Escobar - A Traição

No dia 23 de agosto chega aos cinemas brasileiros Escobar – A Traição, filme que conta a ascensão e queda do traficante pelos olhos de sua amante. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Siga nossas redes sociais:

Mas afinal, o filme é bom?

Interpretado por Wagner Moura, Benício del Toro e agora Javier Bardem, o colombiano Pablo Escobar parece ter entrado de vez para a cultura popular. A curiosidade sobre um dos maiores narco traficantes da história é imensa, e não faltam fontes para adaptações sobre a sua vida. No caso de Escobar – A Traição, a base foi o livro “Amando Pablo, Odiando Escobar” de Virgínia Vallejo, uma de suas amantes.

O filme parte da primeira visita de Virgínia (Penélope Cruz) à Hacienda Nápoles, na época já uma jornalista conhecida e bem sucedida. Em meio aos questionamentos de onde veio toda a riqueza do lugar, conhece Escobar (Bardem) e seus planos para o futuro da Colômbia. Decidida a se importar apenas com o bem que o traficante decide fazer com o dinheiro, Virgínia se torna sua amante.

O filme segue aproximadamente dez anos da vida de Escobar, sendo esse o seu maior erro. A criação do Cartel de Medellín, a explosão do avião da Avianca, os sicários, os assassinatos em La Catedral, tudo passa pela tela sem ser devidamente explorado. Fica difícil acreditar que para aqueles que não conhecem a história do Patrón, ou não viram a série Narcos, seja fácil acompanhar os eventos e entender a magnitude dos danos causados por Escobar.

Com a chance de mostrar como uma mulher financeiramente independente e famosa acabou se submetendo ao papel de amante, o diretor Fernando Léon de Aranda decidiu focar no traficante. Para Virgínia, sobra as ameaças pelo telefone e um atentado contra sua vida. Crítica ferrenha de como foi retratada na série da Netflix, Virgínia Vallejo pode ter conseguido uma atriz de primeira para interpretá-la, mas não foi dessa vez que conseguiu fazer o público entender seu papel de vítima e não cúmplice.

Outro erro imperdoável do diretor, foi a escolha de fazer a produção na língua inglesa. Atores falantes da língua espanhola, interpretando latinos, se comunicando em inglês é primeiramente um despropósito. Com o decorrer do filme, se torna um incômodo grande demais para ser menosprezado.

Por fim, Escobar – A Traição pode ser definido como uma boa premissa, porém mal executada. Cruz e Bardem tentam, mas são reprimidos por um roteiro pobre que não permite que mostrem todo o seu conhecido potencial. Talvez o filme seja vítima do mau timming, já que fica difícil bater o aprofundamento de duas temporadas de uma série, além do carismático Escobar interpretado por Moura.