No dia 09 de agosto, chega aos cinemas O Animal Cordial, o novo filme estrelado por Murilo Benício. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Animal Cordial

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Mas afinal, o filme é bom?

Um restaurante de classe média em São Paulo é invadido, no fim do expediente, por dois ladrões armados. O dono do estabelecimento, o cozinheiro, uma garçonete e três clientes são rendidos. Entre a cruz e a espada, Inácio – o homem pacato, o chefe amistoso e cordial – precisa agir para defender seu restaurante e seus clientes dos assaltantes.

O Animal Cordial é uma história que traz várias questões interessantes para a tela. O preconceito, o machismo, o abuso no trabalho, são alguns dos pontos que o roteiro explora no decorrer do longa. Contudo, a produção não é eficiente ao passar as mensagens, pois as críticas ficam perdidas nas diversas camadas do filme e acabam não entregando o que propõe de forma clara e sim subjetiva.

Como crítico e consumidor, avalio que um produto só é eficiente quando a mensagem central é passada de forma clara. É muito diferente sair de uma sessão discutindo a história por conta dos pontos que ela levantou, de sair conversando para tentar entender a loucura que foi mostrada em tela. Os criadores têm todo o direito de por pra fora a sua genialidade, crítica e temas que julgam interessantes, desde que o produto final se torne claro para a ponta que vai consumir. Costumo dizer que se para você entender o filme você precisa ler ou ver o diretor falando sobre, a entrega final falhou. Claro que tudo isso vai de encontro com a intenção de quem criou. Se hoje estamos lutando para o cinema nacional ter credibilidade com os brasileiros, os longas têm que trazer qualidade e uma linguagem que fale com a massa, e O Animal Cordial peca no segundo ponto.

Continuando a explanação acima, os elementos presentes em O Animal Cordial são simples e conversam com o dia-a-dia de muita gente. O problema do longa é a forma como a história foi contada e os fatos se desenrolaram. O subtexto e as milhares de camadas fez com que a experiência se tornasse cansativa e insana. O filme começa descer ladeira abaixo e quando você para pra pensar, a sensação que dá é: mas que catso é isso o que eu estou vendo? A mensagem não foi bem trabalhada e você só entende o que o roteiro propôs quando e se parar pra pensar sobre ele.

Em termos de atuação, Murilo Benício vai bem ao embarcar na loucura de seu personagem. O protagonista tem uma curva de transformação interessante e alterna entre a insanidade e a violência. Contudo, Luciana Paes é quem merece o nosso destaque. Se entregando de corpo e alma, a atriz abraça o papel e vai da mulher subjugada para a versão mais animalesca e violenta do ser humano.

Não entre na sessão de O Animal Cordial esperando um filme de terror. Acredito que a melhor maneira de classificar essa experiência, é um retrato denso e brutal da dura realidade que muitos brasileiros vivem. Preste atenção no que está além da obviedade e entenda as críticas que o roteiro quis fazer através de seus personagens.