Acrimônia

No dia 09 de agosto, chega aos cinemas Acrimônia, o novo filme distribuído pela Paris Filmes. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Acrônima

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Mas afinal, o filme é bom?

O filme é narrado principalmente por meio de flashbacks, com Henson recontando a história de como ela conheceu seu marido e todos os abusos que silenciosamente sofreu ao longo dos anos, antes de se tornar cruel e vingativa.

Acrimônia é um filme muito importante para os dias de hoje. Não que o assunto abordado seja um mal da atualidade, mas infelizmente somente nos dias atuais assuntos como relacionamentos abusivos e tóxicos são discutidos.

O longa tem um início muito bom e usa dos flashbacks para sermos apresentados aos personagens e entendermos como a protagonista se tornou uma mulher amarga e furiosa. O elenco jovem e a forma como a narrativa vai se desenvolvendo no passado é muito boa. A atriz Ajiona Alexus merece destaque por nos sensibilizar com a história de Melinda e ao mesmo tempo nos fazer querer abrir os olhos da personagem.

Um ponto que merece destaque é a forma como o longa explora os sentimentos da protagonista. Dividido em blocos, o filme traz uma quebra destacando e trazendo o significado do sentimento que será explorado naquele momento e isso desperta curiosidade e torna a experiência interessante até que as coisas começam a desandar.

Quando a introdução termina e ficamos só com o elenco mais velho, o filme continua explorando a história do abuso e o desgaste da protagonista. A narrativa de Melinda pode ser comparada à uma panela de pressão que começa fria e vai esquentando até explodir. E é no exato momento da explosão que o roteiro se transforma e perde o total controle da história.

Acrimônia começa de um jeito e termina de outro completamente diferente. Não sei se o roteirista teve essa intenção desde o início, mas a impressão que dá é que estamos vendo duas premissas distintas costuradas no mesmo roteiro. E isso é nítido ao observarmos a transformação de Robert, personagem vivido pelo ator Lyriq Bent, que começa com uma postura e depois muda completamente, como se o que tivéssemos visto na primeira uma hora fosse uma grande mentira. Você se sente feito de bobo, sabe?

A protagonista vivida por Taraji P. Henson também passa por uma virada sem cabimento. O roteirista consegue estragar a personagem ao transforma-lá numa mulher insana com a justificativa do argumento: “quando eu fico nervosa eu tenho o diabo dentro de mim”. O final fica parecendo um dia de fúria e não um filme sobre relacionamento abusivo. Se não fossem essas transformações, o roteiro seria perfeito ao retratar a jornada de uma mulher que sofreu anos de abuso e depois explodiu buscando vingança pelos anos perdidos.

Uma pena, Acrimônia tinha tudo para ser um bom filme do começo ao fim, se não fosse essa quebra transformadora que desconstruiu a história.