No dia 22 junho, estreou a 2ª temporada de Luke Cage na Netflix. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a 2ª temporada de Luke Cage foi boa?

O segundo ano de Luke Cage teve uma evolução absurda em relação ao primeiro. É importante frisar que o ritmo da série continua lento, os episódios são longos e temos vários momentos parados e com diálogos reflexivos. Contudo, é notável a evolução no desenvolvimento dos personagens, na história, nas motivações e nas relações. Esse último ponto talvez seja o mais importante e significativo da 2ª temporada.

No primeiro ano acompanhamos a jornada de Luke para se tornar um herói e limpar o seu nome com a polícia. Já na segunda temporada, vemos como ele trata o fato de ser uma celebridade, alguém que não pode ser destruído e acima de tudo, suas atitudes em relação àqueles que ameaçam a paz no Harlem.

É muito legal ver as questões morais, familiares e afetivas que regem os personagens. Todos têm um porque muito claro e bem desenvolvido, tanto que com o passar dos episódios você passa a torcer pelos vilões, mesmo sabendo que para atingir seus objetivos, teremos baixas no meio do caminho.

Quero destacar a atuação de Alfre Woodard, que deu um show na pele de Mariah Stokes. A atriz conseguiu apresentar várias vertentes de sua personagem, indo da mãe frágil e carinhosa, até a gângster fria e impiedosa. Vale ressaltar que o roteiro aprofundou muito a história da personagem, o que fez com que ela brilhasse e ofuscasse o restante do elenco. Destaco o episódio 9, na qual ela trouxe emoção e verdade durante o diálogo com Tilda (Gabrielle Dennis). O episódio 10 que ela apresentou frieza e crueldade. E por fim, o season finale que ela mostrou o lado calculista e manipuladora. Realmente fiquei encantado com a personagem.

Mustafa Shakir também merece os nossos aplausos. O ator entregou um Bushmaster carregado de rancor, ódio e sede de vingança. Ao mesmo tempo, mesmo tempo que ele nos apresenta a fúria para derrotar os inimigos e atingir os seus objetivos, ele nos mostra o seu lado humano, o que gera empatia e nos aproxima dele. A dinâmica entre o vilão e o protagonista é muito interessante. Em outro contexto, seria muito bacana ver os dois lutando lado a lado e por um objetivo em comum. Os personagens são muito parecidos, se diferenciando somente no método de resolução.

Ainda falando sobre os vilões, quero destacar Theo Rossi. Shades é um dos antagonistas mais humanos e sensíveis da série, e na 2ª temporada de Luke Cage ele trouxe muito disso para as telas. De todos os antagonistas, ele é o que mais se aproxima do público no segundo ano. Seu arco é simples, suas decisões são lógicas e plausíveis e o caminho que ele toma serve como redenção de seus pecados. Gostei muito da atuação e da história do personagem.

Misty Knight teve um arco até mais interessante do que o próprio protagonista. Foi muito legal ver todo o processo de readaptação da personagem depois de perder um braço e a sua batalha interna entre o que é certo e o que está dentro da lei. Seu conflito psicológico rendeu bons momentos e Simone Missick novamente entregou carisma, uma postura firme e boas cenas de ação.

Por fim, chegamos no protagonista. A 2ª temporada de Luke Cage levou o personagem a outro patamar. Ele é o herói, o rei e praticamente o dono do Harlem. Luke sabe que seus poderes lhe permitem tomar qualquer tipo de atitude em relação aos vilões, mas, a série leva uma questão muito interessante sobre isso: até que ponto essa imposição não é uma ditadura? Até que ponto ele deve se envolver? Essas e outras questões interessantes serão respondidas e exploradas no terceiro ano da série.

2ª temporada de Luke Cage apresenta uma excelente história de gângster e explora questões humanas, sentimentais e morais. A musicalidade da série continua impecável, e nos deparamos com uma trilha sonora perfeita para o desenvolvimento da trama e de seus personagens. A produção amadureceu e levou o herói para outro patamar. Não deixe de assistir, mesmo com a lentidão e os episódios longos, vale muito a pena!