Mulheres Alteradas

No dia 05 de julho, chega aos cinemas Mulheres Alteradas, longa que adapta a obra da escritora Maitena Burundarena. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

O cotidiano de quatro mulheres, cada uma enfrentando problemas bem particulares: Keka (Deborah Secco) enfrenta uma crise no casamento com Dudu, Marinati (Alessandra Negrini) é uma workaholic que repentinamente se apaixona por Christian, Leandra (Maria Casadevall) sente-se bastante insegura pelo fato de ainda não ter constituído família e Sônia (Monica Iozzi) está cansada da rotina doméstica e sonha com a época em que era solteira.

Uma das coisas mais gostosas de Mulheres Alteradas é como conseguimos facilmente nos identificar e aproximar das personagens. O longa tem uma abertura rápida introduzindo as quatro mulheres e brincando com o efeito dos quadrinhos, e logo de cara conseguimos ter ideia do que vem por ai. Vale destacar que a cena inicial é muito legal.

Ainda, falando sobre identificação, Mulheres Alteradas trata assuntos do cotidiano, o que também gera empatia. Existem milhares de cenas e mulheres que são como Keka, Marinati, Leandra e Sônia, e o desenvolvimento de cada uma das personagens é muito legal. Conforme o filme vai passando, você vai se enxergando nas situações e nos diálogos.

Mesmo sendo muito leve, divertido e descontraído, o longa não deixa de apresentar reflexões, pontos de vista e explorar problemáticas sérias. A vida é muito curta para perdermos tempo sendo infelizes, pensem nisso. Vale destacar que muitas das mensagens que são passadas, também servem para os homens. Mesmo falando diretamente com as mulheres, o filme apresenta situações que também serão de identificação do público masculino.

Falando um pouco do elenco, destaco a atuação e entrega de Alessandra Negrini. A atriz brilhou e encantou com uma Marinati trabalhadora, fria e racional, para depois nos presentear com uma divertida virada que apresenta o lado romântico, ingênuo e iludido da personagem. É hilário! Das quatro atrizes, Negrini é a que mais vai te fazer rir.

Deborah Secco vive a perfeita representação da mulher dos dias atuais. Ela trabalha fora, é casada, tem filhos e se desdobra em mil partes para conseguir dar conta de todos os campos de sua vida. Uma verdadeira guerreira que merece todo o nosso reconhecimento, admiração, respeito e afeto. A atriz entrega uma boa atuação e brilha ao lado do restante do elenco. Passamos o filme todo torcendo por Keka, e quando a virada acontece, é muito gostoso de ver.

Monica Iozzi apresenta uma personagem que conversa diretamente com as mães do lar. Se você ainda não valoriza a sua esposa por ficar em casa cuidando dos filhos, por favor, mude agora os seus conceitos. A atriz vai muito bem ao mostrar os dois lados dessa mulher e traz à tona as dificuldades emocionais e psicológicas que vivem essas guerreiras.

Já pegando o gancho, Maria Casadevall traz ao filme a crise e incerteza da juventude. O diálogo de sua personagem com a de Monica Iozzi é fundamental para a evolução e crescimento de ambas. As duas atrizes funcionam e têm muita química em tela. Vale destacar que Casadevall poderia/deveria ter aparecido mais e interagido com o restante do elenco, ficou faltando. O arco de Leandra é tão fechado no seu mundinho, que não a vemos transitar pela loucura das outras personagens. Seria muito interessante e revigorante se tivéssemos visto trazer essa jovialidade se chocando com as outras.

De modo geral, Mulheres Alteradas vai muito bem até a metade. A ideia de trabalhar os arcos separadamente quebrou a fluidez da história. Quando o roteiro resolve a problemática em torno de Sônia Leandra, as personagens são apagadas e perdem espaço na trama. O gostoso é ver tudo acontecendo ao mesmo tempo. A sensação que deu foi de encerramento, e ao reiniciar a história, o filme perde um pouco o fôlego e dá uma arrastada.

Reitero o fato de que o longa teria uma entrega melhor se tivesse trabalhado com as quatro personagens em cena. A troca entre elas seria muito boa e enriquecedora para a trama. Concluindo, Mulheres Alteradas é um bom filme, com um elenco incrível e uma história cheia de humanidade, humor e reflexão.