Madeline Brewer

Madeline Brewer no Brasil para divulgar a nova temporada de The Handmaid’s Tale!

A convite da Paramount Channel Brasil, participamos de um bate papo com Madeline Brewer, a Janine de The Handmaid’s Tale. Em comemoração à estreia da 2ª temporada no país, a atriz falou sobre a produção, sua personagem e a violência sofrida pelas minorias.

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Como é estar no Brasil? Você tinha noção da febre que The Handmaid’s Tale é no país?

Estou entusiasmada por estar aqui! O que notei dos fãs brasileiros é que eles são muito apaixonados pela série. Eu realmente não esperava esse tipo de recepção, então estou mais do que feliz de ter vindo promover a série.

Teve tempo de visitar algum lugar, comer comidas típicas? Beber caipirinhas?

Ainda não cheguei nas caipirinhas, talvez mais tarde. Tenho feito muito divulgação, mas tenho algumas horas de folga hoje, espero conseguir conhecer um pouco da cidade. Mas comi muito pão de queijo. E amei!

O que você pode nos contar da nova temporada de The Handmaid’s Tale? Talvez alguns spoilers?

Nada de spoilers! O grande tema da 2ª temporada é maternidade. Talvez um pequeno spoiler é dizer que Janine passa por momentos muito emotivos com Charlotte, sua bebê.

Por você ser mulher, como foi gravar a 1ª temporada? Já que a série trata de eventos surreais, mas não impossíveis de acontecer.

O assunto abordado e a personagem são bem intensos e complexos. Filmar a 1ª temporada, lidar com os tópicos abordados na série e traçar um paralelo com a realidade atual, em especial nos EUA, foi muito difícil. Mas, ao mesmo tempo, havia a importância de contar essa história naquele momento específico.

Qual sua cena favorita da 1ª temporada?

A cena em que Janine dá a luz à Charlotte. Foi intenso e exaustivo, mas todo o amor e suporte que recebi no set de filmagens transformou toda a experiência.

Gostaria de saber mais sobre o processo criativo. Sabemos que a 1ª temporada foi baseada no livro da Margaret Atwood, enquanto a segunda foi construída pelos roteiristas. Se os atores foram instruídos a ler o livro e como isso funcionou para a nova temporada.

Realmente nos atemos à história de Margaret na 1ª temporada, mas ainda existem elementos do livro na nova parte. Como atriz, qualquer elemento que eu queira trazer para a personagem, seja do livro ou pessoal, é encorajado. Foi para isso que me contrataram! Mas sei que os produtores querem se manter verdadeiros ao processo inicial de Margaret. Sendo assim, todos esse atos desprezíveis cometidos contra as mulheres realmente aconteceram em algum canto do mundo. Foi assim que ela escreveu o livro em 1985.

Os roteiristas se comunicam com a ONU sobre as agressões contra as mulheres que estão acontecendo nesse momento no mundo e trazem para a série. Acredito que é isso que torna a 2ª temporada tão difícil de assistir. São assuntos relevantes, que parecem acontecer dentro da sua casa.

Mais sobre a produção, existe a conversa entre atores e roteiristas sobre as questões que afetam a política mundial de modo que isso afete diretamente a história?

Acredito que você está dando mais poder aos atores do que nós realmente temos. Tudo isso já está decidido no momento em que entro no set. Dito isso, posso dizer que trago para a personagem que interpreto tudo o que vejo acontecer no meu país e ao redor do mundo. Não fazer isso, ignorar os fatos, seria um desserviço do meu trabalho. Temos roteiristas brilhantes que criam algo para entretenimento que também é real e impactante. Sei que existem conversas sobre o que eles devem escrever. Eles contam uma história que é ficção, mas nem por isso significa que não terá influência sobre o que acontece no mundo. Eles assistem o noticiário, não há um modo de não penetrar no que fazemos. Mas acredito que eles chegam ao trabalho com uma agenda, posso dizer por mim mesma que não é o que faço.

Faltando pouco mais de duas semanas para a premiação do Emmy, o quão confiante você está que The Handmaid’s Tale sairá vencedora novamente?

Obviamente estou muito esperançosa. Como somos os vencedores do ano passado, acredito que temos uma ótima chance. Mas, estamos em uma época incrível para a televisão. Acredito que podemos ganhar, mas se não acontecer, continuaremos a fazer esse ótimo programa.

Quanto tempo demora a sua caracterização e como ela afeta a sua interpretação? E qual a emoção de vestir a túnica da Aia?

O olho em particular leva por volta de 45 minutos para aplicar. É muito chato, mas amo por criar muito do que é Janine. Quando a interpreto, literalmente coloco sua pele e ao fim do dia tiro e volto a ser Madie novamente. Como atriz é divertido e desafiador interpretar alguém que não tem parte da visão, é um desafio e desorientador.

Já quanto as túnicas vermelhas, quando há um grande grupo no set é algo surreal. Ver as Aias descendo a rua é como um rio vermelho fluindo. Então você vê uma delas puxando o celular e mandando mensagens. Eu penso ’em que época eu estou?’. Para mim, todo o amor e trabalho colocado em cada costura das túnicas torna a experiência de vesti-los em algo sagrado.

A série retrata a violência contra as minorias. Como é o preparo dos atores para essas cenas? Sejam para as Aias ou seus agressores.

Seja o personagem bom ou mau, vítima ou perpetuador, acredito que como ator você quer acreditar que suas motivações são verdadeiras. Então, retratar esses personagens é difícil. Eu quero acreditar que as Aias são o lado bom e as vítimas da história, enquanto os comandantes são os opressores. Mas podemos ver que eles são personagens multifacetados, ninguém é puramente bom ou mau. A violência contra a mulher é retratada daquele modo por ser uma sociedade patriarcal extrema. Sendo assim, o comandante Waterford acredita ser justo e correto.

Eu abordo as cenas com nada além de amor pela Janine. E acredito que é o mesmo que Joseph Finnes faz com Fred Waterford. Não que ele esteja certo…

As críticas americanas já deixaram claro que essa temporada será muito mais difícil de assistir. O público pode esperar momentos de alívio e esperança?

É realmente mais obscura e difícil de assistir. Porém, esperamos muito de nossos espectadores. Queremos que eles sintam, pensem e questionem o que estão vendo. Mas os momentos leves estão lá. Em especial Janine. Claro que ela é minha favorita, e principalmente por trazer esperança. Mesmo nos momentos mais sombrios, a série tem a capacidade de mostrar uma luz.

Como atriz, o que a fez se atrair para assuntos tão delicados? Você e suas colegas vivem o clima de sororidade que vemos na tela?

A série me trouxe um entendimento e respeito pela amizade entre mulheres que acredito que não tinha antes. Agora tenho a necessidade de dizer que amo e aprecio minhas amigas.

Janine parece não aceitar sua realidade, como você espera que ela amadureça nas próximas temporadas?

Janine realmente não aceita sua realidade na 1ª temporada. Já na 2ª, ela sente uma pura gratidão pela vida. Seu otimismo e refusa em ver a escuridão são a sua forma de resistência. Eu adoraria ver Janine usar esse seu poder de uma maneira mais tangível, usar o fogo que vimos em sua primeira cena na série. Ainda está lá, não é algo que podem arrancar dela.

Você acredita que as pessoas estão mais receptivas para temas como os sororidade e feminismo?

Acredito que estamos em um momento particularmente fascinante da História. Acredito que as pessoas estão chamando de ‘terceira onda do feminismo’, e tudo bem. Eu me identifico como feminista, me sinto empodeirada por isso e sei o que significa para mim. Muitas pessoas parecem não concordar sobre a definição de feminismo. Mas se lutamos pela mesma causa, não importa do que você se intitula.

Quando Margaret escreveu o livro se baseando em coisas que aconteceram ao redor do mundo em algum momento. Quando você não tem esse conhecimento, não o vê ou sente, não pode questionar esses atos. Os roteiristas continuam esse trabalho. Hanna é separada de June ao mesmo tempo que uma criança é afastada de sua mãe na fronteira do Texas. Quando isso é trazido para dentro da sua casa pela série, você se empatiza e percebe que é algo errado que deve ser combatido. Os espectadores são forçados a reconhecer os paralelos com a realidade. Se não aprendermos com a História, estamos fadados a repetir os erros.

Não precisamos ter um futuro como Gilead, precisamos aprender a lutar pelo que é importante. Não por coisas como ‘eu sou feminista e você não’.

O livro de Margaret já foi adaptado de várias formas. Por que a história ganhou um maior impacto no formato atual?

Quando o livro foi publicado 30 anos atrás, ele abalou o mundo. Isso se deve ao fato de ser tão intoxicante e assustador. Ainda é relevante nos dias atuais porque a luta continua. Não atingimos Gilead ainda, mas não é uma realidade distante. Eu assistiria qualquer tipo de adaptação da história, mas agora acredito que as pessoas conseguem se ver na série. O espectador vê parte de sua vida retratada naquele mundo.

Agora que vivemos nessa época onde toda informação está na palma da mão, é impossível não traçar paralelos com a realidade. Torna tudo ainda mais assustador. Tenho orgulho da nova vida que a história recebeu, pode ser mais relevante do que apenas entretenimento.

Como você acha que agiria se fosse colocada em uma situação como a da série?

Eu gostaria de acreditar que seria forte e imutável. Mas, se apresentada a essa situação, eu provavelmente desmoronaria. Como Janine. Ela pensava que não seria domada e veja o que aconteceu. Arrancaram seu olho e ela se tornou perdida em seu próprio mundo. Mesmo assim, não conseguiram tomar as experiências antes de Gilead que a tornaram o que ela é.

Qual o principal motivo para alguém começar a ver The Handmaid’s Tale?

É o auge da televisão. Lindamente filmado e com ótimas atuações. É artístico em todos os níveis. Mas também, se você gosta de ser desafiado como espectador, confira a série.

A entrevista completa com Madeline Brewer está disponível no Facebook do Paramount Channel Brasil.

Já a 2ª temporada de The Handmaid’s Tale chega ao canal no dia 2 de setembro, às 21h. Vale lembrar que a emissora abrirá o sinal para todos os assinantes da Vivo, Sky e NET.

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