Christopher Robin

Em 16 de agosto chega aos cinemas brasileiros Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível, filme que reúne o Ursinho Pooh e seus amigos. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Em 1926, o autor inglês A.A. Milne dava vida aos brinquedos de seu filho em uma série de poemas infantis que se tornaram um sucesso instantâneo. Elevando Christopher Robin ao status de celebridade, o garoto acabou sendo enviado a um colégio interno para fugir de toda a atenção e se tornar um garoto normal. Essa história foi retratada em Adeus, Christopher Robin e deixou um gosto amargo para os fãs dos personagens, mostrando como o ursinho teve um impacto negativo na vida de seu dono.

Sendo assim, a Disney chega com Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível para reverter a situação. O Christopher mostrado no filme não é o filho de Milne, mas sim o garoto que vimos no desenho animado brincando no Bosque dos Cem Acres. Chega o dia em que o menino (Orton O’Brian) deve dizer adeus aos seus companheiros de aventura e embarcar para a vida adulta, prometendo nunca esquecê-los. Afinal, quem esqueceria ursinhos de pelúcia falantes?

Mas a vida acontece. A morte do pai, a guerra e a responsabilidade de sustentar a família, somam para Christopher (Ewan McGregor) se tornar o homem distante que Milne foi, e passe 30 anos sem nem ao menos pensar em seus amigos de infância. Agora trabalhando em uma empresa de malas de viagem, cede aos comandos de seu patrão Winslow (Mark Gatiss) para trabalhar no fim de semana ao invés de viajar com sua esposa (Hayley Atwell) e a filha, Madeline (Bronte Charmichael).

Enquanto isso, no Bosque dos Cem Acres, o ursinho Pooh (Jim Cummings) acorda para um dia que parece ser igual a todos os outros: comer mel e não fazer nada. Mas a falta de mel e o sumiço de todos os seus amigos, fazem Pooh entrar pela árvore que era apenas para Christopher e acabar magicamente em Londres. A explicação é simples, “uma porta aparece quando precisamos”.

Começa então, a corrida de Christopher para levar Pooh de volta e continuar seu trabalho. Mas o tempo e distância não são os maiores obstáculos, e sim a incapacidade de Pooh em perceber que aquele em quem ele pensou todos os dias, não tem mais paciência para suas infantilidades. Obviamente, é o urso de “pouco cérebro e muito coração” que mostra a Christopher como sua vida está sendo desperdiçada.

Todos os outros têm seu momento de reencontrar Christopher e roubar a cena, nenhum ator tem qualquer chance quando as pelúcias ganham vida. O saltitante Tigrão (Jim Cummings), o medroso Leitão (Nick Mohammed) e o melancólico Ió (Brad Garrett) trazem de vez o ar do desenho para as telas. Responsáveis por basicamente todo o alívio cômico, deixam os momentos tocantes para Pooh.

Momentos esses que são sutilmente colocados. Como o fato de Pooh, diferente de todos os outros, reconhecer imediatamente o crescido Christopher. Ou não se lembrar se a névoa que tomou conta do Bosque é contínua, já que “faz sol quando Christopher Robin sai para brincar” e é isso o que ele tem aguardado. Ou pelo simples fato de Pooh esperar seu amigo durante todos esses anos, sem cobrar uma explicação e com uma fé inabalável.

Filmes sobre adultos que esquecem o que é ser criança são a especialidade da Disney, e o estúdio não falha. Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível é exatamente o que propõe: um filme divertido para a família, com uma mensagem no final. Se você, assim como o adulto Christopher, não consiga (ou não queira) acompanhar o raciocínio do ursinho, esse filme não é para você. Mas, para aqueles que foram tocados por esses personagens em sua infância ou usarão o filme como porta de entrada para os moradores do Bosque, impossível não sentir a doçura da magia Disney em cada cena.