1ª temporada de Sharp Objects

Ontem (26) foi ao ar na HBO o último episódio da 1ª temporada de Sharp Objects, série baseada no livro homônimo de Gillian Flynn. Mas atenção, essa crítica CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, foi bom?

Apoiada no sucesso de Big Little Lies, a HBO trouxe mais uma adaptação de suspense protagonizado por mulheres. Baseado no livro de estreia da autora de Garota Exemplar, Sharp Objects (Objetos Cortantes em português) conta sobre o retorno da repórter Camille Preaker (Amy Adams) à sua cidade natal, Wind Gap. Enquanto cobre o assassinato brutal de duas adolescentes, Camille ainda deve lidar com os dramas familiares que tentou evitar por anos.

Sempre à beira de um surto psicótico, Camille é uma alcoólatra funcional que se auto mutila desde a adolescência. Traumatizada pela morte da irmã mais nova e um estupro, suas tendências destrutivas e luta interna permitiram o formato de mini série sem cansar ou confundir o telespectador. Mesmo com os dois episódios iniciais sendo lentos, a 1ª temporada de Sharp Objects assume um ritmo que consegue manter até o final.

Apesar de ditarem o tom sombrio da série, os assassinatos não são seu foco central, mas sim o relacionamento entre a protagonista, sua mãe Adora (Patricia Clarkson) e sua meia-irmã Amma (Eliza Scanlen). A prioridade, assim como no livro, era mostrar por meio dessas três mulheres emocionalmente perturbadas como a violência e abuso são passadas de geração para geração. Aqui os homens têm pouca, para não dizer nenhuma, relevância para a narrativa.

Adora Crellin é a cidadã modelo de Wind Gap, dona de um matadouro de porcos e perpetuamente a “pobre mãe de uma criança morta”, título que carrega com orgulho. Com a atuação perfeitamente distante de Clarkson, podemos vê-la no passado cuidando de sua filha Marian (Lulu Wilson) com um zelo perturbador, enquanto renega a jovem Camille (Sophia Lillis). Já no presente, seus sentimentos por Camille não mudaram e toda a sua atenção foi desviada para a terceira filha, Amma.

Arrogante, mimada e dissimulada, Amma se mostra a filha perfeita para Adora, enquanto sai escondida para beber e usar drogas com as amigas. Depois de uma noite agitada, Amma finge que sua ressaca é uma doença apenas para ser assistida pela mãe. A típica mean girl americana: não se importa com os sentimentos de ninguém, mas deseja ser amada por todos. Scanlen faz um trabalho tão bom como a garota que a aversão pela personagem cresce a cada cena.

A série entrega diversas pistas para levar o espectador ao erro. A trama é tão focada na família Crellin, que não é surpresa de onde o assassino sairá. O que torna a história tão bem executada são os motivos que levaram aos fatos perturbadores, como a loucura está atrelada à essa família. O momento de clareza de Camille parece chegar tardio, mas não somos todos cegos quando se trata dos nossos parentes?

Um ponto baixo talvez tenha sido a escolha de como mostrar os assassinatos sendo executados. Quando tudo parece bem, com a aparente culpada presa, chega o plot twist nos minutos finais do episódio. Temos a surpresa de que Amma é uma psicopata que até mesmo guarda souvenires de suas vítimas, mas é tudo muito rápido. Uma cena pós-créditos mostra como os crimes foram cometidos, mas a filmagem e a curta duração podem ser um empecilho para perceber que Amma teve a ajuda de suas amigas.

O fim do livro supera o da 1ª temporada de Sharp Objects. Camille se afunda na depressão novamente e é ajudada pelo seu chefe, Frank (Miguel Sandoval). Com a certeza de que não haverá 2ª temporada, já sabemos que essa nova luta de Camille não será explorada. Mas não há necessidade. Mesmo com o rápido desembaraçar da trama, a temporada foi suficiente para fazer jus à obra de Flynn.

Todos os episódios da 1ª temporada de Sharp Objects estão disponíveis na HBO GO, enquanto o best-seller Objetos Cortantes é publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.