Na última sexta-feira (18), entrou no catálogo da Netflix2ª temporada de 13 Reasons Why. Essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a 2ª temporada de 13 Reasons Why é boa?

A 2ª temporada de 13 Reasons Why retrata as consequências da morte de Hannah e a difícil jornada de nossos personagens rumo à recuperação. A escola Liberty se prepara para ir a julgamento, mas alguém quer impedir a todo custo que a verdade sobre a morte de Hannah venha à tona. Fotos ameaçadoras levam Clay e seus colegas à descoberta de um segredo terrível – e uma conspiração para encobri-lo.

Enredo este, que seria uma ótima continuação não fosse a execução descuidada que teve. Quero começar esse texto perguntando a você, precisavam ter mexido na história da Hannah? Entendo que o roteiro quis acrescentar elementos que a mostrassem uma menina normal como outra qualquer e não uma mártir como a primeira temporada relatou. Contudo, retomo a pergunta, precisava disso? A meu ver não!

O arco da 1ª temporada foi muito bem construído e estabelecido ao longo das 13 fitas. Com o passar dos episódios você vai se desesperando com os acontecimentos e termina sofrendo junto com os pais ao encontrarem a filha morta. Apesar de já serem apresentados alguns episódios muito extensos, a curiosidade para descobrir a verdade nos deixava atentos e sensíveis a qualquer cena. Porém, o fato da 2ª temporada de 13 Reasons Why revisitar a mesma história, com elementos e pontos de vista diferentes, não trouxe o mesmo impacto e envolvimento visto no primeiro ano, causou, na verdade, uma certa anulação da mensagem que tentaram passar e às discussões propostas, uma vez que em muitos momentos a narrativa apresenta um tom acusador em cenas de flashback de Hannah. Como se suas atitudes anulassem o que a garota passou.

Mesmo com os arcos que foram deixados propositalmente abertos no final da 1ª temporada, com o propósito de causar burburinho e gerar aquela sensação falsa de necessidade de continuação da história. Mesmo com algumas perguntas ainda sem resposta, quando anunciaram a nova temporada pensei comigo mesmo: precisa? E ao final da maratona conclui que seria muito mais eficiente se a produção tivesse entregado um episódio especial de duas horas e pouco. A 2ª temporada de 13 Reasons Why peca ao apresentar episódios arrastados, esquecíveis e que poderiam ser resumidos em uma ou duas cenas. Sabe aquela famosa expressão: coloca mais água no feijão para render? Foi isso o que aconteceu.

A Netflix já começa a série com um aviso que ao ser iniciado parece muito bacana, com os atores principais falando sobre o teor da série e promovendo canais de ajuda psicológica, o que seria muito bacana se não fosse o tom de “te avisamos, agora a responsabilidade é sua” que fica ao final do vídeo.

O grande ponto positivo da série é ver o quão bons os atores são, com destaque para Dylan Minnette (Clay Jensen), Alisha Boe (Jessica) e Brandon Flynn (Justin). Os três conseguiram entregar cenas dramáticas, sensíveis e tocantes ao longo dos episódios, se sobressaindo em relação ao restante do elenco. Outro destaque é Justin Prentice (Bryce), que potencializou o impacto de seu personagem ao entregar o passado de Bryce de maneira sensível sem no entanto anular o fato de que ele é o vilão. A história poderia ter girado apenas em torno desses quatro personagens.

No fim, a impressão que fica é que a série se arrastou. O clima da primeira temporada foi completamente mudado e novamente o objetivo proposto de levantar discussões importantes foi tratado de maneira irresponsável, com cenas explícitas e fortes que poderiam fazer toda a diferença se a narrativa tivesse uma postura mais consciente. Especialmente no último episódio onde diversas cenas fortes são jogadas no telespectador e alguns diálogos anulam claramente toda a parte positiva de levar jovens à se abrirem e buscarem por ajuda. Além disso, a receita do último episódio da primeira temporada é repetida aqui, onde arcos são abertos de forma chocante com o único intuito de causar a falsa impressão de que a história precisa continuar sendo contada.