No dia 27 de setembro, chega aos cinemas 10 Segundos Para Vencer, um filme estrelado por Daniel de Oliveira e Osmar Prado. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

O filme revela a incrível trajetória de Éder Jofre, que desafia seus próprios limites até conquistar seu primeiro cinturão de ouro, em 1961, nos Estados Unidos. Depois de cinco anos de glória, defendendo o título sem nunca ter sofrido um nocaute, em 1966 ele decide parar de lutar para levar uma vida comum, longe dos ringues, mas perto da mulher, Cida, e dos filhos pequenos. A paixão pelo esporte leva Éder a voltar a treinar e, mesmo após um longo período parado, ele recupera a antiga forma e conquista mais um cinturão de ouro, em 1973, aos 37 anos.

Quando nos deparamos com filmes como 10 Segundos Para Vencer, encontramos uma história de luta, esforço, superação e muita dedicação. Sabe aquela frase: “um campeão é aquele que se recusou a desistir”? Isso resume bem o que vemos em tela ao longo das duas horas de filme. A jornada de Éder Jofre retratada por Daniel de Oliveira, é inspiradora e nos faz sair da sessão cheios de garra e vontade de vencer.

10 Segundos Para Vencer é um filme que desperta a fome de lutar por aquilo que acreditamos. Ver tudo pelo que Éder Jofre passou para se tornar um campeão, além de impressionante, é motivador. Se você sonha com algo e acredita naquilo, abrace com todo o seu coração e se dedique cento e dez por cento. Com esforço, dedicação e uma pitada de sorte, as coisas se concretizam e os sonhos saem do papel.

O futebol sempre foi o esporte mais valorizado pelo brasileiro, o que a meu ver, é um total desserviço, se considerarmos que temos grandes talentos em outras modalidades que não têm o mesmo investimento e incentivo. Torço para que 10 Segundos Para Vencer chegue aos cinemas servindo como combustível para inflamar as pessoas a praticarem outros esportes e voltarem a valorizar o boxe. Afinal, muito antes de existir o UFC e o octógono, eram os ringues e os boxeadores que reinavam.

Em termos de atuação, começo destacando o impressionante trabalho de Osmar Prado, que deu um show na pele de Kid Jofre. O ator veterano vestiu a camisa e entregou um treinador dedicado, muitas vezes frio e cruel com seus métodos, mas extremamente vitorioso e sábio no que diz respeito ao boxe. Osmar consegue trazer verdade e sentimento para às telas e chega a nos tocar em vários momentos. Como espectador chegamos a sentir raiva de suas atitudes, mas em contrapartida, enxergamos o mesmo potencial que ele vê em Éder, e passamos a compreender os seus motivos e porquês.

Ricardo Gelli deixou os palcos dos teatros para brilhar como coadjuvante em 10 Segundos Para Vencer e levar o prêmio no Festival de Cinema de Gramado. O ator consegue nos passar a malandragem e a boemia de um homem que tinha potencial para ganhar o mundo, mas desperdiçou por conta da falta de maturidade e seriedade no trabalho.

Por fim, chegamos a Daniel de Oliveira que é um dos maiores atores brasileiros da atualidade. Além de impressionar com o preparo físico para viver esse papel, ele consegue trazer para às telas sua sensibilidade e leveza, o que quebra um pouco a brutalidade e o lado bronco do personagem. O ator esbanja carisma, então é fácil gostarmos de Éder, tanto nos ringues quanto como ser humano. Daniel conseguiu mesclar bem a sua essência com a do personagem, criando uma figura empática e que é sinônimo de esforço, luta e dedicação.

É perceptível que 10 Segundos Para Vencer tinha muito mais material do que foi preparado para os cinemas. Com quase três horas de filmagens, o diretor teve que optar por cortar e deixar algumas coisas de fora. Na hora da edição, sentimos alguns cortes bruscos e que dão a sensação de que tinha mais material naquela cena. Só destaco esse ponto por preciosismo, mas essa crítica não afeta o produto final.

De modo geral, 10 Segundos Para Vencer é mais um filme nacional de qualidade que merece ser visto nos cinemas. Os amantes de boxe vão adorar e quem viveu e acompanhou a história de Éder Jofre, vai sentir uma gostosa nostalgia dos tempos de outrora.