3ª temporada de Preacher

Foi ao ar nos EUA o último episódio da 3ª temporada de Preacher, série baseada na graphic novel de Garth Ennis e Steve Dillon. Mas atenção, essa crítica CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a temporada foi boa?

Quando as primeiras imagens oficiais da 3ª temporada de Preacher começaram a ser lançadas, uma mensagem era passada: “Não assista se você se ofende facilmente“. Sendo assim, ninguém pode dizer que não foi avisado. Conhecido pelo seu humor negro e nem um pouco politicamente correto, o criador Seth Rogen finalmente entregou o que vinha ensaiando por duas temporadas.

O novo ano de Preacher começa com Jesse Custer (Dominic Cooper) recorrendo à sua avó para trazer Tulip (Ruth Negga) de volta à vida. Além de lidar com a ira do vampiro Cassidy (Joseph Gildun), Jesse deve conviver com aqueles que causaram a morte de seus pais e pagar o preço pela magia realizada. Para recuperar sua amada, Jesse deve dar o controle de sua vida para a diabólica avó, Marie L’Angelle (Betty Buckley).

Para evitar que o neto a matasse para se livrar do pacto, Marie uniu sua vida à de Tulip ao trazê-la de volta. Com a necessidade de obrigar sua avó a liberá-los, Jesse precisa do pedaço faltante de sua alma para reativar o Gênesis. Sendo assim, reconstituir a alma do pastor passa a ser o centro da trama.

Enquanto Herr Starr (Pip Torrens) e o resto do Graal escondem o pedaço faltante da alma de Jesse para convencê-lo a ser o Messias, aprendemos mais sobre o passado do protagonista. A adolescência passada na propriedade da família foi o que tornou o filho de pastor em um homem tão violento. Todos os flashbacks são sempre um ponto alto, trazendo o ar voodoo e pantanoso da Louisiana.

Em especial, o episódio que mostra as Tumbas. É para este canto da propriedade de Angelville que Marie envia aqueles que não pagaram suas dívidas e acabaram sem alma. Lá, o jovem Jesse (Will Kindrachuk) era responsável por entreter durante as lutas clandestinas dos desalmados e atrair novos clientes.

Mas, você pode estar se perguntando: como isso é ofensivo? Bem, essa parte está livremente distribuída entre os episódios. Na 3ª temporada de Preacher o santo e o profano se unem livremente de maneira violenta e cartunesca. Como o Allfather D’Aronique (Jonny Coyne), cardeal morbidamente obeso que mata sentando na cabeça de suas vítimas. O egoísta e egocêntrico Deus (Mark Harelik) vestido com uma roupa de cachorro feita de látex. Ou simplesmente a figura do herdeiro de Cristo como um todo, Humperdoo (Tyson Ritter).

Entre farpas e críticas à religião, o sangue esguicha por todas as cenas. Adotando de vez o visual dos quadrinhos, Preacher traz mortes e desmembramentos da maneira mais gráfica possível. Jesse esquarteja Cass para colocá-lo em uma caixa. Diversos clones de Humperdoo explodem em câmera lenta. Sequências de luta em meio às tripas do morto. Tudo isso com uma boa música ao fundo. Para aqueles que achavam que o Cara de Cu (Ian Colletti) era muito bizarro, nem tente assistir a nova temporada.

E as provocações não param na religião e visual, elas também passam para a política. Enquanto o Santo (Graham McTavish) caça Hitler (Noah Taylor) na terra, os seguidores do Füher vão ao seu resgate. Em meio aos uniformes da SS e suásticas lá estão os bonés vermelhos da campanha eleitoral de Trump, “Make america great again“.

Em resumo, a 3ª temporada de Preacher continua o trabalho de adaptar a improvável graphic novel da maneira mais fiel possível. Voltando ao formato de 10 episódios, não há um sequer que não traga um evento relevante à trama. Novos personagens interessantes foram apresentados (e mortos sem piedade), enquanto o último episódio trouxe o gancho para o assunto a ser explorado a seguir: Anjos. Basta esperar que a produção consiga vencer as críticas da “geração mimimi”, se apoiar em sua fervorosa base de fãs e conseguir uma 4ª temporada.

No Brasil, Preacher é disponibilizada pelo serviço de streaming Crackle.