No dia 21 de junho chega aos cinemas Hereditário, o novo filme distribuído pela Diamond Films. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Em Hereditário uma simples tragédia familiar se transforma em algo profundamente sinistro. Quando Ellen, a matriarca da família Graham, morre, sua filha e seus descendentes começam a descobrir enigmas e segredos cada vez mais aterrorizantes. Quanto mais eles descobrem, mais eles tentam escapar do terrível destino que parecem ter herdado.

Assumo para você que sempre tomo sustos em filmes de terror e por conta disso, detesto os longas que usam e abusam do jump scare, aquela famosa técnica que te faz pular da cadeira. Não é esse o caso de Hereditário. O longa é parado, arrastado e tenta ao longo de suas duas horas, construir a tensão e desenvolver a loucura do espectador juntamente com os seus personagens.

Sabe aquele filme que a coisa começa a desandar e quando você percebe está no meio de um cenário irreversível e completamente louco? É disso o que estamos falando. Hereditário começa apresentando a família, mostrando o dia-a-dia, as peculiaridades e desenvolvendo as características e traços marcantes de cada personagem. Todos ganham espaço para mostrar a que vieram. A partir de um determinado evento, tudo começa a ir por água abaixo.

Nos Estados Unidos o longa tem sido considerado o “novo Exorcista”, mas, cá entre nós meus amigos, Hereditário está longe disso. E falo com a propriedade de quem não superou o impacto de O Exorcista até hoje. Se você for com essa expectativa para o cinema, irá se frustrar.

Dos mesmos produtores de A Bruxa, Hereditário tenta trabalhar a tensão e intensidade em tela. A ideia do filme era te fazer sair perturbado e pensativo da sessão, mas isso não acontece. Como a narrativa é linear e os eventos vão se desenrolando de forma sequencial, o ápice do longa se torna didático e quebra qualquer impacto que a produção desejava causar. No clímax você para e olha: ok, era isso que você queria me contar? Não tem surpresa e tampouco impacto.

Entrando no elenco, destaco o trabalho de Toni Collete. A atriz vive a perturbada mãe da família e vai muito bem nas cenas emotivas e surtadas. Ela consegue trazer verdade e sentimento através de seus gestos, olhares e tom de voz. Você sente a sua dor e angústia, e isso é tocante. Que excelente presença em tela.

Alex Wolf também é outro nome que brilha. O jovem ator vive o filho do casal, e nos emociona e toca através de seu olhar vibrante e emocionado. Ele contracenando com Toni Collete também é um show a parte. Os dois funcionam muito bem e têm uma química e fluidez impressionante em tela.

Gabriel Byrne passa despercebido em Hereditário. Ele foi subutilizado e não teve espaço para mostrar o seu talento. Seu personagem é apático, frio e sem expressão. A verdade é que você só presta atenção nele somente em um momento impactante do filme, no mais, ele passa pela trama sem brilhar.

A estreante Milly Shapiro vive uma menina estranha e perturbada. Ela tinha potencial, mas teve pouco tempo de tela para desenvolver e explorar sua personagem. Contudo, sua presença foi interessante.

De modo geral, Hereditário é um bom filme, mas poderia ser melhor. Acredito que se a produção tivesse desenvolvido um pouco mais o clima de tensão e não fosse tão didática ao explicar a trama, as coisas teriam fluído melhor. Se você gosta do gênero, vale a pena assistir.