Desobediência

No dia 21 de junho, chega aos cinemas Desobediência, o novo filme distribuído pela Sony Pictures. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Uma mulher retorna à sua comunidade ortodoxa judaica após a morte de seu pai rabino e gera polêmica quando demonstra interesse por uma de suas amizades de infância.

Desobediência é um filme relativamente lento, melancólico e que traz em sua trama uma crítica à opressão de sentimentos fazendo um paralelo com religiões conservadoras e ortodoxas. Complicado né? Falar sobre sexualidade já é algo difícil por conta do preconceito, agora imagine tratar esse assunto dentro de uma cultura completamente fechada e antiga? Difícil, amigos!

O longa apresenta elementos interessantes e que corroboram com a mensagem que a trama quer passar. Tanto a paleta de cores, quanto o figurino, traz em seus tons a repressão e angústia vivida pelos personagens. É nítido perceber como todos os elementos presentes em tela convergem para o debate proposto.

Não estou aqui para entrar no detalhe religioso ou julgar o judaísmo ou qualquer outra religião, longe disso. Acredito que a fé é algo importante para nosso dia-a-dia, mas, o amor próprio e a aceitação de quem nós somos também. E é esse ponto que Desobediência explora. O que é certo? O quanto devemos nos reprimir e anular por conta da fé? A partir de qual momento deixamos de ser nós mesmos para ser aquilo que alguém espera? Os pontos são polêmicos, importantes e interessantes.

Como já lhes disse, o ritmo do filme é lento, o que certamente não agradará a todos. Contudo, as atuações brilharam e emocionaram quando o longa atinge o ápice da discussão.

Rachel Weisz vai muito bem ao trazer para a trama uma mulher que se cansou da cultura em que vivia e abriu mão de sua família e seu passado, para viver o seu verdadeiro eu e ser honesta com os seus sentimentos. A atriz faz um contraponto muito interessante com a comunidade judaica do filme e principalmente com a personagem de Rachel McAdams. Por sinal, vale destacar que a química entre as duas é muito boa.

Quando a trama atinge o ápice, Rachel McAdams rouba a cena com uma entrega sensível, honesta e tocante. A libertação de sua personagem é verdadeira e sentimos isso ao vê-la se emocionar e chorar em tela. A atriz se destaca em relação ao restante do elenco e brilha ao nos apresentar uma mulher reprimida emocionalmente e sexualmente. Ela é o gancho que traz toda a discussão à tona e levanta questões que comovem e mexem com todos.

Outra parte interessante dessa história é interpretada por Alessandro Nivola, ator que faz o marido de McAdams e rabino da comunidade. O personagem carrega consigo todo o peso da liderança judaica, mas ao mesmo tempo ama e presa pela sua mulher e família. É interessante ver a encruzilhada que ele acaba se envolvendo, tendo que escolher entre a razão (religião) e o coração (o amor pela esposa).

De modo geral, Desobediência é um filme importante e que combate o preconceito e a repressão. O longa traz uma discussão atual, mas ao mesmo mexe com costumes antigos. Aprecie as atuações, se emocione com a história e pense no futuro que queremos para o mundo.