Ilha dos Cachorros

No dia 19 de julho chega aos cinemas brasileiros Ilha dos Cachorros, novo stop-motion do diretor Wes Anderson. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Wes Anderson pode ser descrito de várias formas, mas “comedido” não é uma delas. Os excessos visuais e narrativos do diretor são sua marca registrada, o que torna a ideia de uma animação tão atraente para a sua narrativa. Felizmente, o que parece não ter alcançado o alvo em O Fantástico Sr. Raposo, entra nos eixos em Ilha dos Cachorros.

Com uma paleta de cores bem escolhida e dividido em capítulos, marcas de seu diretor, a animação conta a história de uma cidade no arquipélago Japonês. Em 20 anos, após uma epidemia de gripe canina, todos os cachorros da cidade Megasaki são banidos para a Ilha do Lixo pelo prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura), descendente de uma família anti-cães.

A aventura começa quando o garoto Atari (Koyu Rankin), protegido de Kobayashi, decide fugir para a Ilha e salvar o seu cão de guarda Spots (Liev Schreiber). Para tanto, conta com a ajuda de um grupo de cachorros alfa que, obviamente, tem uma frase de repetição Andersoniana (“Vamos votar!”). Composto pelo fofoqueiro Duke (Jeff Goldblum), pelo garoto propaganda King (Bob Balaban), o mascote de baseball Boss (Bill Murray), o leal Rex (Edward Norton) e o vira-lata Chief (Bryan Cranson), o grupo atravessa a ilha em busca do cachorro perdido.

O elenco é estrelado como todos os filmes do diretor, indo de Scarlett Johanson até Yoko Ono, focando principalmente nos animais. A escolha de Anderson para afastar o espectador dos humanos foi o de permitir que apenas os cães falassem inglês em a Ilha dos Cachorros; para os homens resta o idioma japonês, nem sempre traduzido.

Com orelhas arrancadas e até um transplante de rim, as cenas gráficas trazem uma agradável estranheza à animação sem tirar sua doçura. As brigas retratadas como nuvens de poeira, a crueza na textura dos cães e os rios de celofane ajudam a Ilha dos Cachorros a retratar aqueles que são jogados à margem da sociedade ao mesmo tempo que nos faz sorrir.

Não importa se aqueles que assistirem o filme absorvem sua mensagem ou simplesmente veem a história de um garoto em busca de seu cãozinho, é inegável que se trata do trabalho mais visualmente mágico e grotesco concebido por Wes Anderson. Mesmo com as doenças e injustiças, Ilha dos Cachorros apresenta um mundo incrível cheio de personagens dignos de nossa simpatia e amor.