Eu Só Posso Imaginar

Na quinta-feira (31), chega aos cinemas Eu Só Posso Imaginar, o novo longa distribuído pela Paris Filmes. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

O longa conta a verdadeira e inspiradora história desconhecida por trás da renomada canção “I Can Only Imagine”, da banda MercyMe, que oferece esperança para muitas pessoas em momentos desafiadores da vida. Surpreendentemente, a canção foi escrita em meros minutos pelo principal vocalista, Bart Millard (J. Michael Finley). Ele viveu uma infância conturbada ao ser deixado pela mãe aos 11 anos de idade e sofreu com o pai abusivo.

Eu Só Posso Imaginar tinha tudo para ser um drama pesado e que trouxesse uma mensagem positiva ao final, mas, não foi isso o que aconteceu. A história de Bart Millard deve ter sido dez vezes mais sofrida e difícil do que a retratada no filme. O longa falha ao tentar construir a musicalidade e o abuso ao mesmo tempo, e ai começam os problemas.

Seria muito fácil culpar o estreante J. Michael Finley pela falta de emoção do filme. Sem experiência e mal conduzido, ele foi o responsável pelas cenas apáticas do longa. Contudo, atribuo à direção pelo insucesso da execução das cenas e o roteiro que não favoreceu a construção do sentimento.

Dennis Quad tem momentos bons no filme, mas aparece pouco em tela, o que já justifica os argumentos acima. Como você quer explorar um abuso se o abusador quase não aparece? Temos pouco tempo com o pai de Bart, o que se torna insuficiente para criarmos um laço com o personagem. Vemos os lampejos de um abuso e a tentativa de uma redenção, mas tudo fica na zona da superficialidade. Uma pena!

Falando da parte musical, Eu Só Posso Imaginar é mais eficiente. No final das contas, o longa parece se tratar de um road movie sobre a jornada de uma banda em busca do sucesso. É legal ver o MercyMe se formar e começar a trilhar o seu caminho. Já na parte da composição de “I Can Only Imagine“, o momento foi tão rápido quanto o tempo que Bart levou para compor a música, então quando estávamos começando a curtir o hit, o filme acaba.

Você que está preocupado com o cunho religioso do filme, fique tranquilo. Eu Só Posso Imaginar tem a presença de Deus no desenvolvimento e evolução de seus personagens, mas o criador não é o foco central da trama. Mesmo se tratando de uma banda gospel, o longa é bem sutil ao tratar desse tema, o que não compromete a experiência daqueles que querem assistir e não são ligados à religião.

Em linhas gerais, Eu Só Posso Imaginar falhou na execução de sua proposta. A carga emocional esperada não foi atingida e o filme não me tocou. Ao final da sessão nos divertimos mais com a música do que com a experiência que acabamos de viver.