é o da ficção, do drama, da comédia ou do religioso.